Dissertações - Ecologia e Biodiversidade - IBRC

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    O efeito de paisagens antropizadas sobre a assimetria flutuante de lepidópteros
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-12-16) Francisco, Ademir Junior; Côrtes, Marina Corrêa [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A atividade humana é uma força transformadora constante do meio ambiente que pode representar situações desafiadoras para indivíduos e populações. Pequenas diferenças entre os lados direito e esquerdo em organismos com simetria bilateral (ou seja, assimetria flutuante) foram apontadas como um indicador de instabilidade de desenvolvimento devido ao estresse ambiental. Aqui, investigamos se o nível de alteração antrópica está associado à assimetria nas asas de lepidópteros frugívoros Cissia eous (A. Butler, 1867) e Paryphthimoides poltys (Prittwitz, 1865) em paisagens agrícolas brasileiras (região do Interior da Mata Atlântica). A assimetria flutuante foi medida a partir de imagens das asas usando a abordagem de morfometria geométrica. Modelamos o efeito das métricas de paisagens medidas a partir do uso e cobertura do solo em três escalas espaciais diferentes sobre a assimetria flutuante média dos indivíduos capturados. Encontramos evidências de que a assimetria flutuante em ambas as espécies está conectada às transformações induzidas pelo homem no meio ambiente. Bordas florestais, áreas antrópicas, agricultura e Índice de Transformação Antrópica (ITA) foram as principais variáveis que explicam a assimetria. As duas espécies responderam de forma diferente em termos de escala e resposta à antropização. Concluímos que, apesar de ambas as espécies serem consideradas mais adaptadas ao ambiente antrópico, a assimetria flutuante em C. eous 'pode ser um indicador interessante de intensificação da pressão antrópica, enquanto a antropização pode ter um efeito mais severo no fitness dos indivíduos de P. poltys.
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    Padrão espacial da chuva de sementes gerada por aves dispersoras de uma palmeira tropical
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-08-04) Winter, Mariana Giuliatti [UNESP]; Côrtes, Marina Corrêa [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A diversidade de espécies em florestas tropicais é fortemente moldada por interações mutualistas entre as plantas e os animais que se alimentam de frutos e que dispersam sementes. Compreender os processos subjacentes à dispersão de sementes é importante para entender como e onde se inicia o ciclo de vida das plantas, influenciando a manutenção populacional e moldando as respostas às mudanças globais. Este trabalho teve como objetivo investigar o padrão espacial da chuva de sementes de uma palmeira considerada uma espécie chave, Euterpe edulis. Nossas três hipóteses são: (1) a chuva de sementes é agregada e espacialmente associada a plantas coespecíficas frutificando; (2) a chuva de sementes é agregada e espacialmente associada a plantas heteroespecíficas zoocóricas; e (3) terrenos com desnível mais baixo acumulam maior chuva de sementes. Usamos a localização geográfica das palmeiras reprodutivas e coletamos e georreferenciamos 455 sementes recém-dispersas em uma parcela de 1 ha no Parque Estadual da Serra do Mar (núcleo Santa Virgínia) em São Paulo. Utilizamos as análises de padrões de pontos uni- e bivariados para caracterizar a distribuição espacial da chuva de sementes. Os resultados foram baseados em 455 sementes, 186 palmeiras adultas e 911 indivíduos arbóreos de espécies zoocóricas que se reproduzem no mesmo período da espécie modelo. As análises de padrão de pontos indicaram que as sementes estão espacialmente agregadas e espacialmente associadas às palmeiras reprodutivas. Porém, não corroboramos a hipótese sobre as heterospecíficas, já que as sementes apresentaram independência espacial em relação às árvores zoocóricas heteroespecíficas. A hipótese três foi corroborada, já que observamos uma maior intensidade de padrão de pontos (sementes) em terrenos mais baixos. Este estudo foi realizado em uma das reservas mais preservadas da Mata Atlântica. Portanto, o padrão de dispersão que observamos representa o resultado de interações biodiversas, em seu melhor cenário. Sabemos que a defaunação, por ocasionar a extirpação de grandes animais e frugívoros, pode afetar a quantidade e padrão de dispersão de sementes. Então é importante conhecer o sistema em um local preservado para entendermos o que estamos perdendo em ambientes fragmentados, que é o que mais sobrou da Mata Atlântica.
