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Fazer a guerra contra o terreno humano racializado: uma interpretação a partir das operações militares no Rio de Janeiro (2017-2018)

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Pós-graduação

Relações Internacionais - IPPRI

Curso de graduação

Título da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Nesta pesquisa, nos dedicamos à interpretação da concepção militar de terreno humano racializado à luz da condução das operações militares no Rio de Janeiro (2017-2018). Com base nos Estudos Críticos de Segurança (ECS) e na literatura pós-colonial das Relações Internacionais (RI), buscamos vincular a concepção de terreno humano à contrainsurgência moderna, interpretada como tecnologia de poder policial-militar que organiza a violência transnacionalmente no século XXI. Partimos da seguinte pergunta de pesquisa: como a concepção militar de terreno humano evidencia práticas transnacionais de violência contra corpos e territórios racializados? Desde 2015, o termo tem aparecido em Manuais de Campanha do Exército Brasileiro, dentre outros documentos das Forças Armadas. A incorporação desta concepção evidencia, por um lado, o léxico militar no século XXI, o qual privilegia a dimensão da população como teatro de operações na doutrina e a adequação da contrainsurgência aos termos do humanitarismo e da segurança contra ameaças urbanas. Por outro, visa legitimar um modo de fazer-a-guerra colonial que perpetua a violência no Brasil contra corpos e territórios racializados, em nossa análise restringidos aos espaços urbanos, a partir de uma linguagem técnica e profissional do meio militar. A partir do método de etnografia documental e concentrando-se na abordagem das práticas de profissionais da insegurança, analisamos manuais doutrinários das Forças Armadas brasileiras, sobretudo o Exército, publicados entre 2013 e 2018, que descrevem a concepção de terreno humano, além do Plano Estratégico da Intervenção Federal no Rio de Janeiro. Ilustramos o período de operações militares no Rio de Janeiro (2017-2018) como uma manifestação da violência contra o terreno humano racializado. Nossa conclusão é que a própria concepção de terreno humano é uma prática de produção de ameaças inscrita nas operações urbanas e que conforma uma organização transnacional da violência contra corpos e territórios racializados.

Resumo (inglês)

In this research, we focus on the interpretation of the military conception of the racialized human terrain in light of the conduct of military operations in Rio de Janeiro (2017-2018). On the basis of Critical Security Studies (CSS) and post-colonial literature of International Relations (IR), we seek to link the conception of human terrain to modern counterinsurgency, interpreted as a police-military technology of power that organizes violence transnationally in the 21st century. We start from the following research question: how does the military conception of human terrain evidence transnational practices of violence against racialized bodies and territories? Since 2015, the term has appeared in Brazilian Army Field Manuals, among other Armed Forces documents. The incorporation of this conception highlights, on one hand, the 21st-century military lexicon, which prioritizes the population dimension as a theater of operations within the doctrine, as well as the adaptation of counterinsurgency to the terms of humanitarianism and security against urban threats. On the other hand, it aims to legitimize a mode of colonial warfare that perpetuates violence in Brazil against racialized bodies and territories, restricted in our analysis to urban spaces, through the technical and professional language of the military environment. Using the method of documentary ethnography and focusing on the approach of security practices, we analyze doctrinal manuals of the Brazilian Armed Forces, especially the Army, published between 2013 and 2018. These manuals address urban operations describing the conception of human terrain, alongside the Strategic Plan for the Federal Intervention in Rio de Janeiro. We illustrate the period of military operations in Rio de Janeiro (2017-2018) as a manifestation of violence against the racialized human terrain. Our conclusion is that the conception of human terrain itself is a threat-producing practice inscribed in urban operations, shaping a transnational organization of violence against racialized bodies and territories.

Resumo (espanhol)

En esta investigación, nos dedicamos a la interpretación de la concepción militar de terreno humano racializado a la luz de la conducción de las operaciones militares en Río de Janeiro (2017-2018). Sobre la base de los Estudios Críticos de Seguridad (ECS) y la literatura poscolonial de las Relaciones Internacionales (RRII), buscamos vincular la concepción de terreno humano a la contrainsurgencia moderna, interpretada como una tecnología de poder policial-militar que organiza la violencia transnacionalmente en el siglo XXI. Partimos de la siguiente pregunta de investigación: ¿cómo la concepción militar de terreno humano evidencia prácticas transnacionales de violencia contra cuerpos y territorios racializados? Desde 2015, el término ha aparecido en los Manuales de Campaña del Ejército Brasileño, entre otros documentos de las Fuerzas Armadas. La incorporación de esta concepción evidencia, por un lado, el léxico militar en el siglo XXI, el cual privilegia la dimensión de la población como teatro de operaciones en la doctrina y la adecuación de la contrainsurgencia a los términos del humanitarismo y de la seguridad contra amenazas urbanas. Por otro lado, busca legitimar un modo de hacer la guerra que perpetúa la violencia colonial en Brasil contra cuerpos y territorios racializados, restringidos en nuestro análisis a los espacios urbanos, a partir de un lenguaje técnico y profesional del medio militar. A partir del método de etnografía documental y concentrándose en el abordaje de las prácticas securitarias, analizamos manuales doctrinarios de las Fuerzas Armadas brasileñas, sobre todo del Ejército, publicados entre 2013 e 2018, y dirigidos a operaciones urbanas que describen la concepción de terreno humano, además del Plan Estratégico de la Intervención Federal en Río de Janeiro. Ilustramos el período de operaciones militares en Río de Janeiro (2017-2018) como una manifestación de la violencia contra el terreno humano racializado. Nuestra conclusión es que la propia concepción de terreno humano es una práctica de producción de amenazas inscrita en las operaciones urbanas y que conforma una organización transnacional de la violencia contra cuerpos y territorios racializados.

Descrição

Idioma

Português

Citação

MARTINS, Rafaela Guimarães dos Santos. Fazer a guerra contra o terreno humano racializado: uma interpretação a partir das operações militares no Rio de Janeiro (2017-2018). Orientador: Samuel Alves Soares. Coorientadora: Mariana da Gama Janot. 2026. 99 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) – UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, São Paulo, 2026.

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