São Jerônimo, espaço geográfico e perturbações: interações multiespécies em um aldeamento imperial no Paraná (1859-1889)
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Pós-graduação
História - FCHS
Curso de graduação
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Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Com a emancipação do Paraná em 1853, a política de aldeamentos avança no território. Tal medida pretendeu concentrar populações indígenas a fim de expropriar suas terras e projetar uma missão civilizatória por meio do trabalho. Nesse contexto, instaurou-se um campo de disputa pelo espaço. De um lado, temos a perspectiva colonialista, que entende o meio ambiente enquanto conjunto de recursos a serem explorados. Do outro, aparecem alguns mundos indígenas em que fauna, flora, rios e montanhas compõem uma paisagem multiespécie. Portanto, temos diferentes atores que representam e perturbam a paisagem do Tibagi. Como recorte espacial deste trabalho, buscamos compreender São Jerônimo, aldeamento inaugurado em 1859 que aldeou exclusivamente a etnia Kaingang. Por meio desse espaço, tencionamos analisar as diferentes visões de mundo e as relações entre os seres que ali habitaram, humanos e não humanos. Compreendendo o período entre 1859 e 1889, propomos a análise de fontes oficiais da época: relatórios de província, ofícios de diretores de São Jerônimo e, em alguma medida, relatos de viagem e etnográficos. A leitura desse rol documental está apoiada nas considerações da micro-história. Voltamo-nos a ler os dados “marginais” que por vezes são narrados involuntariamente nas fontes, possibilitando conhecer o modus vivendi dos agentes históricos e suas intricações culturais. Dos conceitos utilizados, destacam-se a concepção de espaço, entendida por Milton Santos (1996; 2009) enquanto sistema indissociável de objetos e ações, e a noção de paisagem multiespécie de Anna Tsing (2019; 2022), mobilizada para compreender as diferentes formas de coexistência e transformação das paisagens.
Resumo (inglês)
With the political emancipation of Paraná in 1853, the policy of indigenous aldeamentos expanded thoughout the province. This measure sought to concentrate indigenous populations in order to expropriate their lands and to advance a civilizing mission grounded in labor. Within this context, a struggle over space emerged. On one hand stood the colonial perspective, which conceived the environment as a set of resources to be exploited. On the other hand, some indigenous worlds understood fauna, flora, rivers, and mountains as componentes of a multispecies landscape. Thus, different actors participated in representing and transforming the Tibagi landscape. As the spatial focus of this study, we examine São Jerônimo, a aldeamento established in 1859 exclusevely for the Kaingang people. Though this setting, we seek to analyze different worldviews and the relationships among the beings who inhabited it, both human and nonhuman. Covering the period between 1859 and 1889, this study proposes an analysis of official sources from the period, including provincial reports, correspondence from the directors of São Jerônimo, and, to some extend, travel accounts and ethnographic narratives. The interpretation of this documentary corpus is informed by the methodological considerations of microhistory. Particular attention is given to the “marginal” data that often appear unintentionally in the sources, making it possible to reconstruct the modus vivendi of historical actors and their cultural entanglements. Among the theoretical concepts employed, special emphasis is placed on Milton Santos (1996; 2009) conception of space as an inseparable system of objects and actions, and on Anna Tsing (2019; 2022) notion of multispecies landscape, mobilized to understand the diferente forms of coexistence and transformation that shape landscapes.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
VOITECHEN, André da Silva Santos. São Jerônimo, espaço geográfico e perturbações: interações multiespécies em um aldeamento imperial no Paraná (1859-1889). 2026. 273 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Franca e Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2026.



