Perspectiva histórica e desafios de institucionalização da ciência da informação em países africanos de língua oficial portuguesa: uma análise do caso de Moçambique
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Pós-graduação
Ciência da Informação - FFC
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O estudo investiga a evolução histórica e os desafios enfrentados pela Ciência da Informação nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com especial foco em Moçambique. Para buscar mais subsídios sobre o tema, a pesquisa começou primeiramente por traçar as origens da Ciência da Informação como um campo interdisciplinar que emergiu no século XX e se consolidou nas décadas de 1950 e 1960, impulsionado por avanços tecnológicos e pela crescente necessidade de gerenciar grandes volumes de dados. Ademais, situou o surgimento da Ciência da Informação em um contexto global, remetendo à influência de pensadores como Vannevar Bush, cujo artigo de 1945 sobre o "Memex" (Memory Extender) marcou o início da discussão sobre tecnologias de recuperação de informação. Nos PALOP, o desenvolvimento da Ciência da Informação é analisado a partir de dois períodos principais: o colonial e o pós-colonial. Durante o período colonial, as práticas de gestão da informação eram voltadas para os interesses dos colonizadores, centrando-se na administração política e económica. As instituições criadas, como bibliotecas e arquivos, serviam aos propósitos da metrópole, enquanto a população local tinha acesso limitado a essas ferramentas, perpetuando um modelo de exclusão informacional. A formação de profissionais na área era praticamente inexistente, o que resultou na ausência de especialistas locais capacitados para desenvolver sistemas de informação autónomos no período pós-colonial. Com as independências na década de 1970, os PALOP enfrentaram o desafio de criar sistemas de informação próprios, baseados muitas vezes em modelos herdados do período colonial. Essa transição foi marcada por dificuldades como a escassez de recursos financeiros, a ausência de profissionais qualificados e a falta de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da área. Ainda assim, houve esforços significativos para implementar bibliotecas e arquivos nacionais, além de criar cursos universitários para formar especialistas. Contudo, os currículos muitas vezes não refletiam as necessidades locais, dificultando a inserção dos profissionais no mercado de trabalho. Em Moçambique, a pesquisa destaca que os desafios da Ciência da Informação estão diretamente relacionados à empregabilidade dos formados, à inadequação curricular e à falta de alinhamento entre a formação académica e as demandas do mercado. Além disso, o estudo realiza uma análise comparativa entre os currículos de Moçambique e do Brasil, apontando discrepâncias que evidenciam a necessidade de adaptar os programas educacionais à realidade moçambicana. As principais conclusões do trabalho reforçam a importância de reconhecer e valorizar o contexto histórico e cultural dos PALOP na construção de sistemas de informação eficazes. A sustentabilidade desses sistemas depende de uma formação mais robusta, que inclua não apenas conhecimentos técnicos, mas também competências éticas e culturais. A pesquisa propõe a consolidação de estratégias que promovam a autonomia informacional dos PALOP, considerando tanto a preservação da identidade cultural local quanto a integração de tecnologias modernas. Essas acções são vistas como essenciais para garantir que os sistemas de informação possam contribuir para o desenvolvimento social, económico e cultural da região. Este trabalho contribui significativamente para o campo da Ciência da Informação ao abordar um tema ainda pouco explorado, fornecendo uma análise histórica detalhada e apresentando propostas concretas para enfrentar os desafios contemporâneos da área nos PALOP.
Resumo (inglês)
The study investigates the historical evolution and challenges faced by Information Science in the Portuguese-Speaking African Countries (PALOP), with a special focus on Mozambique. To gain more insights on the topic, the research began by tracing the origins of Information Science as an interdisciplinary field that emerged in the 20th century and solidified in the 1950s and 1960s, driven by technological advances and the growing need to manage large volumes of data. It also situated the emergence of Information Science in a global context, referring to the influence of scholar such as Vannevar Bush, whose 1945 article on the "Memex" (Memory Extender) marked the beginning of discussions on information retrieval technologies. In the PALOP, the development of Information Science is analyzed from two main periods: the colonial and the post-colonial. During the colonial period, information management practices were geared toward the interests of the colonizers, focusing on political and economic administration. Institutions created, such as libraries and archives, served the purposes of the metropolis, while the local population had limited access to these tools, perpetuating a model of informational exclusion. Professional training in the area was virtually nonexistent, resulting in a lack of local specialists capable of developing autonomous information systems in the post-colonial period. With independence in the 1970s, the PALOP faced the challenge of creating their own information systems, often based on models inherited from the colonial period. This transition was marked by difficulties such as scarce financial resources, the absence of qualified professionals, and a lack of public policies aimed at strengthening the area. Nonetheless, there were significant efforts to implement national libraries and archives, as well as to create university courses to train specialists. However, curricula often did not reflect local needs, making it difficult for professionals to enter the job market. In Mozambique, the research highlights that the challenges of Information Science are directly related to the employability of graduates, curricular inadequacy, and the lack of alignment between academic training and market demands. Additionally, the study conducts a comparative analysis between the curricula of Mozambique and Brazil, pointing out discrepancies that underscore the need to adapt educational programs to the Mozambican reality. The main conclusions of the work reinforce the importance of recognizing and valuing the historical and cultural context of the PALOP in building effective information systems. The sustainability of these systems depends on more robust training that includes not only technical knowledge but also ethical and cultural competencies. The research proposes consolidating strategies that promote the informational autonomy of the PALOP, considering both the preservation of local cultural identity and the integration of modern technologies. These actions are seen as essential to ensure that information systems can contribute to the social, economic, and cultural development of the region. This work contributes significantly to the field of Information Science by addressing a topic still little explored, providing a detailed historical analysis, and presenting concrete proposals to face contemporary challenges in the area within the PALOP.
