Em tempos de crise climática: conservação da biodiversidade, percepção de risco e o ensino de Ciências
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Pós-graduação
Educação para a Ciência - FC
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
A crise climática configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos e entre as consequências mais críticas da crise climática encontra-se a perda acelerada da biodiversidade, fenômeno que compromete a capacidade dos sistemas naturais de responder e adaptar-se às mudanças em curso. O objetivo geral foi compreender os significados atribuídos aos conceitos estruturantes da conservação da biodiversidade e aos riscos associados à crise climática, com vistas à proposição de referenciais para um ensino de Ciências orientado pela complexidade e pela educação para o risco. A pesquisa é composta por quatro estudos interconectados, desenvolvidos em contextos comparativos entre Brasil e Canadá, com abordagem de métodos mistos. O Estudo 1 realizou uma revisão sistemática de literatura sobre o uso dos conceitos de conservação, preservação e restauração na produção científica brasileira (2020–2024), revelando que 86,5% dos artigos analisados não apresentaram definições explícitas desses termos, evidenciando inconsistências epistemológicas que fragilizam o diálogo entre ciência, política e sociedade, além de uma compartimentalização entre as abordagens da crise climática e da conservação da biodiversidade. O Estudo 2 investigou, por meio de questionário diagnóstico com escala Likert validado previamente, as concepções de 69 participantes brasileiros e canadenses sobre os conceitos estruturantes da conservação da biodiversidade. Os resultados evidenciaram divergências entre os grupos, enquanto o grupo brasileiro demonstrou maior reconhecimento do papel da ação humana nos processos de conservação, o grupo canadense apresentou visão predominantemente preservacionista, evidenciando que significados atribuídos aos conceitos são socialmente construídos e contextualmente situados. O Estudo 3 mapeou as percepções de riscos associados às queimadas e incêndios florestais em 45 brasileiros e 24 canadenses, por meio de questionário aberto analisado com base na tipologia de Ivette Veyret e na Teoria da Sociedade de Risco de Beck. Em ambos os contextos, a percepção privilegiou efeitos imediatos e sensorialmente perceptíveis, com invisibilização de impactos globais, cumulativos e sistêmicos; os riscos industriais e tecnológicos foram os menos reconhecidos, e os impactos sociais, econômicos e geopolíticos permaneceram secundarizados, especialmente no Brasil. O Estudo 4 analisou 71 propostas didáticas publicadas na literatura de ensino de Ciências sobre crise climática (2021–2025), categorizando-as segundo a tipologia de riscos de Veyret (2007) e os eixos conceituais antrópico, biológico e geossistêmico de Reinaldo et al. (2024). Os resultados indicaram predomínio de riscos geossistêmicos, econômicos e sociais, menor incidência de riscos institucionais e tecnológicos, recorrência de abordagens biologicamente superficiais e presença significativa de propostas que reconhecem o ser humano como parte dos sistemas socioecológicos, embora raramente articulem com igual profundidade rigor conceitual, integração sistêmica e problematização dos riscos. A partir da articulação dos quatro estudos, esta pesquisa propõe que o ensino de Ciências seja orientado pela complexidade e pela educação para o risco, que incluem: clareza conceitual sobre os termos estruturantes da conservação; articulação dos eixos antrópico, biológico e geossistêmico; educação para o risco como dimensão estruturante; contextualização sociocultural das práticas educativas; e desenvolvimento integrado de literacias científica, ambiental e midiática.
Resumo (inglês)
The climate crisis represents one of the greatest contemporary challenges, and among its most critical consequences is the accelerated loss of biodiversity, a phenomenon that compromises the capacity of natural systems to respond and adapt to ongoing changes. The general objective of this research was to understand the meanings attributed to the structuring concepts of biodiversity conservation and to the risks associated with the climate crisis, with a view to proposing frameworks for science education guided by complexity and risk education. The research comprises four interconnected studies developed within a comparative context between Brazil and Canada, adopting a mixed-methods approach. Study 1 conducted a systematic literature review on the use of the concepts of conservation, preservation, and restoration in Brazilian scientific production (2020–2024), revealing that 86.5% of the analyzed articles did not present explicit definitions of these terms, evidencing epistemological inconsistencies that undermine the dialogue between science, policy, and society, as well as a compartmentalization between approaches to the climate crisis and biodiversity conservation. Study 2 investigated, through a previously validated Likert-scale diagnostic questionnaire, the conceptions of 69 Brazilian and Canadian participants regarding the structuring concepts of biodiversity conservation. The results revealed divergences between the groups: while the Brazilian group demonstrated greater recognition of the role of human action in conservation processes, the Canadian group presented a predominantly preservationist view, highlighting that the meanings attributed to these concepts are socially constructed and contextually situated. Study 3 mapped the risk perceptions associated with wildfires and forest fires among 45 Brazilians and 24 Canadians, through an open-ended questionnaire analyzed on the basis of Ivette Veyret's risk typology and Beck's Risk Society Theory. In both contexts, perceptions privileged immediate and sensorially perceptible effects, with the invisibilization of global, cumulative, and systemic impacts; industrial and technological risks were the least recognized, and social, economic, and geopolitical impacts remained secondary, particularly in Brazil. Study 4 analyzed 71 didactic proposals published in the science education literature on the climate crisis (2021–2025), categorizing them according to Veyret's (2007) risk typology and the anthropic, biological, and geosystemic conceptual axes proposed by Reinaldo et al. (2024). The results indicated a predominance of geosystemic, economic, and social risks, a lower incidence of institutional and technological risks, a recurrence of biologically superficial approaches, and a significant presence of proposals that recognize human beings as part of socio-ecological systems, although they rarely articulate conceptual rigor, systemic integration, and risk problematization with equal depth. Drawing on the articulation of the four studies, this research proposes that science education be guided by complexity and risk education, encompassing: conceptual clarity regarding the structuring terms of conservation; articulation of the anthropic, biological, and geosystemic axes; risk education as a structuring dimension; sociocultural contextualization of educational practices; and the integrated development of scientific, environmental, and media literacies.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
PINHEIRO, Júlia Chiti. Em tempos de crise climática: conservação da biodiversidade, percepção de risco e o ensino de Ciências. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Bauru, 2026.



