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Padrões de variação linguística e significados sociais: um estudo em Cabo Verde-MG e Muzambinho-MG

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Pós-graduação

Linguística e Língua Portuguesa - FCLAR

Curso de graduação

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

Com base na Teoria da Variação e Mudança Linguísticas, esta tese tem como objetivo geral descrever os padrões de variação observados em Cabo Verde-MG e Muzambinho-MG, pequenas cidades vizinhas do sudoeste de Minas Gerais. Marcadas pela centralidade da cafeicultura, essas localidades apresentam forte vínculo com a zona rural, configurando-se como áreas rurbanas (Bortoni-Ricardo, 2005). Nesse contexto, analisa-se de que modo a forte relação com o campo se correlaciona com os usos linguísticos dos falantes e com os significados sociais indiciados pelas variantes em circulação. Investiga-se, ainda, como tais aspectos se articulam ao sentimento de pertença à região e como esse posicionamento pode estar associado a questões linguísticas. Para tanto, analisaram-se quatro fenômenos, divididos entre traços graduais (Bortoni-Ricardo, 2005), as concordâncias verbais de 1ª (CV1) e de 3ª pessoas do plural (CV3), e traços descontínuos (Bortoni-Ricardo, 2005), o rotacismo e o apagamento de /s/ em coda em lexemas. A análise baseou-se no corpus “Café com Letras - Corpus do Português Falado em Muzambinho-MG e Cabo Verde-MG”, composto por 48 entrevistas sociolinguísticas, 24 por cidade, estratificadas por faixa etária, sexo/ gênero e escolaridade. Além disso, para investigar as avaliações e percepções dos falantes acerca das formas em variação, aplicou-se um questionário de reações subjetivas. Na análise da CV1, a variante Ø associa-se, em ambas as comunidades, a traços [+ rural; - urbano] e à figura do caipira, além de indiciar qualidades positivas em Cabo Verde-MG e comportamento jovial em Muzambinho-MG. Trata-se de uma forma pouco saliente e amplamente aceita pelos participantes, ainda que alguns a restrinjam a contextos informais ou à fala de jovens e de indivíduos da zona rural com menos escolaridade. Quanto aos dados de produção linguística, a variante Ø é a mais frequente nos dois municípios, sendo favorecida por indivíduos com maior vínculo com o campo, alto índice de pertencimento à cidade e pertencentes à faixa etária 1 (18-30 anos), o que indica mudança em progresso; em Cabo Verde-MG, é também mais usada por falantes do sexo feminino. No plano linguístico, em Muzambinho-MG, o aumento da saliência fônica favorece a desinência -mos, ao passo que, em Cabo Verde-MG, tal forma se associa à saliência média, possivelmente por sua maior ocorrência no pretérito perfeito, sugerindo uma especialização da marca de plural na distinção de tempos verbais. Em relação à CV3, a ausência da marca de plural associa-se a traços [- rural; + urbano], a atributos que se distanciam da imagem do caipira e a qualidades pessoais, sendo, em Muzambinho-MG, também vinculada ao comportamento jovial. Em comparação à CV1, essa variante é menos saliente e estigmatizada, embora igualmente associada a contextos informais. Nas duas localidades, a distribuição dos dados de produção entre as variantes é equilibrada, com maior frequência da ausência da marca de plural entre indivíduos com forte vínculo com o campo, alto grau de pertencimento às cidades natais e menor nível de escolaridade; em Muzambinho-MG, é ainda favorecida pela faixa etária 1 (18-30 anos). Do ponto de vista linguístico, a omissão ocorre preferencialmente em contextos de saliência fônica mínima, com sujeitos com o traço [- humano] e que ocupam posições mais marcadas na oração, ou seja, pospostos ao verbo ou antepostos, porém distantes dele. O rotacismo em coda associa-se, em ambas as cidades, ao traço [+ rural; - urbano], às representações do caipira e ao falar de indivíduos mais velhos. Por sua vez, em ataque complexo, oscila entre traços de ruralidade e urbanidade, mantendo a associação à fala de pessoas mais velhas. A realização em coda mostra-se mais saliente e estigmatizada do que em ataque complexo; ainda assim, ambas são avaliadas mais negativamente do que a CV1 e a CV3. Quanto à produção, o rotacismo em coda apresenta baixa frequência, razão pela qual não foram realizadas análises de regressão logística para verificar quais preditoras explicam o fenômeno. Em ataque complexo, a ocorrência é mais elevada, embora inferior à da CV1 e à da CV3, sendo favorecida por falantes com maior vínculo com o campo, alto índice de pertencimento à cidade e menor nível de escolaridade; em Cabo Verde-MG, também por indivíduos da faixa etária 3 (mais de 60 anos). Em relação às variáveis linguísticas, não se observaram correlações significativas, o que indica forte influência do item lexical. A supressão de /s/ em coda em lexemas foi percebida de modo variável nas duas cidades, sendo associada a traços de ruralidade, mas também a traços de urbanidade e ao falar de pessoas mais velhas. Em comparação ao rotacismo, mostra-se menos estigmatizada e mais bem aceita, ainda que vinculada a contextos informais e à fala da zona rural. Na produção, o apagamento de /s/ apresenta menor frequência do que o rotacismo em ataque complexo, sendo favorecido, em ambas as localidades, por indivíduos com forte vínculo com o campo, menor nível de escolaridade e do sexo masculino; em Muzambinho-MG, também por falantes da faixa etária 3 (mais de 60 anos). Quanto às variáveis linguísticas, tal variante é favorecida diante de consoante e após glide, sendo, ainda, em Cabo Verde-MG, mais empregada em sílaba tônica. Nessas localidades, a supressão de /s/ pós-vocálico em lexemas também está relacionada a uma forte influência do item lexical. Por fim, a análise conjunta dos fenômenos, por meio de testes de correlação, evidencia forte coesão dialetal entre os falantes das duas comunidades. A omissão da marca de plural na CV1 correlaciona-se à da CV3, e o uso da 3ª pessoa do singular nesta última associa-se à realização do rotacismo em ataque complexo e ao apagamento de /s/ em coda. Do mesmo modo, a substituição de /l/ por /r/ em ataque complexo tende a coocorrer com a supressão da sibilante pós-vocálica em lexemas.

