A confiança e a ecologia da desinformação: análise do comportamento de busca informacional
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Pós-graduação
Ciência da Informação - FFC
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Embora mensagens fabricadas e rumores não sejam fenômenos exclusivos do século 21, a circulação massiva de informações e desinformações nas redes digitais configura um cenário sem precedentes. O termo fake news é insuficiente para abarcar a complexidade do fenômeno, cujas implicações cognitivas, sociais e estruturais vão além da simples identificação de conteúdos falsos. Nesse contexto, esta tese entende a desordem informacional como um sistema relacional, no qual importam não apenas seus componentes, mas sobretudo suas dinâmicas de interação, circulação e interpretação. Uma avaliação limitada da informação, baseada apenas em percepções individuais, pode levar a uma falsa sensação de confiabilidade. Fenômenos como câmaras de eco, efeito backfire, filtros bolha e viés de confirmação reforçam crenças prévias e tensionam a confiança em fontes institucionais. Como contribuição teórica central, a tese propõe o conceito de ecologia da desinformação, a partir da Teoria do Conceito de Dahlberg, compreendendo o ecossistema como base do fenômeno e a ecologia como perspectiva analítica de suas interações e interdependências. Nesse quadro, a confiança assume papel central na dinâmica da desinformação, especialmente nos processos de busca e seleção informacional. Na Ciência da Informação, observa-se uma lacuna no estudo da confiança do usuário no contexto mais amplo da desinformação, já que os estudos frequentemente se concentram na relação humano-computador. A pesquisa se fundamenta nos conceitos de desordem informacional de Wardle e Derakhshan e nas categorias de confiança de Marsh e Dibben. Metodologicamente, adota abordagem qualiquantitativa com 77 participantes das gerações X, Y e Z, combinando rastreamento ocular, pupilometria, entrevistas e questionários aplicados a 10 estímulos noticiosos, avaliados em escala Likert. Os resultados identificam diferentes heurísticas geracionais de avaliação da confiabilidade, cada uma com capacidades protetivas e vulnerabilidades específicas, indicando que nenhuma geração é mais crítica de forma universal. Como achado central, a familiaridade com o fato mostrou-se capaz de suprimir o comportamento de verificação em todas as gerações, independentemente da heurística acionada. Conclui-se que a confiabilidade é um estado situado, produzido na interação entre repertórios geracionais e o ambiente informacional, reforçando que a competência crítica em informação precisa ser geracionalmente situada e ecologicamente informada.
Resumo (inglês)
Although fabricated messages and rumors are not exclusive to the 21st century, the massive circulation of information and disinformation in digital networks creates an unprecedented scenario. The term fake news is insufficient to encompass the complexity of this phenomenon, whose cognitive, social, and structural implications go beyond the simple identification of false content. In this context, this thesis understands information disorder as a relational system, in which not only its components matter, but above all its dynamics of interaction, circulation, and interpretation. A limited evaluation of information, based solely on individual perceptions, can lead to a false sense of trustworthiness. Phenomena such as echo chambers, the backfire effect, filter bubbles, and confirmation bias reinforce prior beliefs and challenge trust in institutional sources. As a central theoretical contribution, the thesis proposes the concept of the disinformation ecology, based on Dahlberg’s Concept Theory, understanding the ecosystem as the ontological basis of the phenomenon and ecology as an analytical perspective on its interactions and interdependencies. Within this framework, trust plays a central role in the dynamics of disinformation, especially in processes of information seeking and selection. In Science Information, there is a notable gap in the study of user trust within the broader context of disinformation, as research has often focused on the human-computer relationship. The study is grounded in Wardle and Derakhshan’s concepts of information disorder and Marsh and Dibben’s categories of trust. Methodologically, it adopts a mixed-methods approach with 77 participants from Generations X, Y, and Z, combining Eye Tracking, pupilometry, interviews, and questionnaires applied to 10 news stimuli evaluated on a Likert scale. The results identify different generational heuristics for assessing credibility, each with protective capacities and specific vulnerabilities, indicating that no generation is universally more critical than another. As a central finding, familiarity with a fact was shown to suppress verification behavior across all generations, regardless of the heuristic activated. It is concluded that credibility is a situated state, produced through the interaction between generational repertoires and the information environment, reinforcing that critical information literacy must be both generationally situated and ecologically informed.
Resumo (espanhol)
Aunque los mensajes fabricados y los rumores no son exclusivos del siglo XXI, la circulación masiva de información y desinformación en las redes digitales configura un escenario sin precedentes. El término fake news resulta insuficiente para abarcar la complejidad de este fenómeno, cuyas implicaciones cognitivas, sociales y estructurales van más allá de la simple identificación de contenidos falsos. En este contexto, esta tesis comprende el desorden informativo como un sistema relacional, en el que no solo importan sus componentes, sino, sobre todo, sus dinámicas de interacción, circulación e interpretación. Una evaluación limitada de la información, basada únicamente en percepciones individuales, puede conducir a una falsa sensación de confiabilidad. Fenómenos como las cámaras de eco, el efecto rebote (backfire effect), las burbujas de filtro y el sesgo de confirmación refuerzan creencias previas y desafían la confianza en las fuentes institucionales. Como principal aporte teórico, la tesis propone el concepto de ecología de la desinformación, fundamentado en la Teoría de los Conceptos de Dahlberg, entendiendo el ecosistema como la base ontológica del fenómeno y la ecología como una perspectiva analítica de sus interacciones e interdependencias. En este marco, la confianza desempeña un papel central en las dinámicas de la desinformación, especialmente en los procesos de búsqueda y selección de información. En el campo de las Ciencias de la Información, existe una notable laguna en el estudio de la confianza del usuario dentro del contexto más amplio de la desinformación, dado que las investigaciones se han concentrado frecuentemente en la relación humano-computadora. El estudio se fundamenta en los conceptos de desorden informativo de Wardle y Derakhshan y en las categorías de confianza de Marsh y Dibben. Metodológicamente, adopta un enfoque de métodos mixtos con 77 participantes de las generaciones X, Y y Z, combinando Eye Tracking, pupilometría, entrevistas y cuestionarios aplicados a 10 estímulos noticiosos evaluados mediante una escala Likert. Los resultados identifican diferentes heurísticas generacionales para la evaluación de la credibilidad, cada una con capacidades de protección y vulnerabilidades específicas, lo que indica que ninguna generación es universalmente más crítica que otra. Como hallazgo central, se constató que la familiaridad con un hecho tiende a suprimir el comportamiento de verificación en todas las generaciones, independientemente de la heurística activada. Se concluye que la credibilidad es un estado situado, producido por la interacción entre repertorios generacionales y el entorno informativo, reforzando que la alfabetización crítica en información debe estar situada generacionalmente e informada ecológicamente.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
BARROS, Suellen Elise Timm. A confiança e a ecologia da desinformação: análise do comportamento de busca informacional. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2026.



