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A categoria linguística de gênero nas línguas indígenas do Brasil: um estudo tipológico-funcional

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Pós-graduação

Estudos Linguísticos - IBILCE

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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Tese de doutorado

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Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

O objetivo geral desta tese é descrever e analisar os diferentes tipos de gênero (formal, semântico, pragmático e contextual) e os seus diferentes sistemas de codificação (lexical, morfossintática e fonológica) nas línguas indígenas do Brasil, à luz dos pressupostos teóricos da Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie, 2008), da tipologia linguística (Corbett, 1991, 2013; Rijkhoff; Bakker; Hengeveld; Kahrel, 1993) e dos estudos de transparência e opacidade (Hengeveld, 2011; Leufkens, 2015; Hengeveld; Leufkens, 2018). A pesquisa tem como objetivo compreender como a categoria linguística de gênero é concebida e codificada nas línguas indígenas da amostra, buscando identificar quais critérios orientam sua organização gramatical e funcional nas línguas. Para tanto, parte-se da hipótese de que as línguas indígenas apresentam ampla diversidade tipológica no que se refere à expressão e à codificação de gênero, caracterizando-se, em grande medida, pela predominância de critérios semânticos, pragmáticos e contextuais, em detrimento de sistemas rigidamente morfossintáticos, conforme sugerem os estudos de Aikhenvald (2000, 2016). Para cumprir esse objetivo geral, foram definidos os seguintes objetivos específicos: (i) analisar a presença e a relevância dos traços semânticos de humanidade, animacidade e sexo na configuração e expressão de gênero nas línguas pindorâmicas, identificando sua influência na distinção de gêneros em diferentes tipos de nomes; (ii) investigar a correlação entre as categorias de gênero e número nas línguas indígenas da amostra, enfocando na operação de concordância e de acordo como mecanismo de expressão dessas categorias; (iii) identificar os traços de transparência e opacidade linguística na marcação de gênero, considerando o pareamento entre forma e significado; e (iv) identificar tendências e generalizações tipológicas quanto à codificação de gênero, buscando padrões que possam contribuir para uma melhor compreensão da diversidade e da complexidade dessa categoria nas línguas autóctones do universo de pesquisa. A amostra, composta por 30 línguas, é elaborada com base em Rijkhoff e Bakker (1998), Pereira (2016) e Souza (2024), a fim de contemplar a diversidade linguístico-cultural das línguas. Os resultados mostram que cinco línguas apresentam apenas o gênero semântico (ikpeng, sabanê, shanenawa, maxkalí e ofayé); cinco línguas exibem o gênero semântico e pragmático (parkatejê, dâw, mamaindê, bororo e trumai); oito línguas dispõem de gênero semântico, pragmático e contextual (mehináku, akwẽ-xerente, dzubukuá, kanoê, rikbáktsa, kadiwéu, asurini, tariana); quatro línguas apresentam gênero formal, semântico, pragmático e contextual (wari’, desano, kubeo e jarawara); e oito línguas exibem gênero semântico e contextual (avá-canoeiro, kaiowá, timbira, matis, kwaza, sateré-mawé, kamaiurá e aweti). Essa distribuição sugere que as línguas indígenas da amostra apresentam grande diversidade tipológica na expressão da categoria de gênero, corroborando a hipótese de que o gênero não é codificado de forma homogênea nem é predominantemente formal, como frequentemente ocorre em línguas indo-europeias. Observa-se que o gênero semântico está presente em todas as línguas analisadas, o que indica a centralidade de critérios ligados a essa dimensão, tais como sexo biológico, animacidade ou características culturalmente salientes, na