Distúrbios do magnésio como marcadores prognósticos de evolução nos pacientes internados em unidade de terapia intensiva: um estudo de coorte
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Pós-graduação
Medicina - FMB
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
Introdução: O magnésio (Mg), conhecido como o “eletrólito esquecido”, por ser, em geral, pouco dosado, é um íon abundante e essencial para a homeostase, sendo que a falta ou excesso deste, denominados hipomagnesemia e hipermagnesemia, decorrem em geral de distúrbios renais, tendo alta prevalência entre pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Hipótese: Uma vez que efeitos dos distúrbios do Mg sérico envolvem consequências neurológicas, cardiovasculares e musculares, além de afetar as diversas reações bioquímicas das quais faz parte como cofator ou ativador enzimático, os distúrbios do Mg podem representar preditores de piores prognósticos de pacientes internados, como maior tempo de internação, ocorrência de fibrilação atrial e óbito. Objetivos: Avaliar os distúrbios do magnésio como preditores dos desfechos dias de internação na UTI, ocorrência de fibrilação atrial e óbito. Métodos: Trata-se de estudo de Coorte Prospectivo Observacional, onde foram avaliados pacientes internados nas UTIs do Hospital das Clínicas da UNESP de Botucatu-SP, admitidos com ou que evoluíram, ao longo da internação, com distúrbios do Mg, comparados com aqueles sem tais distúrbios. Resultados: Distúrbios do Mg ocorreram em 174 pacientes (58%), sendo 129 (43%) casos de hipermagnesemia e 45 (15%) de hipomagnesemia. A hipermagnesemia teve associação significativa com maior tempo de internação na UTI (OR = 3,14; IC95%: 1,89–5,22; p < 0,001) e associação independente com ocorrência de fibrilação atrial após análise multivariada por regressão logística (OR ajustada = 2,77; IC95%: 1,30–5,91; p = 0,008), mesmo após ajuste para sexo e SAPS 3. Também se associou à mortalidade em UTI (OR = 6,33; IC95%: 2,52 – 15,92; p < 0,001) e hospitalar (OR = 3,97; IC95%: 2,01–7,84; p < 0,001). A hipomagnesemia não se associou com esses desfechos Conclusão: Observou-se elevada frequência de distúrbios do Mg nos pacientes internados em UTI, durante a primeira semana de internação. A hipermagnesemia esteve associada a maior tempo de internação na UTI, maior ocorrência de fibrilação atrial e maior mortalidade. A hipomagnesemia não apresentou associações significativas com os desfechos avaliados.
Resumo (inglês)
Introduction: Magnesium, known as the “forgotten electrolyte” due to it being generally under-measured, is an abundant ion essential for homeostasis. Both its deficiency and excess—termed hypomagnesemia and hypermagnesemia— generally result from renal disturbances and have a high prevalence among patients admitted to Intensive Care Units (ICUs). Hypothesis: Since the effects of serum magnesium disturbances involve neurological, cardiovascular, and muscular consequences, in addition to affecting various biochemical reactions in which it acts as a cofactor or enzymatic activator, magnesium disorders are predictors of worse outcomes in hospitalized patients, such as longer length of stay, atrial fibrillation and increased mortality. Objectives: To evaluate magnesium disorders as predictors of the following outcomes: ICU length of stay, occurrence of atrial fibrillation, and mortality. Methods: This prospective observational cohort study was conducted in the intensive care units of the Hospital das Clínicas, Botucatu Medical School, São Paulo State University (UNESP), Brazil. Patients who presented hypomagnesemia or hypermagnesemia either at admission or during the first week of ICU stay were included and compared with patients who maintained normal magnesium levels. Results: Magnesium disorders occurred in 174 patients (58%), with 129 (43%) cases of hypermagnesemia and 45 (15%) of hypomagnesemia. Hypermagnesemia was significantly associated with longer ICU length of stay (OR = 3.14; 95% CI: 1.89–5.22; p < 0.001), and an independent association with the occurrence of atrial fibrillation after multivariate logistic regression analysis (adjusted OR = 2.77; 95% CI: 1.30–5.91; p = 0.008), even after adjustment for sex, and SAPS 3. It is also associated with ICU mortality (OR = 6.33; 95% CI: 2.52–15.92; p < 0.001) and hospital mortality (OR = 3.97; 95% CI: 2.01–7.84; p < 0.001). Hypomagnesemia did not show statistical significance for these outcomes. Conclusion: A high prevalence of magnesium disorders was observed in
patients admitted to the ICU during the first week of hospitalization. Hypermagnesemia was associated with longer ICU stay, a higher incidence of atrial fibrillation, and higher hospital mortality. Hypomagnesemia did not show relevant associations with the outcomes evaluated.
Descrição
Idioma
Português
Citação
YAMAZAKI, Paula Natsumi. Distúrbios do magnésio como marcadores prognósticos de evolução nos pacientes internados em unidade de terapia intensiva: um estudo de coorte. 2026. Dissertação (Mestrado em Medicina) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.



