Refugiados sírios no contexto europeu: a fuga da guerra civil para o epicentro de uma guerra cultural
Carregando...
Data
Autores
Orientador
Godoy, Paulo Roberto Teixeira de 

Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
Rio Claro - IGCE - Geografia
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Trabalho de conclusão de curso
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Objetivamos neste trabalho analisar criticamente a chegada em massa de refugiados sírios no contexto europeu, entendida não apenas como uma crise humanitária, mas como um processo atravessado por disputas políticas, identitárias e culturais que marcaram profundamente a Europa na última década. A partir da eclosão da Guerra Civil Síria em 2011 e do deslocamento forçado de milhões de pessoas, a Europa tornou-se um dos principais destinos desse fluxo migratório, revelando contradições profundas. Em contraste aos discursos de defesa dos direitos humanos e de uma suposta solidariedade europeia, a realidade revela políticas marcadas pela seletividade, pelo caráter restritivo e, frequentemente, pela exclusão. Tal contradição expõe os limites materiais e ideológicos das democracias liberais diante de crises de escala global. Nesse sentido, a pesquisa adota uma perspectiva crítica e interdisciplinar, problematizando o modo como narrativas midiáticas, discursos políticos e práticas institucionais reforçam estigmas, alimentam a xenofobia e fortalecem correntes autoritárias que se refletem na ascensão da extrema-direita populista no continente europeu. A análise evidencia que a seletividade no acolhimento se enraíza em uma lógica estrutural permeada por heranças coloniais, práticas racistas e pela racionalidade neoliberal individualista. Nesse cenário, os refugiados sírios, ao escaparem da devastação da Guerra Civil, foram inseridos em um novo campo de disputas: uma “guerra cultural” no interior da Europa, em meio às tensões profundas entre a promessa dos direitos humanos e o avanço de discursos fascistas e anti-imigração que colocam em xeque os princípios democráticos europeus.
Resumo (inglês)
This paper aims to critically analyze the mass arrival of Syrian refugees in the European context, understood not only as a humanitarian crisis but also as a process permeated by political, identity, and cultural disputes that have profoundly marked Europe over the last decade. Since the outbreak of the Syrian Civil War in 2011 and the forced displacement of millions of people, Europe has become one of the main destinations for this migratory flow, revealing profound contradictions. In contrast to discourses defending human rights and supposed European solidarity, reality reveals policies marked by selectivity, restrictiveness, and, often, exclusion. This contradiction exposes the material and ideological limits of liberal democracies in the face of global-scale crises. In this sense, the research adopts a critical and interdisciplinary perspective, problematizing how media narratives, political discourses, and institutional practices reinforce stigmas, fuel xenophobia, and strengthen authoritarian currents reflected in the rise of the populist far-right on the European continent. The analysis highlights that selective reception is rooted in a structural logic permeated by colonial legacies, racist practices, and individualistic neoliberal rationality. In this context, Syrian refugees, escaping the devastation of the Civil War, were thrust into a new arena of dispute: a "culture war" within Europe, amid deep tensions between the promise of human rights and the rise of fascist and anti-immigration rhetoric that undermines European democratic principles.
Descrição
Palavras-chave
Geografia, Geografia política, Refugiados, Síria - História Guerra civil, 2011-, Xenofobia, Refugees, Syria, Cultural war, Humanitarian crisis
Idioma
Português

