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Agora, o Outrora: imagens do passado e violência em Caminhando com os mortos, de Micheliny Verunschk

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Estudos Literários - FCLAR

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Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Type

Master's thesis

Access right

Acesso abertoAcesso Aberto

Abstract

Abstract (portuguese)

Este trabalho realiza uma leitura crítica do romance Caminhando com os mortos (2023), de Micheliny Verunschk, tendo como mote inicial as reflexões sobre o modo como a narrativa representa a articulação entre violência de gênero e a intolerância legitimada pela religião, tópicos cujas origens se revelam intrinsecamente vinculadas aos interesses de estruturas sociais hegemônicas, mantidas através de um processo histórico de injustiça e marginalização dos sujeitos. A estrutura fragmentária da narração desdobra-se a partir do assassinato brutal da personagem Celeste, julgada e condenada a uma espécie de ritual de purificação na fogueira, ao ser taxada como desvirtuada frente aos preceitos de uma sociedade marcada pelo patriarcado e pelo fanatismo religioso. A hipótese é de que a narração desse ato de violência, bem como de outras formas representadas no romance, adensa a presença de imagens autoritárias próprias do passado, resgatadas e reforçadas no tempo presente. Ao se valer do conceito de fantasmagoria como recurso que designa a presença dessa manutenção de um sintoma passado historicamente perpetuado e experienciado ainda no momento presente, nota-se uma relação entre a composição estética do romance, sobretudo na construção da voz narrativa, e as experiências travadas pelos personagens que sofrem fisicamente com a iniquidade. Diante dessa interligação entre os corpos das figuras femininas que são violentadas, os feminicídios que guiam a narrativa e os tempos que acabam se entrelaçando com suas irrupções no presente, o romance de Verunschk coloca em evidência as possibilidades de retorno das histórias dessas vítimas, como chama pulsante que revive a cada momento em que a imagem de uma fogueira ameaça ser reacendida

Abstract (french)

Ce travail propose une lecture critique du roman Caminhando com os mortos (2023), de Micheliny Verunschk, en prenant comme point de départ des réflexions sur la manière dont le récit met en scène l’articulation entre la violence de genre et l’intolérance légitimée par la religion, des thèmes dont les origines se révèlent intrinsèquement liées aux intérêts de structures sociales hégémoniques, maintenues par un processus historique d’injustice et de marginalisation des sujets. La structure fragmentaire de la narration se déploie à partir de l’assassinat brutal du personnage Celeste, jugée et condamnée à une sorte de rituel de purification par le feu, après avoir été qualifiée de déviante face aux préceptes d’une société marquée par le patriarcat et le fanatisme religieux. L’hypothèse est que la narration de cet acte de violence, ainsi que d’autres formes représentées dans le roman, intensifie la présence d’images autoritaires propres au passé, récupérées et renforcées dans le temps présent. En s’appuyant sur le concept de fantasmagorie comme ressource désignant la présence de cette permanence d’un symptôme passé historiquement perpétué et encore expérimenté dans le présent, on met en relation la composition esthétique du roman, notamment dans la construction de la voix narrative, avec les expériences vécues par les personnages qui souffrent physiquement l’iniquité. Face à cette interconnexion entre les corps des figures féminines violentées, les féminicides qui structurent le récit et les temporalités qui finissent par s’entrelacer dans leurs irruptions au présent, le roman de Verunschk met en évidence les possibilités de retour des histoires de ces victimes, comme une flamme pulsant qui renaît chaque fois que l’image d’un bûcher menace d’être rallumée

Description

Language

Portuguese

Citation

RAMOS, Mikelly Santana. Agora, o Outrora: imagens do passado e violência em Caminhando com os mortos, de Micheliny Verunschk. 2026. Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.

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