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Vida na escuridão: respostas metabólicas, respiratórias e comportamentais à variação de temperatura e hipóxia ambiental da espécie troglóbia de cascudo cavernícola, Ancistrus cryptophthalmus reis, 1987 (Siluriformes: Loricariidae)

dc.contributor.advisorBatalhão, Luciane Helena Gargaglioni
dc.contributor.authorAssis, Leonardo de
dc.contributor.coadvisorBichuette, Maria Elina
dc.contributor.committeeMemberKlein, Wilfried
dc.contributor.committeeMemberWolkers, Carla Patrícia Bejo
dc.contributor.committeeMemberBatalhão, Luciane Helena Gargaglioni
dc.contributor.institutionUniversidade Estadual Paulista (UNESP)pt
dc.date.accessioned2026-10-08T18:36:42Z
dc.date.issued2025-12-15
dc.description.abstractAs mudanças climáticas, intensificadas pelas emissões antrópicas de gases de efeito estufa e agravadas por impactos como desmatamento, poluição e eutrofização, têm elevado as temperaturas globais desde a Revolução Industrial. Em ecossistemas subterrâneos, tais pressões representam uma ameaça ainda maior, uma vez que a fauna cavernícola apresenta elevada fragilidade ecológica, sobretudo as espécies troglóbias, restritas a habitats subterrâneos e mais dependentes de condições ambientais estáveis. Neste estudo, avaliamos os parâmetros fisiológicos do peixe cascudo troglóbio Ancistrus cryptophthalmus, endêmico das cavernas de São Domingos (GO), e de congêneres epígeos (Ancistrus sp.). O monitoramento térmico revelou maior amplitude anual nos rios superficiais (17,6–25,2 °C; Δ = 7,6 °C) do que nas cavernas (20,6–24,1 °C; Δ = 3,5 °C), confirmando a estabilidade térmica subterrânea. A taxa metabólica de rotina (TMR) aumentou em ambos os grupos com a temperatura, mas os troglóbios atingiram picos (~510 mg O₂/kg/h) já em 27,5 °C e não toleraram valores acima de 32,5 °C, enquanto os epígeos alcançaram máximos (~525 mg O₂/kg/h) a 35 °C; diferenças significativas entre os grupos ocorreram em temperaturas intermediárias e elevadas (p < 0,05). O coeficiente Q₁₀ foi maior nos hipógeos (3,63) do que nos epígeos (2,66), indicando maior sensibilidade térmica. O ponto crítico de oxigênio (Pcrit) também foi mais elevado em A. cryptophthalmus (2,83 mg/L) do que em Ancistrus sp. (1,34 mg/L), o que evidencia menor capacidade de oxirregulação. A ventilação branquial correlacionou-se significativamente com a temperatura (epígeos: r = 0,724; troglóbios: r = 0,885; p = 0,001), sendo menor nos troglóbios em 22–27 °C (p < 0,05), mas convergindo para valores mais altos. O comportamento de respiração aérea foi raro em normóxia, mas aumentou significativamente sob hipóxia severa (5% O₂; p < 0,001), sobretudo após marcação com sensores (p < 0,01). A tolerância térmica máxima (CTMax) foi maior nos epígeos (36,3 °C) do que nos troglóbios (34,4 °C) (ANOVA: F = 151,62; p = 0,001), e houve correlação positiva entre CTMax e temperatura de agitação apenas nos epígeos (r = 0,71; p < 0,05). Em conjunto, os resultados demonstram que A. cryptophthalmus apresenta maior sensibilidade à hipóxia e ao aquecimento em comparação a congêneres epígeos, refletindo adaptações a ambientes subterrâneos estáveis, mas também alta vulnerabilidade frente às mudanças climáticas e eventos antropomórficos no Cerrado.pt
dc.description.abstractClimate change, intensified by anthropogenic greenhouse gas emissions and aggravated by deforestation, pollution, and eutrophication, has increased global temperatures since the Industrial Revolution. In subterranean ecosystems, such pressures pose an even greater threat, as cave fauna exhibit high ecological fragility, particularly troglobitic species restricted to underground habitats and highly dependent on stable environmental conditions. In this study, we evaluated the physiological parameters of the troglobitic armored catfish Ancistrus cryptophthalmus, endemic to the caves of São Domingos (GO), and of epigean congeners (Ancistrus sp.). Thermal monitoring revealed greater annual amplitude in surface rivers (17.6–25.2 °C; Δ = 7.6 °C) than in