Caracterização e parâmetros de dose da Terapia Orientada à Tarefa nas fases aguda e subaguda do Acidente Vascular Cerebral: revisão de escopo com análise lexical
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Pós-graduação
Pesquisa Clínica - FMB
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
INTRODUÇÃO: A Terapia Orientada à Tarefa (TOT) constitui uma abordagem fundamentada em princípios de aprendizagem motora e prática funcional específica, com crescente suporte para a recuperação após o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Entretanto, sua aplicação nas fases aguda e subaguda permanece heterogênea quanto à operacionalização das intervenções, seleção das tarefas, estruturação da dose terapêutica e desfechos avaliados. OBJETIVO: Investigar como a TOT tem sido operacionalizada e organizada conceitualmente na reabilitação de adultos após AVC nas fases aguda e subaguda, integrando a caracterização das intervenções, a estruturação da dose terapêutica, os desfechos clínicos e funcionais organizados segundo os domínios da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e a análise lexical qualitativa. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão de escopo de métodos mistos convergentes, que integrou síntese quantitativa descritiva e análise lexical qualitativa, conduzida segundo a metodologia do Joanna Briggs Institute e relatada conforme o PRISMA-ScR. Foram incluídos estudos primários com adultos após AVC nas fases aguda (≤7 dias) ou subaguda (>7 dias até 6 meses), nos quais a TOT constituísse o componente central da intervenção. Foram extraídas características das intervenções e das tarefas, parâmetros de dose segundo o referencial FITT-VP — frequência, intensidade, tempo, tipo, volume e progressão — e desfechos clínicos e funcionais, organizados nos domínios de estrutura e função corporal, atividade e participação da CIF. A análise lexical foi realizada no IRAMUTEQ por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e da Análise Fatorial de Correspondência (AFC), sendo os achados quantitativos e qualitativos integrados na etapa de interpretação. RESULTADOS: Foram incluídos 23 estudos, com ampla predominância de evidências referentes à fase subaguda, enquanto quatro estudos incluíram participantes na fase aguda. As intervenções apresentaram considerável variabilidade em sua organização, sendo alcance, preensão e manipulação as tarefas centrais mais frequentes (n=14), seguidas de marcha e mobilidade (n=5). A frequência das intervenções variou de duas a seis sessões semanais, e a intensidade foi o componente da dose menos frequentemente descrito. Desfechos de estrutura e função corporal foram avaliados em 15 estudos, de atividade em 20 e de participação em nove, evidenciando maior concentração das avaliações nos níveis de função motora e desempenho de tarefas. Foram observadas mudanças positivas clinicamente relevantes em medidas de função motora, desempenho do membro superior, mobilidade, marcha e independência funcional. A CHD classificou o corpus em quatro classes lexicais: 1) reabilitação convencional centrada no comprometimento (31,25%); 2) intervenções orientadas à tarefa fundamentadas em princípios de aprendizagem motora (26,56%); 3) reabilitação locomotora intensiva (20,31%); e 4) intervenções orientadas à tarefa combinadas a tecnologias adjuvantes voltadas à neuroplasticidade (21,88%). Na AFC, o Fator 1 (43,44% da variância) distinguiu predominantemente a reabilitação locomotora das intervenções voltadas ao membro superior e associadas a tecnologias adjuvantes, enquanto o Fator 2 (31,42%) diferenciou as intervenções fundamentadas em aprendizagem motora das abordagens convencionais centradas no comprometimento e das intervenções combinadas a recursos voltados à neuroplasticidade. Como produto técnico-científico, foi desenvolvido um protocolo clínico para orientar a aplicação segura, individualizada e progressiva da TOT em adultos após AVC nas fases aguda e subaguda, contemplando triagem de segurança, avaliação funcional, definição de objetivos, classificação da mobilidade pela MSAS, módulos terapêuticos, prescrição e monitoramento da dose pelo referencial FITT-VP, avaliação do esforço e desafio percebidos, progressão das tarefas e registro sistemático das sessões. CONCLUSÃO: As evidências sobre TOT nas fases iniciais após o AVC são predominantemente provenientes da fase subaguda e apresentam heterogeneidade expressiva quanto à organização da prática e à prescrição da dose, particularmente em relação à intensidade. A baixa representação da fase aguda constitui uma importante lacuna do conhecimento, assim como a menor utilização de desfechos relacionados à participação. A análise lexical demonstrou que a TOT se diferencia das abordagens convencionais principalmente por sua organização em torno da tarefa funcional, da aprendizagem motora, da especificidade, do feedback, da progressão e da resolução ativa de problemas. Os achados permitiram traduzir as evidências disponíveis em um protocolo clínico estruturado, ser utilizado na Unidade de AVC do Hospital das Clínicas de Botucatu.
