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Repercussões funcionais autorrelatadas da COVID longa em indivíduos de meia-idade

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Coorientador

Pós-graduação

Desenvolvimento Humano e Tecnologias - IB

Curso de graduação

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Introdução: A COVID Longa tem sido associada à persistência de sintomas e limitações funcionais que impactam diferentes dimensões da saúde, com duração que pode se estender por meses ou anos após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2. Indivíduos de meia-idade (50-59 anos) constituem um grupo demográfico particularmente vulnerável, por representarem a espinha dorsal da força de trabalho e por estarem em uma fase de transição fisiológica para o envelhecimento. Objetivo: Caracterizar as repercussões funcionais autorrelatadas associadas à COVID Longa em indivíduos de meia-idade, dois anos após a infecção pelo SARS-CoV-2, por meio da avaliação da qualidade de vida, da atividade física habitual e da saúde mental, comparando indivíduos com e sem doença pós-COVID-19. Métodos: Estudo observacional, transversal, com abordagem quantitativa, realizado a partir da análise de dados secundários de um banco institucional (LIBEM/UNESP-Marília). A amostra final foi composta por 31 indivíduos com idade entre 50 e 59 anos (55,1 ± 4,4 anos; 58,1% mulheres), com histórico de infecção por SARS-CoV-2 há aproximadamente dois anos. Os participantes foram classificados em dois grupos conforme a presença (n=25) ou ausência (n=6) de doença pós-COVID-19, definida pela persistência de sintomas por ≥ 3 meses. Utilizaram-se os seguintes instrumentos: Questionário de Baecke (atividade física habitual), Short Form-36 Health Survey (SF-36; qualidade de vida) e Hospital Anxiety and Depression Scale (HAD; ansiedade e depressão). A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk. Para comparações entre grupos, empregaram-se o teste t de Student para amostras independentes (dados normais) ou o teste de Mann-Whitney (dados não normais). O nível de significância foi estabelecido em α=0,05, e os tamanhos de efeito foram calculados (d de Cohen para diferenças entre médias; r para Mann-Whitney). Resultados: Indivíduos com doença pós-COVID-19 apresentaram, em comparação ao grupo sem a condição, piores escores nas dimensões do SF-36: Capacidade Funcional (mediana: 60,0 vs. 85,0; p=0,018; r=0,50), Dor (média: 46,4±27,8 vs. 72,0±1,3; p=0,040; d=1,34) e Vitalidade (média: 46,8±20,5 vs. 67,5±16,1; p=0,029; d=1,12). A escala HAD revelou maiores níveis de sintomas depressivos no grupo com COVID Longa (média: 6,6±3,7 vs. 2,8±2,1; p=0,021; d=1,25). Não foram observadas diferenças significativas nos níveis de atividade física habitual entre os grupos (Baecke Total: 7,4±1,1 vs. 7,8±1,0; p=0,477; d=0,38). Análises de correlação de Spearman demonstraram associações fortes e altamente significativas entre sintomas depressivos e piores escores de qualidade de vida, especialmente nos domínios Vitalidade (ρ=-0,725; p<0,001) e Saúde Mental (ρ=-0,781; p<0,001). Conclusão: A COVID Longa está associada a repercussões funcionais autorrelatadas persistentes e clinicamente significativas em indivíduos de meia-idade dois anos após a infecção, particularmente nos domínios de capacidade funcional, dor, vitalidade e sintomas depressivos. Estes achados evidenciam a necessidade de estratégias de acompanhamento longitudinal e reabilitação multiprofissional direcionadas a essa população, com ênfase integrada na funcionalidade física e na saúde mental.

Resumo (inglês)

Background: Long COVID has been associated with persistent symptoms and functional limitations impacting multiple health dimensions, with duration potentially extending for months or years after acute SARS-CoV-2 infection. Middle-aged individuals (50-59 years) constitute a particularly vulnerable demographic group, as they represent the backbone of the workforce and are in a physiological transition phase toward aging. Objective: To characterize the self-reported functional repercussions associated with Long COVID in middle-aged individuals, two years after SARS-CoV-2 infection, through the assessment of quality of life, habitual physical activity, and mental health, comparing individuals with and without post-COVID-19 condition. Methods: This was an observational, cross-sectional study with a quantitative approach, conducted using secondary data from an institutional database (LIBEM/UNESP-Marília). The final sample comprised 31 individuals aged 50-59 years (55.1±4.4 years; 58.1% female), with a history of SARS-CoV-2 infection approximately two years prior. Participants were classified into two groups according to the presence (n=25) or absence (n=6) of post-COVID-19 condition, defined as symptom persistence for ≥3 months. The following instruments were used: Baecke Questionnaire (habitual physical activity), Short Form-36 Health Survey (SF-36; quality of life), and Hospital Anxiety and Depression Scale (HAD; anxiety and depression). Data normality was assessed using the Shapiro-Wilk test. Group comparisons were performed using independent samples t-test (normally distributed data) or Mann-Whitney test (non-normally distributed data). Significance level was set at α=0.05, and effect sizes were calculated (Cohen's d for mean differences; r for Mann-Whitney). Results: Individuals with post-COVID-19 condition exhibited, compared to the group without the condition, worse SF-36 scores in the following dimensions: Physical Functioning (median: 60.0 vs. 85.0; p=0.018; r=0.50), Bodily Pain (mean: 46.4±27.8 vs. 72.0±1.3; p=0.040; d=1.34), and Vitality (mean: 46.8±20.5 vs. 67.5±16.1; p=0.029; d=1.12). The HAD scale revealed higher levels of depressive symptoms in the Long COVID group (mean: 6.6±3.7 vs. 2.8±2.1; p=0.021; d=1.25). No significant differences were observed in habitual physical activity levels between groups (Baecke Total: 7.4±1.1 vs. 7.8±1.0; p=0.477; d=0.38). Spearman correlation analyses demonstrated strong and highly significant associations between depressive symptoms and poorer quality of life scores, particularly in the Vitality (ρ=-0.725; p<0.001) and Mental Health (ρ=-0.781; p<0.001) domains. Conclusion: Long COVID is associated with persistent and clinically significant self-reported functional repercussions in middle-aged individuals two years after infection, particularly in the domains of physical functioning, bodily pain, vitality, and depressive symptoms. These findings highlight the need for longitudinal follow-up strategies and multidisciplinary rehabilitation interventions targeting this population, with integrated emphasis on physical functionality and mental health.

Descrição

Idioma

Português

Citação

MARTINS, Ana Carolina Mazzi Miranda. Repercussões funcionais autorrelatadas da COVID longa em indivíduos de meia-idade. 2026. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Humano e Tecnologias) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro, 2026.

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