caves (20.6–24.1 °C; Δ = 3.5 °C), confirming subterranean thermal stability. Routine metabolic rate (RMR) increased with temperature in both groups. However, troglobites peaked (~510 mg O₂/kg/h) already at 27.5 °C and did not tolerate values above 32.5 °C, while epigeans reached maximums (~525 mg O₂/kg/h) at 35 °C; significant differences between groups occurred at intermediate and high temperatures (p < 0.05). The Q₁₀ coefficient was higher in troglobites (3.63) than in epigeans (2.66), indicating greater thermal sensitivity. The critical oxygen point (Pcrit) was also higher in A. cryptophthalmus (2.83 mg/L) than in Ancistrus sp. (1.34 mg/L), indicating lower oxyregulatory capacity. Gill ventilation was significantly correlated with temperature (epigeans: r = 0.724; troglobites: r = 0.885; p = 0.001), being lower in troglobites at 22–27 °C (p < 0.05), but converging at higher values. Air-breathing behavior was rare in normoxia but increased significantly under severe hypoxia (5% O₂; p < 0.001), especially after sensor tagging (p < 0.01). Maximum thermal tolerance (CTMax) was higher in epigeans (36.3 °C) than in troglobites (34.4 °C), a robust difference (ANOVA: F = 151.62; p = 0.001), and a positive correlation between CTMax and agitation temperature was observed only in epigeans (r = 0.71; p < 0.05). Overall, the results demonstrate that A. cryptophthalmus shows greater sensitivity to hypoxia and warming compared to epigean congeners, reflecting adaptations to stable subterranean environments but also high vulnerability to climate change and anthropogenic stressors in the Cerrado.en
dc.description.sponsorshipCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)pt
dc.description.sponsorshipFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)pt
dc.description.sponsorshipIdCapes: 001
dc.description.sponsorshipIdFAPESP: 2023/15987-7
dc.identifier.capes33004102002P0
dc.identifier.citationASSIS, L. de. - Vida na escuridão: respostas metabólicas, respiratórias e comportamentais à variação de temperatura e hipóxia ambiental da espécie troglóbia de cascudo cavernícola, Ancistrus cryptophthalmus Reis, 1987 (Siluriformes: Loricariidae) - 2026, 60f - Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Jaboticabal, 2025.pt
dc.identifier.lattes3877309370995158
dc.identifier.lattes5850453468994497
dc.identifier.orcid0000-0003-4097-5286
dc.identifier.orcid0000-0002-2287-6498
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/11449/348839
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Estadual Paulista (UNESP)pt
dc.rights.accessRightsAcesso restritopt
dc.subjectConservaçãopt
dc.subjectFisiologia comparadapt
dc.subjectHipóxiapt
dc.subjectPeixespt
dc.subjectTolerância térmicapt
dc.subjectTroglóbiospt
dc.titleVida na escuridão: respostas metabólicas, respiratórias e comportamentais à variação de temperatura e hipóxia ambiental da espécie troglóbia de cascudo cavernícola, Ancistrus cryptophthalmus reis, 1987 (Siluriformes: Loricariidae)pt
dc.title.alternativeLife in the dark: metabolic, respiratory, and behavioral responses to temperature and hypoxia of the troglobitic species of cave armored catfish, Ancistrus cryptophthalmus Reis, 1987 (Siluriformes: Loricariidae)en
dc.typeDissertação de mestradopt
dcterms.impactA vulnerabilidade de A. cryptophthalmus é ainda mais acentuada por sua distribuição geográfica extremamente restrita e por sua dependência de um número reduzido de cursos d'água subterrâneos interconectados. Durante este estudo, observou-se uma redução na disponibilidade de água no sistema de cavernas Passa Três, ilustrando como eventos climáticos extremos podem alterar rapidamente a disponibilidade de habitats aquáticos. Visto que peixes subterrâneos frequentemente apresentam populações pequenas e isoladas, além de oportunidades limitadas de dispersão, a degradação local do habitat pode resultar em declínios populacionais irreversíveis ou na extinção local da espécie. Essas características são comuns a muitos peixes troglóbios em todo o mundo e contribuem para