Resumo (inglês)

Based on Variationist Sociolinguistic Theory, this doctoral thesis to describe the patterns of variation observed in Cabo Verde-MG and Muzambinho-MG, two neighboring small towns in southwestern Minas Gerais, Brazil. Marked by the centrality of coffee production, these localities maintain strong ties to rural life, thus constituting rurban areas (Bortoni-Ricardo, 2005). Within this context, the study investigates how this close relationship with the countryside correlates with speakers’ linguistic practices and with the social meanings indexed by the circulating variants. It also examines how such aspects relate to speakers’ sense of belonging to the region and how this positioning may be associated with linguistic issues. To this end, four linguistic phenomena were analyzed, divided into gradual traits (Bortoni-Ricardo, 2005), first-person plural verbal agreement (CV1) and third-person plural verbal agreement (CV3), and discontinuous traits (Bortoni-Ricardo, 2005), rhotacism and /s/ deletion in coda position in lexical items. The analysis was based on the corpus “Café com Letras - Corpus do Português Falado em Muzambinho-MG e Cabo Verde-MG”, composed of 48 sociolinguistic interviews, 24 from each town, stratified by age group, sex/gender, and education level. In addition, in order to investigate speakers’ evaluations and perceptions of the variants, a subjective reaction questionnaire was applied. Regarding CV1, the zero variant is associated, in both communities, with the traits [+ rural; - urban] and with the figure of the caipira, in addition to indexing positive qualities in Cabo Verde-MG and youthful behavior in Muzambinho-MG. It is a low-salience form widely accepted by participants, although some restrict it to informal contexts or to the speech of younger and less educated rural speakers. In production data, the zero variant is the most frequent in both municipalities and is favored by individuals with stronger ties to the countryside, a high sense of belonging to their town, and by speakers in age group 1 (18–30 years old), which indicates change in progress; in Cabo Verde-MG, it is also more frequently used by female speakers. Linguistically, in Muzambinho-MG, greater phonetic salience favors the ending -mos, whereas in Cabo Verde-MG this form is associated with medium salience, possibly due to its greater occurrence in the preterite perfect tense, suggesting a specialization of the plural marker in distinguishing verbal tenses. With regard to CV3, the absence of plural marking is associated with the traits [- rural; + urban], with attributes that distance speakers from the image of the caipira, and with personal qualities, being also linked to youthful behavior in Muzambinho-MG. Compared to CV1, this variant is less salient and less stigmatized, although it is likewise associated with informal contexts. In both localities, the distribution of production data between variants is balanced, with greater frequency of plural omission among individuals with strong ties to the countryside, a high sense of belonging to their hometowns, and lower levels of education; in Muzambinho-MG, it is also favored by speakers in age group 1 (18–30 years old). From a linguistic perspective, omission occurs preferentially in contexts of minimal phonetic salience, with subjects bearing the feature [- human], and in more marked syntactic positions, that is, postverbal subjects or preverbal subjects distant from the verb. Rhotacism in coda position is associated, in both towns, with the trait [+ rural; - urban], with representations of the caipira, and with the speech of older individuals. In complex onset position, however, it oscillates between traits of rurality and urbanity while still remaining associated with the speech of older people. Rhotacism in coda position is more salient and stigmatized than in complex onset position; nevertheless, both are evaluated more negatively than CV1 and CV3. In terms of production, rhotacism in coda position occurs with low frequency, which prevented logistic regression analyses from being conducted to identify the predictors explaining the phenomenon. In complex onset position, occurrence rates are higher, although still lower than those of CV1 and CV3, being favored by speakers with stronger ties to the countryside, a high sense of belonging to the town, and lower levels of education; in Cabo Verde-MG, it is also favored by speakers in age group 3 (over 60 years old). Regarding linguistic variables, no significant correlations were observed, indicating a strong lexical effect. The deletion of /s/ in coda position in lexical items was variably perceived in both towns, being associated with traits of rurality, but also with traits of urbanity and with the speech of older people. Compared to rhotacism, it is less stigmatized and more widely accepted, although still linked to informal contexts and rural speech. In production data, /s/ deletion occurs less frequently than rhotacism in complex onset position and is favored, in both localities, by individuals with strong ties to the countryside, lower educational levels, and male speakers; in Muzambinho-MG, it is also favored by speakers in age group 3 (over 60 years old). Regarding linguistic variables, this variant is favored before consonants and after glides and, in Cabo Verde-MG, is also more frequently used in stressed syllables. In these localities, postvocalic /s/ deletion in lexical items is likewise strongly influenced by lexical items. Finally, the joint analysis of the phenomena through correlation tests reveals strong dialectal cohesion among speakers from both communities. The omission of plural marking in CV1 correlates with its omission in CV3, while the use of the third-person singular in CV3 is associated with rhotacism in complex onset position and with /s/ deletion in coda position. Likewise, the substitution of /l/ by /r/ in complex onset position tends to co-occur with postvocalic sibilant deletion in lexical items.

Descrição

Idioma

Português

Citação

PINTO, L. G. Padrões de variação linguística e significados sociais: um estudo em Cabo Verde-MG e Muzambinho-MG. 2026. 346 f. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.

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