A ontologia do furor poeticus de Marsílio Ficino: uma leitura da Introdução ao Íon de Platão
| dc.contributor.advisor | Prado, João Batista Toledo [UNESP] | |
| dc.contributor.author | Lazarini, Richard [UNESP] | |
| dc.contributor.institution | Faculdade de Ciências e Letras | |
| dc.contributor.institution | Universidade Estadual Paulista (Unesp) | pt |
| dc.date.accessioned | 2025-08-29T00:40:37Z | |
| dc.date.issued | 2025-05-29 | |
| dc.description.abstract | Na Introdução ao Íon de Platão, Marsílio Ficino (1433-1499), ilustre filósofo do Renascimento Italiano, retomou o conceito de “inspiração poética” – tratado pelo filósofo grego em seus diálogos Íon e Fedro – denominando-o furor poeticus (“furor poético”). Para Ficino, esse furor se realiza na alma humana, sendo que, antes, ele necessita ter sua influência recebida pela dimensão espiritual-fisiológica do homem. Assim sendo, deve haver uma preparação que dependa de influxos do planeta Saturno sobre o humor do temperamento melancólico – a denominada “bile negra” – que, transmutando-se, engendra junto ao coração tipos espirituais que “sensibilizam” o campo fisiológico, potencializando a atenção dos órgãos sensoriais, sobretudo da audição, que se capacita a ouvir a sinfonia gerada pelas esferas celestes, que, percorrendo os espaços, alcança a internalidade humana e desperta – por intermédio da phantasia – a sua instância anímica, descaída desde os graus súperos de Mente e Uno até os ínferos graus de Natureza e Corpo. Então, o furor poético se manifesta no instante no qual a alma desperta: ele ativa o grau anímico de Opinião, com o fito de encetar a subida da alma, por meio do grau de Razão, até as gradações superiores e restabelecer, pelos furores seguintes (mistérico, vático e amatório), a posição que ocupava antes da queda. Além disso, as formas das coisas sensíveis, geradas pelas razões seminais de uma instância anímica superior (e distinta da que descaiu em corpos humanos) – a Anima Mundi (Alma do Mundo) – refletem, em si, as ideias, que são conteúdo do grau de Mente, que reflete o sumo grau de Uno, princípio de todas as coisas. Quando são apreendidas pelo indivíduo, as formas podem ter os seus reflexos vistos pela alma desperta em furor poeticus. Assim, a alma pode, gradualmente, contemplar o Uno por meio dos reflexos das ideias na forma, que, pelos furores, estimula-a a ascender rumo aos supremos graus do real, restaurando-a na sua posição ontológica original. | pt |
| dc.description.abstract | In his Introduction to Plato's Ion, Marsilio Ficino (1433–1499), a preeminent philosopher of the Italian Renaissance, revisited the concept of “poetic inspiration” — as addressed by the Greek philosopher in his dialogues Ion and Phaedrus— in which he redefined as furor poeticus (“poetic frenzy”). According to Ficino, this furor is actualized within the human soul; however, it first requires reception through the anthropic spiritual-physiological dimension. Such preparation depends on the astrological influence of the planet Saturn upon the melancholic temperament, particularly on the humor known as "black bile" which, after undergoing transmutation, brings forth — in conjunction with the heart — spiritual types that attune the physiological plane. This heightened sensitivity enhances the perceptive capabilities of the senses, particularly the faculty of hearing, allowing it to perceive the symphony woven by the celestial spheres. Traversing the cosmos, this music penetrates human inwardness and awakens — through the mediation of phantasia — the psychic faculty, which had fallen from the superior degrees of Mind and the One to the inferior degrees of Nature and Body. Poetic frenzy manifests at the precise moment when the soul lapses into awakens: it activates the psychic degree of Opinion, initiating the soul’s ascent through the degree of Reason toward the higher gradations, ultimately seeking to restore — through the subsequent frenzies (mystical, vatic, and amorous) — its original prelapsarian state. Furthermore, the forms of sensible objects, generated by the seminal reasons of a higher psychic entity — the Anima Mundi (World’s Soul), distinct from the soul that has fallen into anthropic bodies — reflect within themselves the Ideas, which constitute the content of the degree of Mind and, in their own manner, reflect the supreme degree of the One, the principle of all things. When apprehended by the individual, these forms reveal their reflections to the soul awakened by furor poeticus. Thus, the soul may gradually contemplate the One through the reflections of the Ideas within the forms, being urged by the frenzies to ascend toward the supreme degrees of reality and, thereby, reclaim its original ontological position. | en |
| dc.description.sponsorship | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) | |
| dc.description.sponsorshipId | 88887.817442/2023-00 | |
| dc.identifier.capes | 33004030016P0 | |
| dc.identifier.citation | LAZARINI, R. A ontologia do 'furor poeticus' de Marsílio Ficino: uma leitura da 'Introdução ao Íon de Platão'. 2025. 198f. Tese (Doutorado em Estudos Literários ) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2025. | |
| dc.identifier.lattes | http://lattes.cnpq.br/3387714199059783 | |
| dc.identifier.orcid | https://orcid.org/0000-0002-6635-2311 | |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/11449/313285 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.publisher | Universidade Estadual Paulista (Unesp) | |
| dc.rights.accessRights | Acesso aberto | pt |
| dc.subject | Alma | pt |
| dc.subject | Bile negra | pt |
| dc.subject | Espíritos | pt |
| dc.subject | Forma | pt |
| dc.subject | Furor poeticus | pt |
| dc.subject | Phantasia | pt |
| dc.subject | Soul | en |
| dc.subject | Black bile | en |
| dc.subject | Spirits | en |
| dc.subject | Form | en |
| dc.subject | Furor poeticus | en |
| dc.subject | Phantasia | en |
| dc.title | A ontologia do furor poeticus de Marsílio Ficino: uma leitura da Introdução ao Íon de Platão | pt |
| dc.title.alternative | The ontology of Marsilio Ficino´s furor poeticus: a reading of Introduction to Plato´s Ion | en |
| dc.type | Tese de doutorado | pt |
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