Vozes freelancers: precarização e gênero na evolução do jornalismo brasileiro
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Data
Autores
Orientador
Grossi, Angela Maria 

Coorientador
Pós-graduação
Mídia e Tecnologia - FAAC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A história do jornalismo é marcada por uma constante evolução influenciada, sobretudo, por mudanças sociais, econômicas, tecnológicas e políticas, resultando na dinamicidade que têm moldado a maneira como as notícias são produzidas, disseminadas e consumidas. Uma das transformações mais notáveis é a crescente presença de mulheres jornalistas, o que levanta questões sobre a feminização do campo e suas implicações; seguida pelo aumento das demandas que envolvem diferentes tecnologias digitais e que abarcam a precarização laboral no jornalismo, especialmente entre jornalistas freelancers. Este estudo busca investigar as influências para a evolução da profissão sob a perspectiva das mulheres jornalistas autônomas e contribuir para uma compreensão mais abrangente das interseções entre feminização, precarização laboral e tecnologias digitais no contexto específico do jornalismo freelance no Brasil. Diante desse contexto, tem-se o seguinte problema de pesquisa: de que maneira a feminização do jornalismo, associada à precarização laboral e às exigências das tecnologias digitais, impactam a atuação das jornalistas freelancers no Brasil? Parte-se das hipóteses de que a feminização do jornalismo está associada a formas específicas de precarização laboral, especialmente em regimes de trabalho freelance, resultando em desigualdade salarial, instabilidade profissional e barreiras à ascensão na carreira; a concentração crescente de vínculos empregatícios flexíveis, como o freelance, contribui para intensificar a precarização laboral das jornalistas mulheres; e as exigências crescentes por domínio de tecnologias digitais impõem pressões adaptativas às jornalistas freelancers, reconfigurando as práticas profissionais e os ambientes de trabalho. Isso posto, essa tese defende que a feminização do jornalismo, combinada à intensificação dos regimes de trabalho flexíveis (como o freelance) e às pressões adaptativas das tecnologias digitais, gera formas específicas de precarização laboral que afetam sobretudo as mulheres jornalistas no Brasil. Essa precarização se manifesta de diferentes formas e, sobretudo, através da desigualdade salarial, instabilidade profissional, necessidade de atualização constante e barreiras à ascensão na carreira, configurando a estética de um cenário de vulnerabilidade. Diante desse contexto, a pesquisa tem o objetivo geral de investigar a interação entre feminização, precarização laboral e tecnologias digitais no contexto do jornalismo freelance no Brasil. A finalidade é compreender como esses fatores influenciam a prática jornalística, a evolução da profissão e as condições de trabalho das mulheres jornalistas autônomas. Já os objetivos específicos buscam compreender a evolução da feminização do jornalismo brasileiro e como isso influencia, genericamente, o perfil atual da profissão e contribui para reconfigurar o exercício profissional nos veículos brasileiros; aprofundar a compreensão sobre a precarização laboral no campo jornalístico, identificando e analisando os novos modelos de vínculo empregatício, com ênfase nas profissionais freelancers e suas condições laborais, como remuneração, benefícios, segurança no emprego e oportunidades de crescimento; entender como as jornalistas freelancers enfrentam a pressão adaptativa para se adequar às exigências tecnológicas digitais; e explorar as inter-relações entre feminização, precarização laboral e tecnologias digitais; e como as tecnologias digitais influenciam as condições de trabalho, especialmente para profissionais freelancers. No âmbito do jornalismo freelance, em que as jornalistas muitas vezes enfrentam condições incertas, entender como esses fatores se entrelaçam é crucial para informar políticas públicas, práticas profissionais e iniciativas que promovam uma indústria jornalística mais inclusiva, equitativa e sustentável. Neste sentido, a Lei 14.611/2023, que prevê medidas para garantia da igualdade salarial, como o estabelecimento de mecanismos de transparência salarial, destaca-se como um contexto normativo relevante que ressalta a importância de se abordar questões de equidade de gênero no mercado de trabalho, incluindo o jornalismo, e reforça a necessidade de investigação e intervenção nessa área. A fim de cumprir as finalidades mencionadas, quanto aos procedimentos utilizados, optou-se por iniciar pela pesquisa bibliográfica de caráter exploratório interdisciplinar pertinentes aos conceitos envolvidos. Na sequência, foi realizada uma pesquisa de campo para atender aos objetivos de aprofundar a compreensão sobre as condições laborais das jornalistas freelancers, como remuneração, benefícios, segurança no emprego e oportunidades de crescimento. Também, entender sobre as pressões adaptativas quanto às adequações às tecnologias digitais. Assim como, para validar através de exemplos o que o trabalho defende e argumenta, assim como para explorar as inter-relações entre feminização, tecnologias digitais e precarização laboral. Os resultados apontam para a emergência de uma profissão em transição, marcada por questões históricas, estruturantes e estruturais, que possuem contornos atrelados com as dinâmicas da contemporaneidade. Emergência que surge não apenas pela precarização das relações de trabalho, mas também da reinvenção do fazer jornalístico ancorado no empreendedorismo, agravado por questões de gênero e pelas tecnologias emergentes.
