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Qual é a dor que dói mais? Avaliação multidimensional de sinais clínicos em cães com diferentes locais de acometimento neoplásico

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Coorientador

Pós-graduação

Ciências Veterinárias - FCAV

Curso de graduação

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

Doenças neoplásicas ocorrem frequentemente em cães, cujo diagnóstico é realizado majoritariamente após o início da manifestação de sinais clínicos. Cães com câncer apresentam uma alta carga de sinais clínicos, que impactam diretamente os animais e responsáveis. O objetivo deste estudo foi identificar a prevalência de sinais clínicos, bem como sua frequência, gravidade e sofrimento gerados aos cães e responsáveis de acordo com os diferentes sistemas e locais acometidos pelo câncer. Setenta e seis responsáveis responderam à “Escala de Avaliação de Sintomas Modificada” (EASM), um formulário multidimensional para a avaliação de 12 sinais clínicos presentes em seus animais. Os dados foram analisados de acordo com a ocorrência (presença/ausência) pelo teste de modelos lineares generalizados mistos, e pelo teste de modelos lineares mistos cumulativos em escalas ordinais de 4 pontos, para a frequência e a gravidade, sendo 1 (raramente/leve) a 4 (sempre/muito grave) e em escalas ordinais de 5 pontos, para a avaliação do sofrimento gerado pelos sinais clínicos aos animais e responsáveis, sendo 1 (nem um pouco) a 5 (muitíssimo). Os cães foram agrupados de acordo com a classificação tumoral em neoplasias cutâneas e subcutâneas (38,15%), hematopoiética (14%), mamária (13,2%), oral (9,2%), óssea (6,6%), gastrintestinal (5%), dos sistemas reprodutor, urinário, respiratório (1% cada) e em múltiplos sistemas (9,2%). A prevalência (p <0,001), a frequência (p = 0,01) e a gravidade (p = 0,02) dos sinais clínicos diferiram de acordo com os sistemas acometidos. A presença de câncer ósseo foi associada à chance de maior carga de sinais clínicos (OR = 3,64; IC95%: 0,96 - 13,71; p = 0,03), enquanto a presença de neoplasia mamária reduziu essa chance (OR = 0,30; IC95%: 0,09 - 1,00; p = 0,03). A presença de dor (OR = 3,97; IC95%: 1,86 - 8,46; p < 0,001), falta de energia (OR = 3,462; IC95%: 1,62 - 7,39; p < 0,001) e dificuldade para andar (OR = 2,25; IC95%: 1,03 - 4,92; p = 0,008) foram associadas à chance de maior ocorrência de sinais clínicos, que apresentaram forte correlação entre si, e o aumento de sua gravidade levou à chance de maior sofrimento vivido pelos animais (OR = 10,02; IC95%: 5,52 - 18,19; p < 0,001) e responsáveis (OR = 6,08; IC95%: 3,55 - 10,43; p < 0,001). As neoplasias localizavam-se no tronco (17,1%), cabeça e pescoço (15,8%), membros (19,7%), cavidade abdominal (9,2%) e mama (13,2%). A gravidade dos sinais clínicos diferiu de acordo com a localização neoplásica (p = 0,03), sendo a mama o local com menor gravidade dos sinais clínicos. A presença de neoplasias na cavidade abdominal (OR = 7,0; IC95%: 1,9 - 26,09; p = 0,02) e membros (OR = 4,49; IC95%: 1,53 - 13,2; p = 0,022) foram associadas à chance de maior sofrimento vivido pelo animal. O aumento da gravidade da hiporexia foi associado à chance de maior sofrimento atribuído ao animal (OR = 5,58; IC95%: 1,50 - 20,81; p = 0,02). O aumento do peso dos cães foi associado à chance de maior ocorrência de sinais clínicos (OR: 1,45; IC95%: 1,01 - 2,07; p = 0,04). Os responsáveis tendem a relatar pontuações mais altas de sofrimento do que atribuíram aos seus animais em decorrência da presença dos sinais clínicos (OR = 4,22; IC95%: 2,76 - 6,44; p < 0,001). O aumento da pontuação do sofrimento do animal foi associado à chance de maiores valores de sofrimento do responsável (OR = 7,19; IC95%: 4,37 - 11,83; p < 0,001). A presença de doença metastática foi associada à maior frequência e carga de sinais clínicos, como dor (OR = 9,67; IC95%:1,37 - 68,00; p = 0,023), dificuldade para andar (OR = 9,29; IC95%:1,55 - 55,50; p = 0,014) e hiporexia (OR = 5,7; IC95%: 1,01 - 31,97; p = 0,048). O estudo dos sinais clínicos do câncer e de como se relacionam com o sofrimento dos cães e responsáveis têm um papel fundamental na educação dos cuidadores e veterinários, a fim de promover maior atenção à sinais clínicos por vezes considerados inespecíficos, melhorando o diagnóstico precoce e tratamento dos pacientes, a fim de levar o alívio dos sinais clínicos, melhora da qualidade de vida e oferta de cuidados paliativos.

