Faces da resistência: representações de identidades em Impossível como nunca ter tido um rosto, de Ricardo Aleixo
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Pós-graduação
Letras - IBILCE
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta dissertação investiga de que maneira a poesia de Ricardo Aleixo constrói representações da identidade a partir da performatização do rosto e como essas representações operam como formas de resistência em diferentes contextos sociais, históricos e simbólicos. O estudo tem como objeto o livro Impossível como nunca ter tido um rosto (2015), no qual linguagem poética, performance e visualidade se articulam na produção de sentidos que tensionam regimes dominantes de visibilidade e reconhecimento. A pesquisa fundamenta-se em um referencial teórico interdisciplinar, mobilizando o conceito de rostidade, de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1996), a noção de partilha do sensível, de Jacques Rancière (2020), e as reflexões de Stuart Hall (2001) sobre identidade como construção histórica e cultural. Dialoga também com o conceito de Atlântico Negro, de Paul Gilroy (2006), e com as contribuições de Achille Mbembe (2014) e Frantz Fanon (1968;2020) acerca das relações entre raça, subjetividade e colonialidade. A teoria da performance, conforme Paul Zumthor, orienta a compreensão da poesia como acontecimento que envolve corpo, voz e presença. A partir da análise de poemas selecionados, evidencia-se que o rosto, na obra de Aleixo, ultrapassa sua dimensão física e se configura como superfície simbólica atravessada por tensões entre visibilidade e apagamento, constituindo-se como espaço de disputa no qual a identidade é simultaneamente negada e reconfigurada. Conclui-se que a poesia de Aleixo reinscreve o rosto negro como espaço dinâmico e performático, contribuindo para o debate sobre identidade, literatura e resistência na contemporaneidade brasileira.
Resumo (inglês)
This dissertation investigates how Ricardo Aleixo’s poetry constructs representations of identity through the performatization of the face, and how these representations operate as forms of resistance across different social, historical, and symbolic contexts. The study focuses on the book Impossível como nunca ter tido um rosto (2015), examining how poetic language, performance, and visuality intersect to challenge dominant regimes of visibility and recognition. The research is grounded in an interdisciplinary theoretical framework, drawing on the concept of faciality by Gilles Deleuze and Félix Guattari (1996), Jacques Rancière’s (2020) notion of the distribution of the sensible, and Stuart Hall’s (2006) reflections on identity as a historical and cultural construction. It also engages with Paul Gilroy’s concept of the Black Atlantic and the contributions of Achille Mbembe (2014) and Frantz Fanon (1968;2020), regarding race, subjectivity, and coloniality. Paul Zumthor’s (2001;2018), theory of performance supports the understanding of poetry as an embodied event involving voice, body, and presence. Through the analysis of selected poems, the study demonstrates that the face in Aleixo’s work exceeds its physical dimension and becomes a symbolic surface marked by tensions between visibility and erasure. It emerges as a site of dispute where identity is both denied and reconfigured. The dissertation concludes that Aleixo’s poetry redefines the Black face as a dynamic and performative space, contributing to contemporary debates on identity, literature, and resistance in Brazil.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
ARANHA, Paulo Henrique Gonçalves. Faces da resistência: representações de identidades em impossível como nunca ter tido um rosto, de Ricardo Aleixo. 2026. 133 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto, 2026.



