Formação continuada de professores em educação ambiental: um estudo a partir de teses e dissertações (2013- 2020)
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Data
Autores
Orientador
Santana, Luiz Carlos 

Coorientador
Pós-graduação
Educação - IB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Diante dos problemas socioambientais que vivenciamos e que vêm sendo debatidos, ao longo do tempo, em encontros, conferências, documentos nacionais e internacionais, a Educação Ambiental (EA) tem sido apontada como um elemento fundamental para a formação de sujeitos críticos e participativos, que busquem a transformação da realidade. No Brasil, a implementação da Política Nacional de Educação Ambiental, instituída em 1999 e ampliada em 2024, para incluir aspectos como mudanças climáticas, proteção da biodiversidade, gestão de riscos e vulnerabilidades, além de desastres socioambientais, reforça a importância de integrar a educação ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive nos cursos de formação de professores. Essa prioridade é ainda destacada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, publicadas em 2012, que estabelecem a necessidade de sua presença de forma articulada e transversal, incluindo uma atenção especial à formação de professores, reconhecendo-os como protagonistas na promoção de práticas pedagógicas significativas voltadas à educação ambiental. Pesquisas apontam, no entanto, que a inclusão da EA ainda ocorre de forma pontual e fragmentada em todos os níveis de ensino, inclindo os cursos de licenciatura em diferentes áreas. Considerando este fato e a importância da formação de professores, esta pesquisa trata da Formação Continuada de professores em Educação Ambiental, analisando teses e dissertações do Banco do projeto Earte (Estado da Arte da Pesquisa em Educação Ambiental no Brasil), defendidas entre 2013 e 2020. Procuramos identificar e analisar propostas, desafios e perspectivas da educação ambiental na formação continuada de professores presentes nesses trabalhos. A pesquisa, de abordagem qualitativa, é do tipo estado da arte. Foram analisadas 36 pesquisas, sendo 07 teses (19,5%) e 29 dissertações (80,5%), o que demonstra a desigualdade entre os níveis acadêmicos dessas produções. A análise empreendida está fundamentada nos pressupostos da Educação Ambiental Crítica, considerada essencial para uma prática pedagógica, emancipatória e efetiva. As análises também foram construídas a partir da análise de conteúdo de Laurence Bardin. Os resultados da investigação indicam que as produções acadêmicas se concentram no Ensino Fundamental, com 83,33% dos trabalhos realizados. Foi observado o aumento no número de pesquisas nos anos de 2017 e 2020, além do surgimento de trabalhos decorrentes de mestrados profissionais no ano de 2017. No tocante à distribuição de trabalhos por regiões e estados, notou-se a equivalência na quantidade de pesquisas desenvolvidas na região Sudeste e Sul, sendo que ambas as regiões obtiveram 27 de um total de 36 pesquisas analisadas, o que representa mais de 30% da produção acadêmica realizada no país. Além disso, visualizamos a permanência na desigualdade da produção científica desenvolvida nas diferentes regiões, bem como a predominância das IES públicas como lócus de produção dessas pesquisas. Quanto à modalidade e formatos das propostas de formações, observamos que as mesmas ocorreram, preferencialmente, em cursos de formação continuada e aperfeiçoamento de modo presencial. A partir de excertos extraídos dos objetivos das pesquisas analisadas, elencamos seis categorias, que revelaram a multiplicidade de enfoques, com destaques para “Recursos didáticos e metodológicos” e “Formar, capacitar, qualificar ou sensibilizar”, com 20 trabalhos, o que representa mais de 50% do total de pesquisas. Também foi possível mapear os principais referenciais teóricos e metodológicos utilizados, com destaque para autores da Educação Ambiental Crítica e da formação de professores, como Guimarães, Loureiro, Carvalho, Freire, Nóvoa e Pimenta. A pesquisa evidencia a importância de fortalecer propostas de formação continuada que superem abordagens pontuais e tecnicistas, promovendo processos mais reflexivos, contextualizados e comprometidos com a justiça socioambiental.
Resumo (inglês)
Given the socio-environmental problems we currently face—widely debated in conferences, reports, and national and international documents—Environmental Education (EE) has emerged as a key element in the formation of critical and participatory subjects committed to transforming reality. In Brazil, the implementation of the National Environmental Education Policy, established in 1999 and expanded in 2024 to include topics such as climate change, biodiversity protection, risk and vulnerability management, and socio-environmental disasters, reinforces the importance of integrating EE into all levels and modalities of education, including teacher training programs. This priority is reaffirmed by the National Curriculum Guidelines for Environmental Education 2012, which emphasize the articulation and transversal integration of EE, highlighting teacher education as a central axis. However, research shows that EE remains incorporated in a fragmented and occasional manner, even in teacher education courses. Given this context, this study addresses the continuing education of teachers in Environmental Education by analyzing theses and dissertations from the EArte database (State of the Art in Environmental Education Research in Brazil), defended between 2013 and 2020. It aims to identify and analyze proposals, challenges, and perspectives on continuing education in EE. This is a qualitative study, based on a state-of-the-art approach. A total of 36 studies were analyzed 07 doctoral theses (19.5%) and 29 master’s dissertations (80.5%)—revealing a disparity in academic levels. The analysis is grounded in the principles of Critical Environmental Education, deemed essential for effective and emancipatory pedagogical practices, and follows Laurence Bardin’s content analysis methodology. Results indicate that most academic productions focused on Elementary Education (83.33%) and revealed a growth in research output in 2017 and 2020, including professional master’s programs starting in 2017. A regional imbalance in research production was observed, with the Southeast and South regions accounting for more than 30% each of the total analyzed studies, and public universities remaining predominant as the main research institutions. Most training proposals were conducted through in-person continuing education and improvement courses. From the objectives of the analyzed studies, six analytical categories were identified, with emphasis on "Teaching and methodological resources" and "Training, qualification, or awareness-raising," which appeared in over 50% of the studies. The research also mapped key theoretical and methodological references, highlighting authors from Critical Environmental Education and teacher education, such as Guimarães, Loureiro, Carvalho, Freire, Nóvoa, and Pimenta. The study highlights the importance of strengthening continuing education initiatives that transcend technical and fragmented approaches, fostering more reflective, contextualized, and socially committed processes aligned with socio-environmental justice.
Descrição
Palavras-chave
Educação permanente, Educação ambiental, Estado da arte, Continuing teacher education, Environmental education, State of the art
Idioma
Português
Citação
BORGHI, R. H. P. Formação continuada de professores em educação ambiental: um estudo a partir de teses e dissertações (2013- 2020). 2025. Dissertação (Mestrado em Educação) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro, 2025.


