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Prevalência do aborto por causa infecciosa na medicina humana e veterinária

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Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Tipo

Relatório de pós-doc

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Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

O aborto corresponde à perda gestacional antes de 20 semanas em humanos ou antes do termo fisiológico em animais, podendo estar associado a agentes infecciosos. Estima-se que milhões de gestações terminem anualmente em aborto espontâneo, sendo as infecções uma das principais causas. Aproximadamente 60% das infecções humanas têm origem zoonótica e 75% dos patógenos emergentes derivam de animais, reforçando a relevância da abordagem One Health na prevenção e controle dessas enfermidades. Estabelecer o estado atual da ciência sobre a prevalência de agentes infecciosos associados ao aborto em humanos e espécies domésticas, além de analisar abortamentos, óbitos fetais e neonatos prematuros de equinos, bovinos, ovinos, caprinos, caninos e felinos encaminhados ao Serviço de Patologia Veterinária da UNESP – Botucatu entre 2015 e 2025. Foram conduzidos dois estudos complementares. Inicialmente, realizou-se uma revisão da literatura sistemática sobre aborto de etiologia infecciosa em medicina humana e veterinária. Em seguida, foi desenvolvido um estudo retrospectivo baseado na análise de registros anatomopatológicos do Serviço de Patologia Veterinária da UNESP – Botucatu. Os diagnósticos de abortamento foram selecionados manualmente e categorizados, considerando-se apenas casos associados a agentes infecciosos ou com suspeita infecciosa. Na revisão de literatura, após o processo de elegibilidade, 43 estudos publicados entre 2015 e 2025 foram incluídos na síntese qualitativa. Observou-se aumento progressivo no número de publicações a partir de 2018, com pico em 2022 (n=10), sugerindo intensificação recente das investigações sobre aborto infeccioso. Houve predominância de estudos provenientes dos Estados Unidos (n=9), da China (n=7) e do Brasil (n=4). A análise temática demonstrou predomínio de pesquisas em medicina humana (50%), seguidas por estudos veterinários (29%) e translacionais (21%). Quanto às espécies investigadas, observou-se maior frequência de estudos em humanos (37%) e bovinos (18%), enquanto equinos, búfalos e felinos apresentaram menor representatividade. Na análise retrospectiva dos casos encaminhados ao Serviço de Patologia Veterinária, foram identificados 25 eventos reprodutivos adversos, incluindo abortamentos, óbitos fetais e neonatos prematuros. Houve predominância de bovinos (28%), cães (24%) e equinos (20%). Os abortamentos corresponderam à maioria dos casos (n=14), seguidos por óbitos fetais (n=8) e prematuridade (n=2). A principal categoria diagnóstica foi “suspeita infecciosa não confirmada” (n=10), evidenciando limitações na confirmação etiológica. Entre as causas confirmadas, destacou-se torção uterina (n=5), além de ocorrências isoladas envolvendo Trueperella pyogenes, Escherichia coli, vírus da leucemia felina (FeLV), hemangiossarcoma uterino, ruptura uterina, choque endotoxêmico, anomalia congênita e Dictyocaulus spp. Os dados preliminares da revisão indicam um crescente interesse da comunidade acadêmica em estudos sobre abortamentos infecciosos e em uma abordagem translacional. Os resultados do estudo retrospectivo demonstram que o abortamento multicausal constitui fenômeno complexo, envolvendo a suspeita infecciosa etiológica como a mais frequente,, reforçando a necessidade de padronização na coleta, investigação das causas e envio de amostras. Em conjunto, a relevância zoonótica de diversos agentes infecciosos abortivos destaca a necessidade de investigação integrada com fortalecimento da abordagem de saúde única.

Descrição

Idioma

Português

Citação

MOURA, Mônica Barthelson Carvalho de. Prevalência do aborto por causa infecciosa na medicina humana e veterinária. 2026. Relatório (Pós-doutorado em Patologia) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.

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