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Entre integrais, álgebras, geometrias... o não-feito: as (re)construçoes das masculinidades na formação de professores/as de Matemática

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Orientador

Gonçalves, Harryson Júnio Lessa

Coorientador

Pós-graduação

Educação para a Ciência - FC

Curso de graduação

Título da Revista

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Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

Esta etnografia investiga como as masculinidades são produzidas, negociadas e legitimadas na formação inicial de professores/as de Matemática, tomando como campo empírico o curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Salinas. Para isso, parto da seguinte problematização: Como as práticas e discursos dos/as professores/as de Matemática no Ensino Superior contribuem para a legitimação e (re)produção das masculinidades que sustentam o habitus masculino hegemônico no campo da Matemática? Ancorada em uma abordagem qualitativa, a investigação analisa práticas pedagógicas, interações cotidianas, silêncios institucionais e documentos curriculares, compreendendo a formação matemática como prática social situada e atravessada por relações de poder. Trata-se de uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Unesp, Câmpus de Bauru, sendo pauta de investigação do Grupo de Pesquisa em Antropologia da Educação (GPAE) e do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Avançadas em Currículo (NIPAC). A tese está organizada em cinco capítulos, cujas categorias analíticas foram alicerçadas sobre a partir da abordagem êmica que refletem a epistemologia masculinista da Matemática, didáticas convertidas em tecnologias de poder, critérios tácitos de inteligibilidade matemática e contribuições da virada sociopolítica na Educação Matemática. O referencial teórico articula os estudos críticos das masculinidades, gênero e Educação Matemática, permitindo a interpretação dessa área como espaço de disputas simbólicas e epistêmicas. Os resultados evidenciam que a masculinidade hegemônica opera como critério implícito de reconhecimento no campo matemático, regulando quem pode aparecer como sujeito matematicamente legítimo. Tal regime manifesta-se na moralização da dificuldade, na distribuição desigual do erro como recurso pedagógico, na hierarquização entre áreas (Matemáticas Pura e Aplicada e Licenciatura), bem como na administração seletiva das pautas de diversidade no currículo. As análises mostram ainda que marcadores sociais atravessam as práticas formativas, produzindo efeitos concretos sobre pertencimento, permanência e evasão discente. Ao evidenciar que tais processos não decorrem de ações individuais, mas de racionalidades historicamente sedimentadas no campo, a tese contribui para deslocar explicações individualizantes do sucesso e do fracasso em Matemática. Como contribuição teórico-analítica, propõe compreender a formação matemática como espaço de (re)produção de masculinidades e aponta a virada sociopolítica como horizonte para tensionar a neutralidade disciplinar, os critérios de reconhecimento e os modos de ensinar e aprender Matemática na formação docente.

Resumo (inglês)

This ethnography investigates how masculinities are produced, negotiated, and legitimized in the initial preparation of mathematics teachers, taking as its empirical field the Mathematics Teacher Education Program at the Federal Institute of Northern Minas Gerais, Salinas campus. It is guided by the following question: How do the practices and discourses of mathematics professors in higher education contribute to the legitimation and (re)production of masculinities that sustain the hegemonic male habitus within the field of mathematics? Grounded in a qualitative approach, the study analyzes pedagogical practices, everyday interactions, institutional silences, and curricular documents, understanding mathematics teacher education as a situated social practice traversed by power relations. This doctoral research was developed in the Graduate Program in Education for Science at São Paulo State University (UNESP), Bauru campus, and is affiliated with the Research Group in Anthropology of Education (GPAE) and the Interdisciplinary Center for Advanced Research in Curriculum (NIPAC). The dissertation is organized into five chapters whose analytical categories are grounded in an emic approach, reflecting the masculinist epistemology of mathematics, didactics converted into technologies of power, tacit criteria of mathematical intelligibility, and contributions from the sociopolitical turn in mathematics education. The theoretical framework brings together critical studies of masculinities, gender, and mathematics education, enabling an interpretation of this field as a space of symbolic and epistemic disputes. The findings show that hegemonic masculinity operates as an implicit criterion of recognition within the mathematical field, regulating who can appear as a mathematically legitimate subject. This regime manifests in the moralization of difficulty, the unequal distribution of error as a pedagogical resource, the hierarchy established among areas (Pure Mathematics, Applied Mathematics, and Teacher Education), and the selective management of diversity agendas within the curriculum. The analyses further demonstrate that social markers permeate formative practices, producing concrete effects on students’ sense of belonging, persistence, and attrition. By demonstrating that these processes do not stem from individual actions but from historically sedimented rationalities within the field, the dissertation challenges individualizing explanations of success and failure in mathematics. As a theoretical-analytical contribution, it proposes understanding mathematics teacher education as a space of (re)production of masculinities and positions the sociopolitical turn as a horizon for unsettling disciplinary neutrality, recognition criteria, and prevailing modes of teaching and learning mathematics in teacher preparation.

Descrição

Palavras-chave

Educação matemática, Masculinidades, Currículo, Etnografia, IFNMG, Masculinities, Mathematics education, Ethnography

Idioma

Português

Citação

ALMEIDA, Dione Alves de. Entre integrais, álgebras, geometrias, o não-feito: as (re)construçoes das masculinidades na formação de professores/as de Matemática. Orientador: Harryson Júnio Lessa Gonçalves. 2026. 233 f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2026.

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