Carga hipóxica como biomarcador de risco cardiovascular em tabagistas: o impacto modulador das comorbidades
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Data
Autores
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Ciências da Saúde e Comunicação Humana - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O tabagismo induz instabilidade no controle ventilatório central e inflamação na mucosa das vias aéreas superiores, configurando um fator de risco cardiovascular (RCV) mediado pelo estresse hipóxico noturno. Métricas baseadas estritamente na frequência de eventos respiratórios podem subestimar a magnitude dessa exposição tecidual. Este estudo objetivou avaliar a Carga Hipóxica (CH) como marcador da exposição à hipoxemia intermitente em tabagistas ativos e investigar sua relação com a Razão de Intensidade (RI), características clínicas, tabágicas, antropométricas, percepção do sono, função pulmonar e comorbidades. Trata-se de um estudo observacional, analítico e transversal. Os procedimentos compreenderam anamnese clínica, espirometria portátil, aplicação de instrumentos validados de triagem respiratória e comportamental (PSQI, Berlim, mMRC e Fagerström) e monitorização por oximetria de pulso de alta resolução. A análise estatística empregou testes de Mann-Whitney U, correlação de Spearman ρ (rho) , Teste Exato de Fisher (V de Cramer) e modelos de regressão linear múltipla e logística binária com reamostragem por Bootstrap (1000 replicações). Os resultados, estruturados a partir de 51 participantes (mediana de 42 anos; Índice de Massa Corporal [IMC] de 27 kg/m²; 66,7% com comorbidades), revelaram que o IMC atuou como o único preditor independente da variância da CH (β = 0,374; p = 0,007). O modelo de regressão logística binária direcionado ao desfecho objetivo do IDO demonstrou elevado poder explicativo (R2 de Nagelkerke = 0,872), elegendo a CH como o único preditor independente significante do quadro obstrutivo: B = 0,231; Exp(B) = 1,260; p₍boot₎ = 0,009, independentemente da integridade da função pulmonar aferida em vigília. A CH correlacionouse fortemente com o IDO (ρ (rho) = 0,872; p < 0,001) e de forma inversa com a saturação mínima (ρ (rho) = -0,710; p < 0,001). A aplicação da RI discriminou padrões cinéticos distintos: no subgrupo hígido, a carga tabágica associou-se à CH (V = 0,632; p = 0,045) e correlacionouse inversamente com a RI (ρ (rho) = -0,486; p = 0,048), indicando episódios curtos por redução do limiar de despertar e consequente fragmentação do repouso, com maior declínio na qualidade subjetiva no sexo feminino (V = 0,769; p = 0,010). No subgrupo com comorbidades, a RI correlacionou-se positivamente com a saturação mínima (ρ (rho) = 0,523; p = 0,002), refletindo reoxigenação lentificada por sobreposição metabólica. Conclui-se que a instabilidade respiratória e a inflamação determinam o perfil apneico no tabagista, sendo a CH um marcador sensível do estresse hipóxico acumulado. A integração com a RI identifica vulnerabilidades cinéticas não capturadas por índices de frequência, refinando a estratificação do RCV nesta população.
Resumo (inglês)
Smoking induces instability in central ventilatory control and upper airway mucosal inflammation, establishing a cardiovascular risk (CVR) factor mediated by nocturnal hypoxic stress. Metrics based strictly on the frequency of respiratory events may underestimate the magnitude of this tissue exposure. This study aimed to evaluate Hypoxic Burden (HB) as a marker of intermittent hypoxemia exposure in active smokers and to investigate its relationship with the Intensity Ratio (IR), clinical, smoking, and anthropometric characteristics, sleep perception, lung function, and comorbidities. This is an observational, analytical, and crosssectional study. Procedures comprised clinical anamnesis, portable spirometry, application of validated respiratory and behavioral screening tools (PSQI, Berlin, mMRC, and Fagerström), and high-resolution pulse oximetry monitoring. Statistical analysis employed Mann-Whitney U tests, Spearman correlation (ρ (rho), Fisher's Exact Test (Cramer’s V), and multiple linear and binary logistic regression models with Bootstrap resampling (1000 replications). Results, structured from 51 participants (median age 42 years; Body Mass Index [BMI] 27 kg/m²; 66.7% with comorbidities), revealed that BMI acted as the sole independent predictor of HB variance (β = 0.374; p = 0.007). The binary logistic regression model directed to the objective ODI outcome demonstrated high explanatory power (R2 of Nagelkerke = 0.872), selecting HB as the sole significant independent predictor of the obstructive condition (B = 0.231; Exp(B) = 1.260; p = 0.009), independent of lung function integrity measured during wakefulness. HB correlated strongly with ODI (ρ (rho) = 0.872; p < 0.001) and inversely with minimum saturation (ρ (rho) = -0.710; p < 0.001$). The application of IR (median 5 %.min/event discriminated distinct kinetic patterns: in the healthy subgroup, smoking load was associated with HB (V = 0.632; p = 0.045) and inversely correlated with IR (ρ (rho) = -0.486; p = 0.048), indicating shorter episodes due to a reduced arousal threshold and subsequent sleep fragmentation, with greater decline in subjective quality in females (V = 0.769; p = 0.010). In the comorbid subgroup, IR correlated positively with minimum saturation (ρ (rho) = 0.523; p = 0.002), reflecting slowed reoxygenation kinetics due to metabolic overlap. It is concluded that respiratory instability and inflammation determine the apneic profile in smokers, with HB being a sensitive marker of cumulative hypoxic stress. Integration with IR identifies kinetic vulnerabilities not captured by frequency indices, refining CVR stratification in this population.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
CANO, Amanda de Souza. Carga hipóxica como biomarcador de risco cardiovascular em tabagistas: o impacto modulador das comorbidades. 2026. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde e Comunicação Humana) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2026.



