O que dizem as águas? Aprendizagem territorial e produção científica para os territórios ribeirinhos na Amazônia paraense : o curso de Geografia das Águas e da Terra (PRONERA/UFPA)
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Data
Autores
Orientador
Vieira, Noêmia Ramos 

Coorientador
Pós-graduação
Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe - IPPRI
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta dissertação mergulha na produção intelectual de uma turma histórica, a Turma Ulisses Manaças, do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia das Águas e da Terra (UFPA/PRONERA). Pela primeira vez, reúne-se, organiza-se e analisa-se o conjunto de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) elaborados por educandos do Curso, especificamente os que nasceram e vivem nas comunidades ribeirinhas do Baixo Tocantins (Região imediata de Abaetetuba e Cametá, principalmente). Ao contrário de serem apenas objetos de estudo, aqui os ribeirinhos tornam-se pesquisadores de seus próprios territórios. O trabalho investiga 12 TCCs, examinando como esses novos geógrafos interpretam, registram e disputam seus territórios de vida dentro e fora dos bancos da universidade. A pesquisa demonstra que os TCCs deslocam o eixo do tradicional Paradigma da Questão Agrária, centrado na terra firme, para a lógica das águas. Debates envolvendo a educação, a autorização das comunidades, o manejo da várzea ganha centralidade, revelando temas historicamente invisibilizados na literatura geográfica brasileira. Os resultados também indicam a presença de uma verdadeira ciência aplicada e insurgente. Os bacharéis apontaram soluções técnicas para as comunidades, como sistemas de tratamento de água, enquanto os licenciados criaram práticas pedagógicas inovadoras para as escolas do campo, fortalecendo a chamada pedagogia território. A pesquisa fortalece outro eixo central de discussão que é o conceito de Aprendizagem Territorial na perspectiva dos povos do campo. Compreende-se que o Curso não apenas formou geógrafos, mas profissionais que utilizam saberes acadêmicos e tradicionais entrelaçados na defesa de seus territórios. A dissertação evidencia que, quando articulada aos movimentos sociais, como o PRONERA, a universidade pública forma não apenas profissionais, mas intelectuais orgânicos capazes de produzir epistemologias próprias. Mostra, assim, que a Geografia Agrária brasileira está sendo renovada e descolonizada a partir das margens dos rios amazônicos.
Resumo (inglês)
This dissertation delves into the intellectual production of a historic cohort, the Ulisses Manaças Class, from the Degree and Bachelor’s Program in Geography of Waters and Land (UFPA/PRONERA). For the first time, the collection of Undergraduate Theses (TCCs) developed by students of the program is gathered, organized, and analyzed, specifically those authored by individuals born and living in the riverside communities of the Lower Tocantins (primarily the immediate region of Abaetetuba and Cametá). Rather than being mere objects of study, here the riverside people become researchers of their own territories. The work investigates 12 theses, examining how these new geographers interpret, record, and contest their life territories both within and beyond the university. The research demonstrates that the theses shift the axis of the traditional Agrarian Question Paradigm, centered on solid ground, toward the logic of the waters. Debates involving education, community authorization, and floodplain management gain centrality, revealing themes historically made invisible in Brazilian geographical literature. The results also indicate the presence of a truly applied and insurgent science. The bachelor's graduates pointed out technical solutions for the communities, such as water treatment systems, while the teaching degree graduates created innovative pedagogical practices for rural schools, strengthening the so-called territory pedagogy. The research reinforces another central axis of discussion: the concept of Territorial Learning from the perspective of rural peoples. It is understood that the course did not only train geographers, but professionals who utilize academic and traditional knowledge interwoven in the defense of their territories. The dissertation evidences that, when articulated with social movements such as PRONERA, the public university forms not only professionals, but organic intellectuals capable of producing their own epistemologies. It shows, therefore, that Brazilian Agrarian Geography is being renewed and decolonized from the banks of Amazonian rivers.
Resumo (espanhol)
Esta disertación se sumerge en la producción intelectual de una promoción histórica, la Promoción Ulisses Manaças, del Curso de Licenciatura y Bachillerato en Geografía de las Aguas y de la Tierra (UFPA/PRONERA). Por primera vez, se reúne, organiza y analiza el conjunto de Trabajos de Fin de Grado (TCCs) elaborados por estudiantes del curso, específicamente aquellos que nacieron y viven en las comunidades ribereñas del Bajo Tocantins (principalmente de la región inmediata de Abaetetuba y Cametá). En lugar de ser solo objetos de estudio, aquí los ribereños se convierten en investigadores de sus propios territorios. El trabajo investiga 12 TCCs, examinando cómo estos nuevos geógrafos interpretan, registran y disputan sus territorios de vida dentro y fuera de las aulas universitarias. La investigación demuestra que los TCCs desplazan el eje del tradicional Paradigma de la Cuestión Agraria, centrado en la tierra firme, hacia la lógica de las aguas. Debates que involucran la educación, la autorización de las comunidades y el manejo de la llanura aluvial (várzea) ganan centralidad, revelando temas históricamente invisibilizados en la literatura geográfica brasileña. Los resultados también indican la presencia de una verdadera ciencia aplicada e insurgente. Los bachilleres señalaron soluciones técnicas para las comunidades, como sistemas de tratamiento de agua, mientras que los licenciados crearon prácticas pedagógicas innovadoras para las escuelas del campo, fortaleciendo la llamada pedagogía del territorio. La investigación fortalece otro eje central de discusión que es el concepto de Aprendizaje Territorial desde la perspectiva de los pueblos del campo. Se comprende que el curso no solo formó geógrafos, sino profesionales que utilizan saberes académicos y tradicionales entrelazados en la defensa de sus territorios. La disertación evidencia que, cuando se articula con los movimientos sociales, como el PRONERA, la universidad pública forma no solo profesionales, sino intelectuales orgánicos capaces de producir epistemologías propias. Muestra, así, que la Geografía Agraria brasileña está siendo renovada y descolonizada desde las orillas de los ríos amazónicos.
Descrição
Palavras-chave
PRONERA, Educação do campo na Amazônia, Aprendizagem territorial, Ribeirinhos, Amazônia paraense, Rural education in the Amazon, Territorial learning, Riverside people, Pará Amazon, Educación del campo en la Amazonía, Aprendizaje territorial, Ribereños, Amazonía paraense
Idioma
Português
Citação
SANTOS, Heralda Ferreira. O que dizem as águas? Aprendizagem territorial e produção científica para os territórios ribeirinhos na Amazônia paraense: o Curso de Geografia das Águas e da Terra (PRONERA/UFPA). Orientadora: Ramos, Noêmia Vieira. 2025. 108 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, São Paulo, 2025.