categorização de gênero (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). Os resultados indicam que, em 11 línguas da amostra, a codificação de gênero ocorre exclusivamente por meio lexical, enquanto 16 línguas empregam meios lexicais e morfossintáticos. Em contraste, apenas três línguas exibem um sistema mais complexo, no qual o gênero é codificado simultaneamente por dispositivos lexicais, morfossintáticos e fonológicos. Esses dados sugerem uma predominância de estratégias lexicais e morfossintáticas na expressão do gênero, em comparação às estratégias fonológicas, que são bem menos recorrentes nas línguas analisadas. Os resultados indicam que, na maioria das línguas analisadas, a expressão do gênero se realiza por meio de estratégias fortemente sensíveis ao contexto sociocultural, refletindo normas culturais locais e formas específicas de organização social na categorização linguística do gênero (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). Em pelo menos 16 línguas da amostra, a atribuição de gênero mantém estreita relação com aspectos cosmológicos, o que evidencia que as categorias linguísticas podem refletir concepções indígenas mais amplas sobre pessoa, natureza e organização do mundo (Viveiros de Castro, 1998; Rubim, 2020; Krenak, 2022; Núñez, 2022, 2023). Os dados mostram ainda que as línguas examinadas exibem diferentes padrões em relação à concordância de gênero e número. Em algumas, as operações de acordo e concordância de gênero são produtivas, aparecendo em nomes, pronomes, verbos, numerais, o que mostra que a categoria de gênero constitui um recurso de classificação nominal (Corbett, 1991): 12 línguas apresentam operação de concordância, entre as quais quatro línguas também realizam acordo de gênero. Ademais, ao analisar a interação entre as categorias gênero e número, é comum que gênero (feminino, masculino ou neutro) seja distinguido no singular e neutralizado no plural. Em contrapartida, a concordância de gênero é limitada ou ausente em 18 línguas da amostra, indicando que a expressão de gênero atua mais como uma característica lexical atribuída aos nomes e/ou como uma ferramenta sociopragmática da linguagem do que como um elemento que rege a estrutura sintática. Observou-se ainda que as línguas que exibem acordo de gênero (desano, kubeo, jarawara, wari) são classificadas como mais opacas porque apresentam casos de redundância, fusão e estruturas formalmente motivadas (Leufkens, 2015); já as línguas mamaindê, o mehináku e o dzubukuá também apresentam traços de opacidade, porém, isso se deve à dupla marcação de gênero e não pela operação de concordância sintática. O tratamento dos dados com base na Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie, 2008), possibilitou organizar as línguas a partir da verificação de possíveis hierarquias implicacionais atinentes aos tipos de gênero e às formas de manifestação, o que permitiu mapear e sistematizar diferentes padrões tipológicos atestados nas línguas ameríndias. Os casos de gênero contextual (atestado em 20 línguas) se relacionam também com o Componente Contextual (Hengeveld; Mackenzie, 2014; Velasco, 2014), que dispõe de informações extralinguísticas que são essenciais para a compreensão desse fenômeno e desempenham um tipo de função simbólica, constitutiva e performativa da linguagem no que diz respeito à identidade de gênero (Foucault, 1977; 1984; Moura; Mäder, 2022). Este estudo, portanto, contribui de forma significativa (i) para o avanço teórico da Gramática Discursivo-Funcional, (ii) para a ampliação do escopo epistemológico nos estudos da categoria gramatical de gênero, especialmente no que tange às línguas originárias, (iii) para a documentação e a divulgação da diversidade linguístico-cultural do Brasil, e (iv) para fomento de novas pesquisas em tipologia linguística e em estudos de gênero em línguas ameríndias.

