“Copiar eu gosto. Não gosto de fazer tarefa de criança especial”: cartografia das experiências de estudantes com deficiência sob o enfoque de uma educação inclusiva aleijada.

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Data

2019-12-11

Autores

Magnabosco, Molise de Bem

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

O paradigma da educação inclusiva, embasado no modelo social da deficiência, estabelece a necessidade de as escolas se organizarem para possibilitar o acesso das pessoas com deficiência à educação formal, com participação e aprendizagem, até os níveis mais elevados de ensino, segundo as capacidades de cada um. Desde a sua implantação, observamos o aumento do número de matrículas destes sujeitos no ensino regular. Contudo, ainda não conseguimos assegurar a participação com aprendizagem para todos os estudantes com deficiência que ingressam nas escolas, bem como observamos o estabelecimento de relações com eles pautadas em processos de discriminação e subalternização. Nesta perspectiva, a presente pesquisa buscou escutar os estudantes com deficiência e, a partir dos encontros estabelecidos com eles, cartografar as linhas de forças componentes das suas vivências nos contextos escolares. Com vistas a compreender os processos de subalternização em uma perspectiva interseccional, as bases teóricas deste estudo constituíram-se a partir da articulação das epistemes feministas e dos estudos de gênero com os estudos da deficiência, culminando na Teoria Crip. A pesquisa de campo aconteceu entre os meses de maio e outubro de 2018, em duas escolas da Rede Municipal de Ensino de Rondonópolis. Participaram dela onze estudantes, referidos como tendo deficiência, que tinham entre 9 e 13 anos de idade. Eles foram divididos em quatro grupos, tendo cada grupo encontros com periodicidade semanal. Neste processo, para além das singularidades da composição das cartografias de cada um dos quatro grupos, observei a constituição de movimentos que se compuseram a partir dos graus de aproximação ou distanciamento que os estudantes apresentavam dos padrões de normalidade: quanto mais próximos, melhor era a sua adaptação à escola. Para aqueles que mais se distanciavam, a escola se apresentou como um importante espaço de socialização, mas com poucas referências a uma aprendizagem sistematizada significativa. Deste modo, com vistas a fomentar uma educação de qualidade para todos, rompendo com processos de exclusão, indicamos a necessidade de se aleijar a educação inclusiva, trabalhando-a por meio de uma perspectiva queer/crip, que reconheça as diferenças como produzidas a partir das relações de poder estabelecidas nas escolas e busque a transformação social.
The inclusive education paradigm, based on the social model of disability, establishes the need for schools to organize themselves to enable people with disabilities to access formal education, with participation and learning, up to the highest levels of education, according to each one´s abilities. Since its implementation, we have observed an increase in these subjects´ enrollments in regular education. However, we are still unable to ensure learning participation for all students with disabilities who enter schools, and we have observed relationships with them based on processes of discrimination and subordination. In this perspective, the present research sought to listen to students with disabilities and, from the meetings established with them, to map the lines of forces that compose their experiences in school contexts. In order to understand the processes of subordination in an intersectional perspective, the theoretical bases of this study were constituted from the articulation of feminist epistemes and gender studies with the studies of disabilities, culminating at the Crip Theory. The field research took place between May and October 2018, in two schools of the Rondonópolis Municipal Education System. Eleven students, referred to as having disabilities, who were between 9 and 13 years old, participated in it. They were divided into four groups, each group meeting weekly. In this process, besides the singularities of the composition of the cartographies of each of the four groups, I observed the constitution of movements that were composed from the degrees of approximation or distance that the students presented with the normality patterns: the closer, the better was their adaptation to school. For those who were far from those standards, the school presented itself as an important space for socialization, but with few references to meaningful systematized learning. Thus, in order to promote quality education for all, breaking away from processes of exclusion, we point to the need to cripple inclusive education by working through a queer/crip perspective that recognizes differences as produced from relations of power established in schools and pursue social transformation.

Descrição

Palavras-chave

Educação Inclusiva, Teoria Crip, Estudos feministas da deficiência, Cartografia, Deficiência, Inclusive Education, Crip Theory, Feminist disability studies, Cartography, Disability

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