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Associação entre raça/cor da pele, percepções subjetivas de violência e saúde mental em adultos chefes de famílias em bairros periféricos de São Paulo

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Coorientador

Pós-graduação

Enfermagem - FMB

Curso de graduação

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

INTRODUÇÃO: Chefes de família, especialmente mulheres residentes em periferias, enfrentam vulnerabilidades decorrentes do racismo, da pobreza e da exclusão social. No Brasil, as políticas existentes revelam-se insuficientes para enfrentar as desigualdades que aumentam a ocorrência de agressões interpessoais. Essas desigualdades estão relacionadas à violência estrutural, que compromete o acesso a direitos sociais essenciais, como saúde, alimentação, trabalho e moradia, o que exige uma abordagem articulada, orientada por uma perspectiva intersetorial e interseccional. A abordagem dessa problemática nas periferias brasileiras, tanto no campo epidemiológico quanto no político, ainda é parcial, e, em um contexto mais amplo, fica evidente que essas desigualdades e iniquidades culminam em agravos frequentemente silenciosos, como os transtornos mentais, que, embora socialmente invisibilizados, geram sofrimento, comprometem a saúde e o bem-estar e, em casos extremos, podem levar à perda de vidas. OBJETIVO: Avaliar a associação entre a autodeclaração de cor/raça e experiências subjetivas de violência e saúde mental em adultos chefes de família de bairros periféricos de São Paulo. MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal analítico de base populacional com dados coletados em 2024 (n=719), subprojeto do “Inquérito da soberania, segurança alimentar e saúde da população negra e comunidades tradicionais”, realizado em três bairros periféricos de São Paulo (Cidade Tiradentes, Brasilândia e Jardim Elba) com adultos (≥18 anos) chefes de família selecionados por amostragem por conglomerados. Os dados foram coletados presencialmente com questionário eletrônico (APP VIGSAN), incluindo módulo de violência interpessoal (PNS 2019) e rastreio de TMC pelo SRQ-20, e analisados no SAS por meio de análises descritivas, testes qui-quadrado e regressão logística binária em modelos hierárquicos ajustados por covariáveis. RESULTADOS: Observou-se associação entre transtornos mentais comuns e fatores sociodemográficos, condições de vida e experiências de violência em adultos chefes de família de bairros periféricos de São Paulo. A variável raça/cor da pele não apresentou associação estatisticamente significativa de forma isolada. Entre os indivíduos com transtornos mentais comuns, observou-se maior frequência de características como sexo feminino, inserção em trabalho informal, pior estado de saúde autorreferido, dificuldades de acesso a água potável, acesso a políticas sociais, residência em territórios periféricos específicos e relato de experiências de violência. CONCLUSÃO: Os achados evidenciam que os transtornos mentais em territórios periféricos estão fortemente associados a desigualdades estruturais, experiências de violência e condições de vida precárias, reforçando a necessidade de políticas públicas sob perspectiva intersetorial e interseccional que enfrentem o racismo, a vulnerabilidade social e as iniquidades territoriais como determinantes centrais da saúde mental.

Resumo (inglês)

INTRODUCTION: Heads of households, especially women living in peripheral areas, face vulnerabilities arising from racism, poverty, and social exclusion, and in Brazil existing policies have proven insufficient to address such inequalities, which manifest as structural violence by limiting access to essential social rights such as health, food, work, and housing; this context calls for an articulated approach guided by intersectoral and intersectional perspectives, while the still partial treatment of this issue, both epidemiologically and politically, highlights that these inequities often result in silent health outcomes, such as common mental disorders, which, although socially invisible, lead to suffering, impaired health and well-being, and, in extreme cases, loss of life. OBJECTIVE: To assess the association between self-reported race/skin color and subjective experiences of violence and mental health among adult heads of households in peripheral neighborhoods of São Paulo. METHODS: This is a population-based analytical cross-sectional study using data collected in 2024 (n = 719) as part of the project “Survey on Food Sovereignty, Food Security, and Health of the Black Population and Traditional Communities,” conducted in three peripheral neighborhoods of São Paulo (Cidade Tiradentes, Brasilândia, and Jardim Elba), with adult (≥18 years) heads of households selected through cluster sampling; data were collected in person using an electronic questionnaire (VIGSAN app), including an interpersonal violence module (based on the 2019 National Health Survey) and screening for common mental disorders using the SRQ-20, and analyses were conducted in SAS using descriptive statistics, chi-square tests, and binary logistic regression within hierarchical models adjusted for covariates. RESULTS: An association was observed between common mental disorders and sociodemographic factors, living conditions, and experiences of violence among adult heads of households in peripheral neighborhoods of São Paulo, while race/skin color did not show a statistically significant association when analyzed in isolation; among individuals with common mental disorders, a higher frequency was observed among those who were female, engaged in informal work, reported poorer self-rated health, experienced difficulties accessing safe drinking water, had access to social policies, resided in specific peripheral territories, and reported experiences of violence. CONCLUSION: The findings show that mental disorders in peripheral territories are strongly associated with structural inequalities, experiences of violence, and precarious living conditions, reinforcing the need for intersectoral and intersectional public policies that address racism, social vulnerability, and territorial inequities as central determinants of mental health.

Descrição

Idioma

Português

Citação

POEMAPE FLORES, Silvia Soledad. Associação entre raça/cor da pele, percepções subjetivas de violência e saúde mental em adultos chefes de famílias em bairros periféricos de São Paulo. Orientadora: Maria Rita Marques Oliveira. 2026. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-graduação em Engermagem) – Facultade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.

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