Resumo (inglês)

The general objective of this thesis is to describe and analyze the different types of gender (formal, semantic, pragmatic, and contextual) and their different encoding systems (lexical, morphosyntactic, and phonological) in indigenous languages of Brazil, drawing on the theoretical assumptions of Functional Discourse Grammar (Hengeveld; Mackenzie, 2008), linguistic typology (Corbett, 1991, 2013; Rijkhoff; Bakker; Hengeveld; Kahrel, 1993), and studies on transparency and opacity (Hengeveld, 2011; Leufkens, 2015; Hengeveld; Leufkens, 2018). The research aims to understand how the linguistic category of gender is conceptualized and encoded in the indigenous languages included in the sample, seeking to identify the criteria that guide its grammatical and functional organization in these languages. To this end, the study is based on the hypothesis that indigenous languages exhibit broad typological diversity regarding the expression and encoding of gender, being characterized, to a large extent, by the predominance of semantic, pragmatic, and contextual criteria rather than rigid morphosyntactic systems, as suggested by the studies of Aikhenvald (2000, 2016). In order to achieve this objective, the following specific objectives were established: (i) to analyze the presence and relevance of the semantic features of humanness, animacy, and sex in the configuration and expression of gender in pindoramic languages, identifying their influence on gender distinctions across different types of nouns; (ii) to investigate the correlation between the categories of gender and number in the indigenous languages included in the sample, focusing on agreement and concord operations as mechanisms for expressing these categories; (iii) to identify features of linguistic transparency and opacity in gender marking, considering the relationship between form and meaning; and (iv) to identify typological tendencies and generalizations regarding gender encoding, seeking patterns that may contribute to a better understanding of the diversity and complexity of this category in the indigenous languages included in the research universe. The sample, composed of 30 languages, was designed based on Rijkhoff and Bakker (1998), Pereira (2016), and Souza (2024) to encompass the linguistic and cultural diversity of the languages. The results show that five languages present only semantic gender (ikpeng, sabanê, shanenawa, maxakalí, and ofayé); five languages exhibit semantic and pragmatic gender (parkatêjê, dâw, mamaindê, bororo, and trumai); eight languages display semantic, pragmatic, and contextual gender (mehináku, akwẽ-xerente, dzubukuá, kanoê, rikbáktsa, kadiwéu, asurini, and tariana); four languages present formal, semantic, pragmatic, and contextual gender (wari’, desano, kubeo, and jarawara); and eight languages exhibit semantic and contextual gender (avá-canoeiro, kaiowá, timbira, matis, kwaza, sateré-mawé, kamaiurá, and aweti). This distribution suggests that the indigenous languages included in the sample display considerable typological diversity in the expression of the gender category, corroborating the hypothesis that gender is neither encoded homogeneously nor predominantly formal, as frequently occurs in indo-european languages. Semantic gender is observed in all analyzed languages, indicating the centrality of criteria related to this dimension, such as biological sex, animacy, or culturally salient characteristics, in gender categorization (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). The results indicate that, in 11 languages in the sample, gender encoding occurs exclusively through lexical means, whereas 16 languages employ both lexical and morphosyntactic means. In contrast, only three languages exhibit a more complex system in which gender is encoded simultaneously through lexical, morphosyntactic, and phonological devices. These data suggest a predominance of lexical and morphosyntactic strategies in the expression of gender compared with phonological strategies, which are far less recurrent in the analyzed languages. The results further indicate that, in most of the analyzed languages, the expression of gender is realized through strategies that are highly sensitive to the sociocultural context, reflecting local cultural norms and specific forms of social organization in the linguistic categorization of gender (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). In at least 16 languages in the sample, gender assignment maintains a close relationship with cosmological aspects, demonstrating that linguistic categories may reflect broader indigenous conceptions of personhood, nature, and world organization (Viveiros de Castro, 1998; Rubim, 2020; Krenak, 2022; Núñez, 2022, 2023). The data further show that the examined languages exhibit different patterns with respect to gender and number agreement. In some languages, gender agreement and concord operations are productive, appearing in nouns, pronouns, verbs, and numerals, thereby demonstrating that the gender category constitutes a nominal classification resource (Corbett, 1991): 12 languages present concord operations, among which four also realize gender agreement. Furthermore, when analyzing the interaction between the categories of gender and number, it is common for gender distinctions (feminine, masculine, or neuter) to be maintained in the singular and neutralized in the plural. In contrast, gender agreement is limited or absent in 18 languages in the sample, indicating that the expression of gender functions more as a lexical characteristic attributed to nouns and/or as a sociopragmatic linguistic resource than as an element governing syntactic structure. It was also observed that the languages exhibiting gender agreement (desano, kubeo, jarawara, and wari’) are classified as more opaque because they present cases of redundancy, fusion, and formally motivated structures (Leufkens, 2015). Meanwhile, mamaindê, mehináku, and dzubukuá also exhibit features of opacity, although in these cases this results from double gender marking rather than syntactic concord operations. The treatment of the data based on Functional Discourse Grammar (Hengeveld; Mackenzie, 2008) made it possible to organize the languages through the identification of possible implicational hierarchies related to gender types and forms of manifestation, allowing the mapping and systematization of different typological patterns attested in amerindian languages. Cases of contextual gender (attested in 20 languages) are also related to the Contextual Component (Hengeveld; Mackenzie, 2014; Velasco, 2014), which provides extralinguistic information essential for understanding this phenomenon and performs a symbolic, constitutive, and performative function with regard to gender identity (Foucault, 1977, 1984; Moura; Mäder, 2022). This study therefore contributes significantly: (i) to the theoretical advancement of Functional Discourse Grammar; (ii) to the expansion of the epistemological scope of studies on the grammatical category of gender, especially regarding indigenous languages; (iii) to the documentation and dissemination of Brazil’s linguistic and cultural diversity; and (iv) to the promotion of new research in linguistic typology and gender studies in amerindian languages.