Resumo (inglês)
The history of journalism is marked by constant evolution, influenced primarily by social, economic, technological, and political changes, resulting in the dynamism that has shaped the way news is produced, disseminated, and consumed. One of the most notable transformations is the growing presence of women journalists, which raises questions about the feminization of the field and its implications. This is followed by the increase in demands involving various digital technologies and encompassing job insecurity in journalism, especially among freelance journalists. This study seeks to investigate the influences on the evolution of the profession from the perspective of freelance women journalists and contribute to a more comprehensive understanding of the intersections between feminization, job insecurity, and digital technologies in the specific context of freelance journalism in Brazil. Given this context, the following research question arises: how does the feminization of journalism, coupled with job insecurity and the demands of digital technologies, impact the work of freelance journalists in Brazil? The hypothesis is that the feminization of journalism is associated with specific forms of job insecurity, especially in freelance work regimes, resulting in wage inequality, professional instability, and barriers to career advancement; the growing concentration of flexible employment relationships, such as freelancing, contributes to intensifying job insecurity for female journalists; and the growing demands for mastery of digital technologies impose adaptive pressures on freelance journalists, reshaping professional practices and work environments. That said, this thesis argues that the feminization of journalism, combined with the intensification of flexible work arrangements (such as freelancing) and the adaptive pressures of digital technologies, generates specific forms of job insecurity that particularly affect women journalists in Brazil. This precariousness manifests itself in various ways, most notably through wage inequality, professional instability, the need for constant updating, and barriers to career advancement, shaping the aesthetics of a vulnerable environment. Given this context, the research's general objective is to investigate the interaction between feminization, job insecurity, and digital technologies in the context of freelance journalism in Brazil. The goal is to understand how these factors influence journalistic practice, the evolution of the profession, and the working conditions of freelance women journalists. The specific objectives seek to understand the evolution of the feminization of Brazilian journalism and how this generally influences the current profile of the profession and contributes to reshaping professional practice in Brazilian media outlets; to deepen the understanding of job insecurity in the journalistic field, identifying and analyzing new employment models, with an emphasis on freelance professionals and their working conditions, such as pay, benefits, job security, and opportunities for growth; to understand how freelance journalists face the adaptive pressure to adapt to digital technological demands; and to explore the interrelationships between feminization, job insecurity, and digital technologies; and how digital technologies influence working conditions, especially for freelance professionals. In freelance journalism, where journalists often face uncertain conditions, understanding how these factors intertwine is crucial to informing public policies, professional practices, and initiatives that promote a more inclusive, equitable, and sustainable journalism industry. In this sense, Law 14.611/2023, which provides measures to guarantee equal pay, such as the establishment of pay transparency mechanisms, stands out as a relevant regulatory framework that highlights the importance of addressing gender equity issues in the labor market, including journalism, and reinforces the need for research and intervention in this area. To achieve the aforementioned objectives, regarding the procedures used, we decided to begin with an interdisciplinary exploratory bibliographical research relevant to the concepts involved. Subsequently, field research was conducted to deepen the understanding of the working conditions of freelance journalists, such as pay, benefits, job security, and growth opportunities. We also sought to understand the adaptive pressures surrounding adaptation to digital technologies. Finally, we aimed to validate, through examples, what the work advocates and argues, as well as to explore the interrelationships between feminization, digital technologies, and job insecurity. The results point to the emergence of a profession in transition, marked by historical, structuring, and structural issues, whose contours are tied to contemporary dynamics. This emergence arises not only from the precariousness of labor relations, but also from the reinvention of journalistic practice anchored in entrepreneurship, exacerbated by gender issues and emerging technologies.
