À margem do visível: entre sacolinhas, trajetos visuais e fotricas, a reemergência de memórias e trajetórias de mulheres em Maravilha
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Pós-graduação
Ciências Sociais - FCLAR
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A incorporação do Distrito de Maravilha ao território de Londrina ocorreu na década de 1970, contudo já havia a organização de um povoado nessa região desde meados de 1940. A história dos/as habitantes do Distrito é vinculada à narrativa oficial sobre a história de Londrina e se associa a uma perspectiva historiográfica ocidental e hegemônica, repleta de silenciamentos, (in)visibilidades e esquecimentos. É nesse contexto que esta tese investiga as memórias e as trajetórias de mulheres negras e brancas com faixa etária entre 65 e 85 anos, migrantes ou de família migrante, habitantes de Maravilha, que tiveram as suas trajetórias (in)visibilizadas pela história oficial. Ela buscou reconhecer os sentidos de uma experiência coletiva, vivida nessa territorialidade compartilhada, a partir de álbuns de família de mulheres afetadas pelos
marcadores sociais de classe, raça e gênero. A partir da etnografia, o trabalho de campo mobilizou imagens integrantes de álbuns de família e, também, incorporou a realização de fotografias como formas de conhecer integradas à pesquisa de campo. O trabalho de memória, realizado pelas companheiras de viagem ao longo de suas fotografias, percorridas como paisagens de memórias, seguiu a perspectiva de uma metodologia andarilha, isto é, construída ao longo do percurso, que levou à composição de Trajetos Visuais, instrumentos teórico-metodológicos por meio dos quais os percursos de memória, trilhados por cada companheira de viagem, a partir da articulação de fotografias e relatos orais, foram seguidos. Assim, o cruzamento desses Trajetos Visuais, a fotrica, emergiu como uma possibilidade teórico- metodológica à articulação de trajetórias, experiências de mulheridades e memórias das companheiras de viagem na produção e reinvenção de uma memória coletiva, configurando-se como uma possibilidade contra-hegemônica. Por meio da qual, o cruzamento de trajetórias, memórias e experiências de mulheridades, construídas à margem do visível, abriu linhas de fuga que tensionaram os processos de (in)visibilização produzidos pela história oficial do estado.
Resumo (inglês)
The incorporation of the Maravilha District into the territory of Londrina occurred in the 1970s; however, a settlement had already been organized in this region since the mid-1940s. The history of the inhabitants of the District is linked to the official narrative about the history of Londrina and is associated with a Western and hegemonic historiographical perspective, full of silences, (in)visibilities, and omissions. In this context, this thesis investigates the memories and trajectories of Black and white women aged between 65 and 85 years, migrants or from migrant families, inhabitants of Maravilha, whose trajectories have been (in)visibilized by official history. It sought to understand the meanings of a collective experience, lived within this shared territory, based on family albums of women affected by the social markers of class, race, and gender. Using ethnography, the fieldwork mobilized images from family albums and incorporated photography as a way of knowing integrated into the fieldwork. The work of memory, carried out by the travel companions through their photographs, which were explored as landscapes of memories, followed the perspective of a
wandering methodology, that is, constructed along the way, which led to the composition of Visual Trajectories, theoretical-methodological instruments through which the memory paths, followed by each travel companion, were traced through the articulation of photographs and oral accounts. Thus, the intersection of these Visual Trajectories, called fotrica, emerged as a theoretical-methodological possibility for articulating trajectories, experiences of womanhood, and memories of travel ompanions in the production and reinvention of a collective memory, configuring itself as a counter-hegemonic possibility, through which the intersection of trajectories, memories, and experiences of womanhood, constructed on the margins of the visible, opened lines of flight that challenged the processes of (in)visibility produced by the official history of the state.
Resumo (espanhol)
La incorporación del Distrito de Maravilha al territorio de Londrina ocurrió en la década de 1970; sin embargo, ya se había organizado un asentamiento en esta región desde mediados de la década de 1940. La historia de los habitantes del Distrito está vinculada a la narrativa oficial sobre la historia de Londrina y se asocia a una perspectiva historiográfica occidental y hegemónica, llena de silencios, (in)visibilidades y omisiones. Es en este contexto que esta tesis investiga las memorias y trayectorias de mujeres negras y blancas de entre 65 y 85 años, migrantes o de familias migrantes, habitantes de Maravilha, cuyas trayectorias han sido (in)visibilizadas por la historia oficial. Buscó comprender los significados de una experiencia colectiva, vivida en este territorio compartido, a partir de álbumes familiares de mujeres
afectadas por los marcadores sociales de clase, raza y género. Mediante la etnografía, el trabajo de campo movilizó imágenes de álbumes familiares e incorporó la fotografía como una forma de conocimiento integrada en el trabajo de campo. El trabajo de memoria, realizado por las compañeras de viaje a través de sus fotografías, exploradas como paisajes de memoria, siguió la perspectiva de una metodología de errancia, es decir, construida sobre la marcha, lo que condujo a la composición de Trayectorias Visuales, instrumentos teórico-metodológicos mediante los cuales se trazaron los caminos de memoria, seguidos por cada compañera de viaje, mediante la articulación de fotografías y relatos orales. Así, la intersección de estas Trayectorias Visuales, a fotrica, emergió como una posibilidad teórico-metodológica para articular trayectorias, experiencias de feminidad y memorias de compañeras de viaje en la producción y reinvención de una memoria colectiva, configurándose como una posibilidad contrahegemónica, a través de la cual la intersección de trayectorias, memorias y experiencias de feminidad, construidas en los márgenes de lo visible, abrieron líneas de fuga que interpelaron los procesos de (in)visibilidad producidos por la historia oficial del Estado.
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Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
MAFFI, A. de J. À margem do visível: entre sacolinhas, trajetos visuais e fotricas, a reemergência de memórias e trajetórias de mulheres em Maravilha. 2026. 515 p. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Faculdade de Ciências e Letras, Campus Araraquara, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.