Resumo (espanhol)

El objetivo general de esta tesis es describir y analizar los diferentes tipos de género (formal, semántico, pragmático y contextual) y sus diferentes sistemas de codificación (lexical, morfosintáctica y fonológica) en lenguas indígenas de Brasil, a la luz de los presupuestos teóricos de la Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie, 2008), de la tipología lingüística (Corbett, 1991, 2013; Rijkhoff; Bakker; Hengeveld; Kahrel, 1993) y de los estudios sobre transparencia y opacidad (Hengeveld, 2011; Leufkens, 2015; Hengeveld; Leufkens, 2018). La investigación tiene como objetivo comprender cómo la categoría lingüística de género es concebida y codificada en las lenguas indígenas de la muestra, buscando identificar cuáles criterios orientan su organización gramatical y funcional en las lenguas. Para ello, se parte de la hipótesis de que las lenguas indígenas presentan una amplia diversidad tipológica en lo que se refiere a la expresión y codificación del género, caracterizándose, en gran medida, por el predominio de criterios semánticos, pragmáticos y contextuales, en detrimento de sistemas rígidamente morfosintácticos, conforme sugieren los estudios de Aikhenvald (2000, 2016). Para cumplir este objetivo general, se definieron los siguientes objetivos específicos: (i) analizar la presencia y la relevancia de los rasgos semánticos de humanidad, animacidad y sexo en la configuración y expresión del género en las lenguas pindorámicas, identificando su influencia en la distinción de géneros en diferentes tipos de nombres; (ii) investigar la correlación entre las categorías de género y número en las lenguas indígenas de la muestra, enfocándose en las operaciones de concordancia y acuerdo como mecanismos de expresión de estas categorías; (iii) identificar los rasgos de transparencia y opacidad lingüística en la marcación de género, considerando la correspondencia entre forma y significado; y (iv) identificar tendencias y generalizaciones tipológicas en cuanto a la codificación del género, buscando patrones que puedan contribuir a una mejor comprensión de la diversidad y complejidad de esta categoría en las lenguas autóctonas del universo de investigación. La muestra, compuesta por 30 lenguas, fue elaborada con base en Rijkhoff y Bakker (1998), Pereira (2016) y Souza (2024), con el fin de contemplar la diversidad lingüístico-cultural de las lenguas. Los resultados muestran que cinco lenguas presentan únicamente género semántico (ikpeng, sabanê, shanenawa, maxakalí y ofayé); cinco lenguas exhiben género semántico y pragmático (parkatejê, dâw, mamaindê, bororo y trumai); ocho lenguas disponen de género semántico, pragmático y contextual (mehináku, akwẽ-xerente, dzubukuá, kanoê, rikbáktsa, kadiwéu, asurini y tariana); cuatro lenguas presentan género formal, semántico, pragmático y contextual (wari’, desano, kubeo y jarawara); y ocho lenguas exhiben género semántico y contextual (avá-canoeiro, kaiowá, timbira, matis, kwaza, sateré-mawé, kamaiurá y aweti). Esta distribución sugiere que las lenguas indígenas de la muestra presentan una gran diversidad tipológica en la expresión de la categoría de género, corroborando la hipótesis de que el género no es codificado de manera homogénea ni es predominantemente formal, como ocurre frecuentemente en las lenguas indoeuropeas. Se observa que el género semántico está presente en todas las lenguas analizadas, lo que indica la centralidad de criterios vinculados a esta dimensión, tales como sexo biológico, animacidad o características culturalmente salientes, en la categorización de género (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). Los resultados indican que, en 11 lenguas de la muestra, la codificación de género ocurre exclusivamente por medio léxico, mientras que 16 lenguas emplean medios léxicos y morfosintácticos. En contraste, solo tres lenguas exhiben un sistema más complejo, en el cual el género es codificado simultáneamente