Resumo (inglês)

Neoplastic diseases frequently occur in dogs, and diagnosis is mostly made after the onset of clinical signs. Dogs with cancer present a high burden of clinical signs, which directly impact the animals and their owners. The objective of this study was to identify the prevalence of clinical signs, as well as their frequency, severity, and the suffering they generate for dogs and their owners, according to the different systems and locations affected by the cancer. Seventy-six owners responded to the "Modified Symptom Assessment Scale" (MSAS), a multidimensional form for evaluating 12 clinical signs present in their animals. The data were analyzed according to occurrence (presence/absence) using the mixed generalized linear model test, and the cumulative mixed linear model test on 4-point ordinal scales for frequency and severity, ranging from 1 (rarely/mild) to 4 (always/very severe), and on 5-point ordinal scales for assessing the suffering caused by clinical signs to the animals and their owners, ranging from 1 (not at all) to 5 (very much). The dogs were grouped according to tumor classification into cutaneous and subcutaneous neoplasms (38,15%), hematopoietic (14%), mammary (13,2%), oral (9,2%), bone (6,6%), gastrointestinal (5%), reproductive, urinary, and respiratory systems (1% each), and multiple systems (9,2%). The prevalence (p <0,001), frequency (p = 0,01), and severity (p = 0,02) of clinical signs differed according to the affected systems. The presence of bone cancer was associated with a higher chance of a greater burden of clinical signs (OR = 3,64; 95% CI: 0,96 - 13,71; p = 0,03), while the presence of breast neoplasia reduced this chance (OR = 0,30; 95% CI: 0,09 - 1,00; p = 0,03). The presence of pain (OR = 3,97; 95% CI: 1,86 - 8,46; p < 0,001), lack of energy (OR = 3,462; 95% CI: 1,62 - 7,39; p < 0,001) and difficulty walking (OR = 2,25; 95% CI: 1,03 - 4,92; p = 0,008) were associated with a higher chance of occurrence of clinical signs, which showed a strong correlation with each other, and the increase in their severity led to a greater chance of suffering experienced by the animals (OR = 10,02; 95% CI: 5,52 - 18,19; p < 0,001) and caregivers (OR = 6,08; 95% CI: 3,55 - 10,43; p < 0,001). The neoplasms were located in the trunk (17,1%), head and neck (15,8%), limbs (19,7%), abdominal cavity (9,2%), and mammary gland (13,2%). The severity of clinical signs differed according to the neoplastic location (p = 0,03), with the mammary gland being the site with the least severe clinical signs. The presence of neoplasms in the abdominal cavity (OR = 7,0; 95% CI: 1,9 - 26,09; p = 0,02) and limbs (OR = 4,49; 95% CI: 1,53 - 13,2; p = 0,022) was associated with the chance of greater suffering experienced by the animal. Increased severity of hyporexia was associated with the chance of greater suffering attributed to the animal (OR = 5,58; 95% CI: 1,50 - 20,81; p = 0,02). Increased dog weight was associated with a higher chance of clinical signs occurring (OR: 1,45; 95% CI: 1,01–2,07; p = 0,04). Owners tended to report higher distress scores than they attributed to their animals due to the presence of clinical signs (OR = 4,22; 95% CI: 2,76–6,44; p < 0,001). Increased animal distress scores were associated with higher owner distress scores (OR = 7,19; 95% CI: 4,37–11,83; p < 0,001). The presence of metastatic disease was associated with a higher frequency and burden of clinical signs, such as pain (OR = 9,67; 95% CI: 1,37 - 68,00; p = 0,023), difficulty walking (OR = 9,29; 95% CI: 1,55 - 55,50; p = 0,014), and hyporexia (OR = 5,7; 95% CI: 1,01 - 31,97; p = 0,048). The study of clinical signs of cancer and how they relate to the suffering of dogs and their owners plays a fundamental role in the education of caregivers and veterinarians, in order to promote greater attention to clinical signs sometimes considered nonspecific, improving early diagnosis and treatment of patients, in order to alleviate clinical signs, improve quality of life, and offer palliative care.

Descrição

Idioma

Português

Citação

PAZ, B. F.- Qual é a dor que dói mais? : avaliação multidimensional de sinais clínicos em cães com diferentes locais de acometimento neoplásico. 2026, 77f -Tese (Doutorado em Ciências Veterinárias) - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Jaboticabal, 2026.

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Jaboticabal, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - FCAV
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