Resumo (inglês)
INTRODUCTION: Task-Oriented Therapy (TOT) is an approach grounded in motor learning principles and task-specific functional practice, with growing evidence supporting recovery after stroke. However, its application during the acute and subacute phases remains heterogeneous regarding intervention operationalization, task selection, therapeutic dose structure, and assessed outcomes. OBJECTIVE: To investigate how TOT has been operationalized and conceptually organized in the rehabilitation of adults after stroke during the acute and subacute phases, integrating intervention characteristics, therapeutic dose structure, clinical and functional outcomes organized according to the domains of the International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF), and qualitative lexical analysis. METHODS: This convergent mixed-methods scoping review integrated descriptive quantitative synthesis and qualitative lexical analysis and was conducted according to the Joanna Briggs Institute methodology and reported in accordance with PRISMA-ScR. Primary studies involving adults after stroke in the acute (≤7 days) or subacute (>7 days to 6 months) phases, in which TOT constituted the central component of the intervention, were included. Data extracted comprised intervention and task characteristics, dose parameters according to the FITT-VP framework—frequency, intensity, time, type, volume, and progression—and clinical and functional outcomes organized into the ICF domains of body structure and function, activity, and participation. Lexical analysis was performed using IRAMUTEQ through Descending Hierarchical Classification (DHC) and Correspondence Factor Analysis (CFA), and the quantitative and qualitative findings were integrated during the interpretation phase. RESULTS: Twenty-three studies were included, with evidence predominantly derived from the subacute phase, while four studies included participants in the acute phase. Interventions showed considerable variability in their organization, with reaching, grasping, and manipulation being the most frequent core tasks (n=14), followed by gait and mobility (n=5). Intervention frequency ranged from two to six sessions per week, and intensity was the least frequently described dose component. Body structure and function outcomes were assessed in 15 studies, activity outcomes in 20, and participation outcomes in nine, demonstrating a greater concentration of assessments on motor function and task performance. Clinically relevant positive changes were observed in measures of motor function, upper-limb performance, mobility, gait, and functional independence. DHC classified the corpus into four lexical classes: 1) conventional impairment-centered rehabilitation (31.25%); 2) task-oriented interventions grounded in motor learning principles (26.56%); 3) intensive locomotor rehabilitation (20.31%); and 4) task-oriented interventions combined with adjunctive technologies targeting neuroplasticity (21.88%). In the CFA, Factor 1 (43.44% of the variance) predominantly distinguished locomotor rehabilitation from upper-limb interventions and interventions associated with adjunctive technologies, whereas Factor 2 (31.42%) differentiated interventions grounded in motor learning from conventional impairment-centered approaches and interventions combined with neuroplasticity-oriented resources. As a technical-scientific product, a clinical protocol was developed to guide the safe, individualized, and progressive application of TOT in adults after stroke during the acute and subacute phases, including safety screening, functional assessment, goal setting, mobility classification using the MSAS, therapeutic modules, dose prescription and monitoring according to the FITT-VP framework, assessment of perceived exertion and challenge, task progression, and systematic session recording. CONCLUSION: Evidence on TOT during the early phases after stroke is predominantly derived from the subacute phase and shows substantial heterogeneity regarding practice organization and dose prescription, particularly in relation to intensity. The limited representation of the acute phase constitutes an important knowledge gap, as does the lower use of participation-related outcomes. Lexical analysis demonstrated that TOT differs from conventional approaches primarily through its organization around functional tasks, motor learning, specificity, feedback, progression, and active problem-solving. The findings enabled the available evidence to be translated into a structured clinical protocol intended for use at the Stroke Unit of Hospital das Clínicas de Botucatu.
Descrição
Idioma
Português
Citação
PALIOLOGO, Taiane. Caracterização e parâmetros de dose da Terapia Orientada à Tarefa nas fases aguda e subaguda do Acidente Vascular Cerebral: revisão de escopo com análise lexical. 2026. 105 f. Dissertação (Mestrado em Pesquisa Clínica) – Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.



