Da áurea Arcádia de Glauceste à cinzenta melancolia de Drummond
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Pós-graduação
Estudos Literários - FCLAR
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A pesquisa consiste em um estudo comparativo entre o poeta árcade Cláudio Manuel da Costa e o modernista Carlos Drummond de Andrade, numa proposta de aproximação intertextual pelo viés da melancolia. Em relação a Glauceste, persona poética claudiana, o objetivo é reconsiderar a visão arcádica apresentada em nossa dissertação de mestrado Ecos do bucolismo camoniano em Cláudio Manuel da Costa (2021). O estudo supracitado aponta que no lirismo do “Árcade Ultramarino”, sobretudo os sonetos das Obras (1768) cuja introdução apresenta o poeta com o referido epíteto, há uma relação ambivalente entre um ideal harmonioso de tendência virgiliana e o conflito referente ao dilaceramento ovidiano, no poeta de Mariana. Aspecto este que sugere ressonância das concepções contrastantes de Arcádia; a da Arcádia de Ovídio, mais próxima da visão histórica de Políbio que, por sua vez, se distingue da paisagem arcádica de Virgílio e seus desdobramentos em outras visões arcádicas como a de Jacopo Sannazaro, além da Arcádia Romana e das ressonâncias que denotam chegar à poesia colonial do século XVIII. Ao que parece, a memória melancólica, que ressoa em Cláudio, continua sendo propagada por poetas de épocas vindouras. Com base na pressuposição da permanência do lamento claudiano ecoando em outros versos, transfigurando e, quem sabe, eternizando a saudade da harmonia de uma áurea idílica ou a tensão ovidiana, intenta-se buscar vestígios arcádicos na poesia moderna drummondiana, principalmente nos poemas memorialísticos de Boitempo (1968, 1973, 1979). A investigação se fundamenta no estudo das tópicas que envolvem o tema da província mineira como um lugar-comum aos poetas de Mariana e Itabira. Ao traçar paralelismo entre Cláudio e Drummond conjectura-se a possibilidade de que entre os poetas, de épocas distintas, não há apenas os aspectos relacionados à terra mineira como afinidade, mas aproximam-se ao cantar o passado colonial e nacional, em seus poemas, usando elementos pertinentes à terra para falar de sentimentos semelhantes. No que se refere à poesia colonial, a pesquisa passa por reavaliações com base na proposta atual de reconsideração quanto ao que se convencionou denominar poesia árcade luso-brasileira do século XVIII, fundamentada, principalmente, em Candido (2009), Holanda (2000), Pécora (2018), Lachat & Chauvin (2022) e Chauvin (2023). Quanto às concepções modernistas, a sustentação teórica ancora-se em Camilo (2020), Marques (2011), Merquior (2012), para citar apenas alguns autores da fortuna crítica drummondiana
Resumo (inglês)
The research consists of a comparative study between the Arcadian poet Cláudio Manuel da Costa and the modernist Carlos Drummond de Andrade, in a intertextual approach through melancholy. With regard to Glauceste, Cláudio's poetic persona, the aim is to reconsider the Arcadian vision presented in our master's thesis Echoes of Camonian bucolicism in Cláudio Manuel da Costa (2021). The aforementioned study points out that in the lyricism of the “Árcade Ultramarino”, especially the sonnets of Obras (1768) whose introduction presents the poet with the mentioned epithet, there is an ambivalent relationship between the harmonious ideal of Virgilian tendency and the conflict referring to the Ovidian laceration in the poet from Mariana. This aspect suggests a resonance between the contrasting conceptions of Arcadia: that of Ovid's Arcadia, closer to Polybius’s historical vision, which, in turn, differs from Virgil's Arcadian landscape and its ramifications in other Arcadian visions, such as that of Jacopo Sannazaro, as well as Roman Arcadia and the echoes that extend into 18th-century colonial poetry. It seems that the melancholic memory that resonates in Cláudio continues to be propagated by poets of future times. Based on the assumption that the Cláudian lament is still echoing in other verses, transfiguring and perhaps eternalising the longing for the harmony of an idyllic aura or the Ovidian tension, the aim is to look for Arcadian traces in modern Drummondian poetry, especially in the memorial poems of Boitempo (1968, 1973, 1979). The investigation is based on the study of the topics that involve the theme of the province of Minas Gerais as a commonplace for poets from Mariana and Itabira. By drawing parallels between Cláudio and Drummond, we conjecture the possibility that the poets, from different times, not only have an affinity with aspects related to the land of Minas Gerais, but that they come closer when they sing about the colonial and national past in their poetry, using elements pertinent to the land to talk about similar feelings. With regard to colonial poetry, the research is being reassessed based on the current proposal to reconsider what is known as 18th century Luso-Brazilian Arcadian poetry, based mainly on Candido (2009), Holanda (2000), Pécora (2018), Lachat & Chauvin (2022) and Chauvin (2023). As for modernist conceptions, the basis is Camilo (2020), (Marques, 2011), Merquior (2012), to name just a few authors from Drummond's critical fortune
Descrição
Idioma
Português
Citação
CAPLA, Tânia de Assis Silva. Da áurea Arcádia de Glauceste à cinzenta melancolia de Drummond. 2026. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.