Resumo (espanhol)
La historia del periodismo está marcada por una constante evolución, influenciada principalmente por cambios sociales, económicos, tecnológicos y políticos, lo que ha dado lugar al dinamismo que ha moldeado la forma en que se producen, difunden y consumen las noticias. Una de las transformaciones más notables es la creciente presencia de mujeres periodistas, lo que plantea interrogantes sobre la feminización del campo y sus implicaciones. A esto le sigue el aumento de las demandas que involucran diversas tecnologías digitales y que abarcan la precariedad laboral en el periodismo, especialmente entre los periodistas freelance. Este estudio busca investigar las influencias en la evolución de la profesión desde la perspectiva de las mujeres periodistas freelance y contribuir a una comprensión más integral de las intersecciones entre la feminización, la precariedad laboral y las tecnologías digitales en el contexto específico del periodismo freelance en Brasil. En este contexto, surge la siguiente pregunta de investigación: ¿cómo impacta la feminización del periodismo, sumada a la precariedad laboral y las demandas de las tecnologías digitales, el trabajo de los periodistas freelance en Brasil? La hipótesis es que la feminización del periodismo está asociada con formas específicas de precariedad laboral, especialmente en regímenes de trabajo freelance, lo que resulta en desigualdad salarial, inestabilidad profesional y barreras para el avance profesional; la creciente concentración de relaciones laborales flexibles, como el trabajo freelance, contribuye a intensificar la precariedad laboral de las mujeres periodistas; y las crecientes demandas de dominio de las tecnologías digitales imponen presiones adaptativas sobre las periodistas freelance, transformando las prácticas profesionales y los entornos laborales. Por lo tanto, esta tesis argumenta que la feminización del periodismo, combinada con la intensificación de regímenes de trabajo flexibles (como el trabajo freelance) y las presiones adaptativas de las tecnologías digitales, genera formas específicas de precariedad laboral que afectan particularmente a las mujeres periodistas en Brasil. Esta precariedad se manifiesta de diversas maneras, especialmente a través de la desigualdad salarial, la inestabilidad profesional, la necesidad de actualización constante y las barreras para el desarrollo profesional, lo que crea un escenario de vulnerabilidad. En este contexto, el objetivo general de la investigación es investigar la interacción entre la feminización, la precariedad laboral y las tecnologías digitales en el contexto del periodismo freelance en Brasil. El objetivo es comprender cómo estos factores influyen en la práctica periodística, la evolución de la profesión y las condiciones laborales de las periodistas freelance. Los objetivos específicos buscan comprender la feminización en evolución del periodismo brasileño y cómo esto influye en el perfil actual de la profesión y contribuye a remodelar la práctica profesional en los medios de comunicación brasileños; profundizar en la comprensión de la inseguridad laboral en el campo del periodismo, identificando y analizando nuevos modelos de empleo, con énfasis en los profesionales independientes y sus condiciones laborales, como salario, beneficios, seguridad laboral y oportunidades de crecimiento; comprender cómo los periodistas independientes enfrentan la presión adaptativa para adaptarse a las demandas tecnológicas digitales; y explorar las interrelaciones entre la feminización, la inseguridad laboral y las tecnologías digitales; y cómo las tecnologías digitales influyen en las condiciones laborales, especialmente para los profesionales independientes. En el contexto del periodismo independiente, donde los periodistas a menudo enfrentan condiciones inciertas, comprender cómo se cruzan estos factores es crucial para informar las políticas públicas, las prácticas profesionales y las iniciativas que promueven una industria periodística más inclusiva, equitativa y sostenible. En este sentido, la Ley 14.611/2023, que prevé medidas para garantizar la igualdad salarial, como el establecimiento de mecanismos de transparencia salarial, se destaca como un contexto normativo relevante que destaca la importancia de abordar cuestiones de equidad de género en el mercado de trabajo, incluido el periodismo, y refuerza la necesidad de investigación e intervención en esta área. Para lograr los objetivos mencionados, en cuanto a los procedimientos empleados, decidimos comenzar con una investigación bibliográfica exploratoria interdisciplinaria relevante para los conceptos involucrados. Posteriormente, se realizó una investigación de campo para profundizar en la comprensión de las condiciones laborales de los periodistas freelance, como la remuneración, los beneficios, la estabilidad laboral y las oportunidades de crecimiento. También buscamos comprender las presiones adaptativas en torno a la adaptación a las tecnologías digitales. Finalmente, buscamos validar, mediante ejemplos, lo que el trabajo defiende y argumenta, así como explorar las interrelaciones entre la feminización, las tecnologías digitales y la inseguridad laboral. Los resultados apuntan al surgimiento de una profesión en transición, marcada por cuestiones históricas, estructurantes y estructurales, cuyos contornos están ligados a las dinámicas contemporáneas. Esta emergencia surge no solo de la precariedad de las relaciones laborales, sino también de la reinvención de la práctica periodística anclada en el emprendimiento, exacerbada por cuestiones de género y las tecnologías emergentes.
Descrição
Palavras-chave
Jornalistas freelancers, Tecnologias digitais, Feminização do jornalismo, Precarização progressiva da profissão de jornalista, Evolução do jornalismo, Freelance journalists, Digital technologies, Feminization of journalism, Progressive precariousness of the journalism profession, Periodistas freelance, Tecnologías digitales, Precarización progresiva de la profesión periodística, Evolución del periodismo, Feminización del periodismo, Evolution of journalism
Idioma
Português
Citação
SIMON, Luciana Galhardo Batista. Vozes freelancers: precarização e gênero na evolução do jornalismo brasileiro. 2025. 210 f. Tese (Doutorado em Mídia e Tecnologia) – Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2025.


