Quem define o risco e a sua arquitetura global?: Uma compreensão a partir do rating soberano e do poder estrutural na Policrise
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Data
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Relações Internacionais - IPPRI
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta dissertação investiga em que medida a arquitetura de avaliação de risco soberano operada pelas agências de classificação de crédito (ACRs), com foco na Standard & Poor's (S&P), reproduz assimetrias de poder entre países de renda alta e países de renda média e baixa, e como esse enviesamento se manifesta e se intensifica no contexto da atual policrise. A partir do conceito de poder estrutural de Susan Strange, articulado ao conceito de sistemas peritos e autoridade privada, argumenta-se que as agências de rating operam como vetores do poder estadunidense, exercendo, simultaneamente, domínio nas dimensões financeira e do conhecimento na governança global do risco, produzindo avaliações que tendem a manter países ricos em grau de investimento, não por manipulação deliberada, mas sobretudo pela reprodução estrutural dessa proximidade com os EUA. Metodologicamente, a pesquisa combina uma cartografia temática dos ratings soberanos globais, elaborada no software QGIS, e a análise de estudos de caso pareados que comparam a trajetória dos ratings soberanos dos Estados Unidos e do Brasil entre 2008 e 2026. Os resultados demonstram que os Estados Unidos preservaram o grau de investimento mesmo diante do crescimento expressivo de sua dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o Brasil perdeu integralmente o grau de investimento em 2015 com um nível de endividamento proporcionalmente inferior ao americano, evidenciando uma assimetria no tratamento de fundamentos fiscais comparáveis.
Resumo (inglês)
This dissertation investigates the extent to which the sovereign risk assessment architecture operated by credit rating agencies (CRAs), with a focus on Standard & Poor's (S&P), reproduces power asymmetries between high-income and middle- and low-income countries, and how this bias manifests and intensifies within the context of the current polycrisis. Drawing on Susan Strange's concept of structural power, articulated with the concepts of expert systems and private authority, it is argued that rating agencies operate as vectors of United States power, exercising dominance simultaneously in the financial and knowledge dimensions of global risk governance, producing assessments that tend to keep wealthy countries at investment grade, not through deliberate manipulation, but chiefly through the structural reproduction of their proximity to the United States. Methodologically, the research combines thematic cartography of global sovereign ratings, developed in QGIS software, with the analysis of paired case studies comparing the trajectory of sovereign ratings for the United States and Brazil between 2008 and 2026. The results show that the United States retained its investment grade despite a substantial increase in its gross debt relative to Gross Domestic Product (GDP), whereas Brazil lost its investment grade entirely in 2015 with a proportionally lower level of indebtedness than that of the United States, evidencing an asymmetry in the treatment of comparable fiscal fundamentals.
Resumo (espanhol)
Esta disertación investiga en qué medida la arquitectura de evaluación del riesgo soberano operada por las agencias calificadoras de riesgo crediticio (ACRs), con foco en Standard & Poor's (S&P), reproduce asimetrías de poder entre países de renta alta y países de renta media y baja, y cómo este sesgo se manifiesta y se intensifica en el contexto de la actual policrisis. A partir del concepto de poder estructural de Susan Strange, articulado con los conceptos de sistemas expertos y autoridad privada, se argumenta que las agencias calificadoras operan como vectores del poder estadounidense, ejerciendo, simultáneamente, dominio en las dimensiones financiera y del conocimiento en la gobernanza global del riesgo, produciendo evaluaciones que tienden a mantener a los países ricos en grado de inversión, no por manipulación deliberada, sino sobre todo por la reproducción estructural de esa proximidad con los Estados Unidos. Metodológicamente, la investigación combina una cartografía temática de las calificaciones soberanas globales, elaborada en el software QGIS, con el análisis de estudios de caso pareados que comparan la trayectoria de las calificaciones soberanas de los Estados Unidos y de Brasil entre 2008 y 2026. Los resultados demuestran que los Estados Unidos preservaron el grado de inversión aun frente al crecimiento expresivo de su deuda bruta en relación con el Producto Interno Bruto (PIB), mientras que Brasil perdió por completo el grado de inversión en 2015 con un nivel de endeudamiento proporcionalmente inferior al estadounidense, evidenciando una asimetría en el tratamiento de fundamentos fiscales comparables.
Descrição
Idioma
Português
Citação
SILVA, Pedro Ernesto de Freitas e. Quem define o risco e a sua arquitetura global? : uma compreensão a partir do rating soberano e do poder estrutural na Policrise. Orientadora: Claudia Alvarenga Marconi. 2026. 105 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) – UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, São Paulo, 2026.