a sua representação desproporcional entre os vertebrados de água doce ameaçados de extinção. Os resultados também ressaltam a importância de incorporar informações fisiológicas ao planejamento da conservação. As estratégias tradicionais de conservação da fauna cavernícola concentram-se principalmente na proteção das cavernas enquanto estruturas físicas. No entanto, as respostas fisiológicas aqui documentadas demonstram que a conservação da biodiversidade subterrânea exige também a manutenção dos processos hidrológicos que regulam a temperatura das águas subterrâneas, o fluxo dos cursos d'água e a qualidade da água. Portanto, proteger áreas de recarga, preservar a integridade das bacias hidrográficas e monitorar variáveis ​​ambientais em sistemas cársticos são medidas essenciais para manter as condições ecológicas das quais dependem os peixes subterrâneos. Em uma perspectiva mais ampla, este estudo destaca a relevância da fisiologia da conservação para identificar os mecanismos subjacentes à vulnerabilidade das espécies antes que os declínios populacionais se tornem evidentes. Ao relacionar as condições ambientais a respostas metabólicas, respiratórias, comportamentais e térmicas, os estudos fisiológicos oferecem uma avaliação precoce da sensibilidade climática, complementando os dados ecológicos e de distribuição. Tais informações são particularmente valiosas para espécies subterrâneas com endemismo restrito, cujas oportunidades de dispersão ou de evitar mudanças ambientais por meio de alterações comportamentais são limitadas.pt
dcterms.impactThe vulnerability of A. cryptophthalmus is further amplified by its highly restricted geographic distribution and dependence on a small number of interconnected cave streams. During the present study, reduced water availability was observed in the Passa Três cave system, illustrating how extreme climatic events can rapidly alter aquatic habitat availability. Because subterranean fishes often exhibit small, isolated populations and limited opportunities for dispersal, local habitat degradation may result in irreversible population declines or extirpation. These characteristics are shared by many troglobitic fishes worldwide and contribute to their disproportionate representation among threatened freshwater vertebrates. The results also emphasize the importance of incorporating physiological information into conservation planning. Traditional conservation strategies for cave fauna have focused primarily on protecting caves as physical structures. However, the physiological responses documented here demonstrate that conserving subterranean biodiversity also requires maintaining the hydrological processes that regulate groundwater temperature, stream flow, and water quality. Protecting recharge areas, preserving watershed integrity, and monitoring environmental variables within karst systems are therefore essential for maintaining the ecological conditions upon which subterranean fishes depend. More broadly, this study highlights the value of conservation physiology for identifying mechanisms underlying species vulnerability before population declines become evident. By linking environmental conditions with metabolic, respiratory, behavioural, and thermal responses, physiological studies provide an early assessment of climate sensitivity that complements ecological and distributional data. Such information is particularly valuable for narrowly endemic subterranean species, for which opportunities for dispersal or behavioral avoidance of environmental change are limited.en
dspace.entity.typePublication
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unesp.campusUniversidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabalpt
unesp.embargo18 mesespt
unesp.examinationboard.typeBanca públicapt
unesp.graduateProgramCiência Animal - FCAVpt
unesp.knowledgeAreaMorfologia, fisiologia e sistemática animalpt
unesp.researchAreaFisiologia Comparada Animal de peixes cavernícolas.pt

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