Resumo (espanhol)
El estudio investiga la evolución histórica y los desafíos enfrentados por la Ciencia de la Información en los Países Africanos de Lengua Oficial Portuguesa (PALOP), con especial enfoque en Mozambique. Para obtener más información sobre el tema, la investigación comenzó trazando los orígenes de la Ciencia de la Información como un campo interdisciplinario que surgió en el siglo XX y se consolidó en las décadas de 1950 y 1960, impulsado por avances tecnológicos y la creciente necesidad de gestionar grandes volúmenes de datos. También situó el surgimiento de la Ciencia de la Información en un contexto global, remitiendo a la influencia de pensadores como Vannevar Bush, cuyo artículo de 1945 sobre el "Memex" (Memory Extender) marcó el inicio de la discusión sobre tecnologías de recuperación de información. En los PALOP, el desarrollo de la Ciencia de la Información se analiza a partir de dos períodos principales: el colonial y el poscolonial. Durante el período colonial, las prácticas de gestión de la información estaban orientadas a los intereses de los colonizadores, centrándose en la administración política y económica. Las instituciones creadas, como bibliotecas y archivos, servían a los propósitos de la metrópoli, mientras que la población local tenía acceso limitado a estas herramientas, perpetuando un modelo de exclusión informacional. La formación de profesionales en el área era prácticamente inexistente, lo que resultó en la ausencia de especialistas locales capacitados para desarrollar sistemas de información autónomos en el período poscolonial. Con las independencias en la década de 1970, los PALOP enfrentaron el desafío de crear sistemas de información propios, basados muchas veces en modelos heredados del período colonial. Esta transición estuvo marcada por dificultades como la escasez de recursos financieros, la ausencia de profesionales cualificados y la falta de políticas públicas orientadas al fortalecimiento del área. Aun así, hubo esfuerzos significativos para implementar bibliotecas y archivos nacionales, además de crear cursos universitarios para formar especialistas. Sin embargo, los currículos a menudo no reflejaban las necesidades locales, dificultando la inserción de los profesionales en el mercado laboral. En Mozambique, la investigación destaca que los desafíos de la Ciencia de la Información están directamente relacionados con la empleabilidad de los graduados, la inadecuación curricular y la falta de alineación entre la formación académica y las demandas del mercado. Además, el estudio realiza un análisis comparativo entre los currículos de Mozambique y Brasil, señalando discrepancias que evidencian la necesidad de adaptar los programas educativos a la realidad mozambiqueña. Las principales conclusiones del trabajo refuerzan la importancia de reconocer y valorar el contexto histórico y cultural de los PALOP en la construcción de sistemas de información eficaces. La sostenibilidad de estos sistemas depende de una formación más robusta, que incluya no solo conocimientos técnicos, sino también competencias éticas y culturales. La investigación propone la consolidación de estrategias que promuevan la autonomía informacional de los PALOP, considerando tanto la preservación de la identidad cultural local como la integración de tecnologías modernas. Estas acciones se consideran esenciales para garantizar que los sistemas de información puedan contribuir al desarrollo social, económico y cultural de la región. Este trabajo contribuye significativamente al campo de la Ciencia de la Información al abordar un tema aún poco explorado, proporcionando un análisis histórico detallado y presentando propuestas concretas para enfrentar los desafíos contemporáneos del área en los PALOP.
Descrição
Palavras-chave
Ciência da informação - África portuguesa - História Ciência da informação - Moçambique Desenvolvimento institucional Ciência da informação - Estudo e ensino Epistemologia Universidades e Faculdades - Currículo Formação profissional Institutionalization of Information science Epistemology of Information science Mozambique Portuguese-speaking African countries
Idioma
Português
Citação
CHERENE, R.M. Perspectiva histórica e desafios de institucionalização da ciência da informação em países africanos de língua oficial portuguesa: uma análise do caso de Moçambique. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.



