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Riso e alegoria nas obras Auto da Compadecida, Farsa da Boa Preguiça e A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna

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Advisor

Rocha, Elizabete Sanches

Coadvisor

Graduate program

Estudos Literários - FCLAR

Undergraduate course

Journal Title

Journal ISSN

Volume Title

Publisher

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Type

Doctoral dissertation

Access right

Acesso abertoAcesso Aberto

Abstract

Abstract (portuguese)

A alegoria é um contínuo recurso retórico explorado historicamente para alicerçar convencionalismos. No entanto, esse alicerce convencional pode ser ressignificado mediante uma nova e atual releitura da própria alegoria. Essa ação analítica consiste numa interpretação do significante que, em consonância com o contexto social, permite outros possíveis significados. As obras Auto da Compadecida, Farsa da boa preguiça e A pena e a lei contêm elevado teor alegórico marcadas pela presença de elementos transcendentais e simbólicos da cultura nordestina de meados do século XX. À primeira vista, o leitor/espectador observa os costumes sociais permeados pela ótica da comicidade, ação que mantém o status quo das relações locais, bem como os preceitos religiosos e místicos. Contudo, quando a releitura alegórica está entrelaçada com a realidade, novos significados surgem, inovando aquilo que parecia imóvel. Nesse sentido, os personagens em cena são potencialmente sensíveis e capazes prover críticas sobre os acontecimentos pessoais e sociais, bem como permitir a renovação das alegorias presentes na obra. Legitima-se, portanto, a capacidade que o teatro tem de restabelecer novas relações com as variações históricas do comportamento social e com as diferentes formas de fazer política. Dos recursos teatrais presentes nessas comédias, o riso é um potencial catalisador da ação alegórica em função da sua capacidade de gerar ambiguidades e incitar novos significados. Para verificar esse propósito, adotamos a Teoria Bergsoniana do Risível, que, estudada em consonância com os estudos de Bakhtin, Kothe e Benjamin, indiciam relações com outras linguagens teatrais modernas, configurando-se como uma dramaturgia de subversão cultural. Assim, cientes de que os personagens denunciam um certo tipo de realidade e que o riso e a alegoria são recursos históricos capazes de representar o imaginário e a realidade de um grupo, enveredamos por uma releitura alegórica das alegorias presentes nas peças de Suassuna. Julgamos, dessa maneira, que esses recursos propõem ao leitor/espectador um encontro com a realidade a partir de seus próprios costumes estabelecendo uma percepção crítica, permeada pelo gênero farsesco, uma vez que possibilita a emancipação social viabilizando o exercício de correção das excentricidades sociais.

Abstract (english)

Allegory is a continuous rhetorical tool that has been historically used in order to sustain conventionalisms. Nevertheless, this conventional underpinning may obtain a new meaning through a new and contemporary reinterpretation of the allegory itself. This analytical action consists of a new interpretation of the signifier who, in accordance with a new social context, allows for other possible meanings. The plays Auto da Compadecida, Farsa da boa preguiça and A pena e a lei contain a high level of allegory marked by transcendental and symbolic elements of Northeastern Brazilian culture from the mid-20th century. At first glance, the reader/viewer observes social customs permeated by a comedic perspective, an action that maintains the status quo of local relations, as well as religious and mystical precepts. However, when the allegorical reinterpretation is intertwined with reality, new meanings appear, innovating that which seemed immovable. In this sense, the characters on stage are potentially sensitive and capable of providing critiques about personal and social events, as well as allowing for the renewing of the allegories present in the play. Therefore, the capacity of theater to re-establish new relationships with historical variations in social behavior and with different ways of doing politics is legitimized. Among the theatrical resources present in these comedies, laughter is a potential catalyst for the allegoric action due to its capacity of generating ambiguities and incite new meanings. In order to verify this purpose, we have adopted the Bergsonian Theory of the Ridiculous which, when studied in conjunction with the studies of Bakhtin, Kothe, and Benjamin, suggest connections with other modern theatrical languages, configuring itself as a dramaturgy of cultural subversion. So, aware that the characters tell a certain type of reality and that laughter and allegory are historical resources capable of representing the imagination and reality of a group, we embarked on an allegoric reinterpretation of the allegories present in Suassuna’s plays. Therefore, we believe that these resources offer the reader/viewer an encounter with reality based on their own customs, establishing a critical perception permeated by the farcical genre, since it enables social emancipation by turning it possible to correct social eccentricities.

Description

Language

Portuguese

Citation

MÉGDA, J. Riso e alegoria nas obras Auto da Compadecida, Farsa da Boa Preguiça e A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna. 2026. 199 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.

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