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Do eu ao outro: a escrita autobiográfica feminina em Minha vida de menina, de Helena Morley e Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus

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Pós-graduação

Estudos Literários - FCLAR

Curso de graduação

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Esta tese analisa comparativamente Minha vida de menina (1942), de Helena Morley, e Diário de Bitita (1986), de Carolina Maria de Jesus, tomando como objeto a escrita autobiográfica feminina no Brasil. Parte-se do problema de compreender de que modo a escrita de si incorpora experiências, conflitos e expectativas coletivas e se realiza como heterobiografia, ou seja, como se articulam perspectivas individuais a projetos coletivos de país e em que medida elas dialogam ou confrontam concepções hegemônicas de nação, cidadania e subjetividade. A hipótese sustenta que essas narrativas autobiográficas, produzidas a partir de posições sociais marcadas por diferenças de classe e raça, formulam projetos distintos e conflitivos de Brasil, ao mesmo tempo em que tensionam a possibilidade de um horizonte universal que contemple tais especificidades. Investiga-se como essas obras inscrevem o outro em suas construções do eu narrativo, como nelas se delineiam projetos de nação e se é possível identificar um projeto universal capaz de contemplar ambas as autoras em suas especificidades históricas e sociais. A metodologia adotada baseia-se na análise comparativa de orientação materialista histórica, articulando forma literária, contexto social do pós-abolição e condições de produção e circulação das obras. Os resultados indicam que, embora compartilhem o recurso à perspectiva feminina e infantil e uma aparente modéstia formal da escrita de si, as obras elaboram projetos distintos de pertencimento nacional, diretamente condicionados pelas posições sociais de suas autoras-narradoras. Demonstra-se, por fim, que a escrita autobiográfica, ao operar como heterobiografia, configura-se como um espaço privilegiado de crítica da modernidade brasileira, ao tornar visíveis seus impasses estruturais e ao formular um projeto de país no qual o universal não se apresenta como abstração homogênea, mas como construção histórica que emerge do reconhecimento das diferenças sociais que o constituem.

Resumo (inglês)

This dissertation offers a comparative analysis of Minha vida de menina (1942), by Helena Morley, and Diário de Bitita (1986), by Carolina Maria de Jesus, taking women’s autobiographical writing in Brazil as its object. It addresses the problem of understanding how self-writing incorporates collective experiences, conflicts, and expectations and is realized as heterobiography – that is, how individual perspectives are articulated with collective projects of nationhood, and to what extent they engage with or challenge hegemonic conceptions of nation, citizenship, and subjectivity. The central hypothesis holds that these autobiographical narratives, produced from social positions marked by class and racial differences, articulate distinct and conflicting projects of Brazil, while simultaneously placing under tension the possibility of a universal horizon capable of encompassing such specificities. The study investigates how these works inscribe the other within the construction of the narrative self, how projects of nation are delineated in each text, and whether it is possible to identify a universal project capable of encompassing both authors in their historical and social specificities. The methodology is based on a comparative analysis informed by historical materialism, articulating literary form, the social context of the post-abolition period, and the conditions of production and circulation of the works. The results indicate that, although both narratives share the use of female and child perspectives and an apparent formal modesty characteristic of self-writing, they elaborate distinct projects of national belonging, directly shaped by the social positions of their author-narrators. Finally, the study demonstrates that autobiographical writing, when operating as heterobiography, constitutes a privileged space for critiquing Brazilian modernity, by rendering visible its structural impasses and by formulating a project of nation in which the universal does not appear as a homogeneous abstraction, but as a historical construction that emerges from the recognition of the social differences that constitute it.

Descrição

Idioma

Português

Citação

NASCIMENTO, D. de A. Do eu ao outro: a escrita autobiográfica feminina em Minha vida de menina, de Helena Morley, e Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus. 2026. Tese (Doutorado em Estudos Literários) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Araraquara, 2026.

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