mediante dispositivos léxicos, morfosintácticos y fonológicos. Estos datos sugieren un predominio de estrategias léxicas y morfosintácticas en la expresión del género, en comparación con las estrategias fonológicas, que son mucho menos recurrentes en las lenguas analizadas. Los resultados indican que, en la mayoría de las lenguas analizadas, la expresión del género se realiza mediante estrategias fuertemente sensibles al contexto sociocultural, reflejando normas culturales locales y formas específicas de organización social en la categorización lingüística del género (Aikhenvald, 2016; Hellinger; Bußmann, 2003). En al menos 16 lenguas de la muestra, la atribución de género mantiene una estrecha relación con aspectos cosmológicos, lo que evidencia que las categorías lingüísticas pueden reflejar concepciones indígenas más amplias sobre persona, naturaleza y organización del mundo (Viveiros de Castro, 1998; Rubim, 2020; Krenak, 2022; Núñez, 2022, 2023). Los datos muestran además que las lenguas examinadas exhiben diferentes patrones en relación con la concordancia de género y número. En algunas de ellas, las operaciones de acuerdo y concordancia de género son productivas, apareciendo en nombres, pronombres, verbos y numerales, lo que señala que la categoría de género constituye un recurso de clasificación nominal (Corbett, 1991): 12 lenguas presentan operaciones de concordancia, entre las cuales cuatro lenguas también realizan acuerdo de género. Además, al analizar la interacción entre las categorías de género y número, es común que el género (femenino, masculino o neutro) sea distinguido en singular y neutralizado en plural. En contrapartida, la concordancia de género es limitada o ausente en 18 lenguas de la muestra, indicando que la expresión del género actúa más como una característica lexical atribuida a los nombres y/o como una herramienta sociopragmática del lenguaje que como un elemento que rige la estructura sintáctica. Se observó además que las lenguas que exhiben acuerdo de género (desano, kubeo, jarawara, wari’) son clasificadas como más opacas porque presentan casos de redundancia, fusión y estructuras formalmente motivadas (Leufkens, 2015); por otro lado, las lenguas mamaindê, mehináku y dzubukuá también presentan rasgos de opacidad, aunque ello se debe a la doble marcación de género y no a la operación de concordancia sintáctica. El tratamiento de los datos con base en la Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld y Mackenzie, 2008) permitió organizar las lenguas a partir de la verificación de posibles jerarquías implicacionales relativas a los tipos de género y a las formas de manifestación, lo que permitió mapear y sistematizar diferentes patrones tipológicos atestiguados en las lenguas amerindias. Los casos de género contextual (atestiguado en 20 lenguas) se relacionan también con el Componente Contextual (Hengeveld; Mackenzie, 2014; Velasco, 2014), que dispone de informaciones extralingüísticas esenciales para la comprensión de este fenómeno y desempeña un tipo de función simbólica, constitutiva y performativa del lenguaje en lo que respecta a la identidad de género (Foucault, 1977; 1984; Moura; Mäder, 2022). Este estudio, por lo tanto, contribuye de manera significativa (i) al avance teórico de la Gramática Discursivo-Funcional, (ii) a la ampliación del alcance epistemológico en los estudios de la categoría gramatical de género, especialmente en lo que respecta a las lenguas originarias, (iii) a la documentación y difusión de la diversidad lingüístico-cultural de Brasil, y (iv) al fomento de nuevas investigaciones en tipología lingüística y en estudios de género en lenguas amerindias.

Descrição

Idioma

Português

Citação

NOGUEIRA, Lua Camilo. A categoria linguística de gênero nas línguas indígenas do Brasil: um estudo tipológico-funcional. 2026. 395 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto, 2026.

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