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    Variação histórica e espacial do regime de fogo do Cerrado paulista
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-03-03) Conciani, Dhemerson Estevão; Silva, Thiago Sanna Freire [UNESP]; Alvarado, Swanni Tatiana; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    O Cerrado ocupa 25% do território brasileiro, sendo considerado o segundo maior bioma do país, atrás apenas da floresta Amazônica. Nas últimas décadas o Cerrado experimentou um rápido declínio em sua vegetação nativa, sendo substituído principalmente por agricultura e pastagem. Hoje, menos de 8% do Cerrado encontra-se legalmente protegido no Brasil. Considerando o contexto do estado de São Paulo (SP), esta situação é ainda pior e menos de 1% da cobertura original do Cerrado encontra-se protegida. Neste cenário, os poucos remanescentes de vegetação nativa que restaram no estado de SP estão abrigados no interior de Unidades de Conservação (UC). Por sua vez, essas UCs possuem áreas que variam desde 200 hectares (ha) até 9000 ha, sendo consideradas relativamente pequenas quando comparadas à UCs de Cerrado em outros estados do Brasil. Considerando a raridade de áreas protegidas no Cerrado paulista, a conservação efetiva dessas UCs é fundamental para garantir a provisão de serviços ecossistêmicos e a preservação da biodiversidade. Contudo, as atividades desenvolvidas na zonas de amortecimento (ZA), isto é, no entorno imediato dessas UCs, impactam negativamente sobre a conservação, contribuindo para disseminação de espécies invasoras e na ignição de queimas acidentais e criminosas. Buscando contribuir no entendimento dessa dinâmica, nós desenvolvemos um algoritmo, geramos e validamos um produto de áreas queimadas adaptado para o contexto do Cerrado paulista entre 1985 e 2018 (acurácia= 79%, erro de omissão= 16%, erro de comissão= 9%). Através de uma análise combinada entre os padrões de área queimada e as mudanças no uso e cobertura do solo nas últimas três décadas, nós identificamos que o padrão de queimadas no Cerrado paulista pode ser explicado pelo tipo de uso do solo. De um modo geral, o regime de fogo nesta região pode ser caracterizado como antrópico, ocorrendo principalmente em áreas de pastagem e cultivos de cana-de-açúcar. As UCs com cobertura predominantemente florestal não queimaram ou pouco queimaram ao longo da série temporal analisada. Por outro lado, picos de área queimada foram identificados a cada 8-9 anos para as UCs campestres enquanto ciclos de queima a cada 2-3 anos foram identificados nas UCs com densa invasão por gramíneas africanas. Novas estratégias de manejo que deem autonomia e segurança jurídica para os gestores prescreverem queimas controladas precisam ser implementadas no Cerrado paulista, especialmente nas UCs campestres. Por outro lado, as UCs densamente invadidas por gramíneas africanas coincidem com áreas de conflito fundiário e/ou forte pressão urbana. Nesse contexto, é preciso buscar alternativas de restauração para essas áreas e fomentar a inclusão das comunidades locais em um modelo de gestão participativa como forma de mitigar os efeitos das pressões antrópicas e aumentar a efetividade de conservação dessas áreas.
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    Modelagem de competição por luz e atributos funcionais de plantas sob aumento de [CO2] na Floresta Amazônica
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-04-26) Cardeli, Bárbara Rocha; Lapola, David Montenegro [UNESP]; Silva, Thiago Sanna Freire [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    As emissões de carbono na atmosfera, desde o início da Era Industrial (1750), aumentaram 40%, de 278 ppm (partes por milhão) para 413.61 ppm em 2020 (NOAA, 2021), por conta, principalmente, das atividades humanas. Estudos mostram que a concentração de CO 2 na atmosfera determina o resultado da competição entre a vegetação. Vários modelos dinâmicos da biosfera terrestre (os chamados Modelos Dinâmicos de Vegetação Global) foram desenvolvidos para melhor compreender a resposta da vegetação às perturbações humanas, usando princípios ecofisiológicos para modelar a distribuição dos tipos funcionais das plantas. O objetivo deste estudo foi compreender como a competição ecológica relacionada às características funcionais das plantas altera a resposta das plantas tropicais da Amazônia sob mudanças nas condições ambientais, para isso será investigado (i) como a competição por luz está atualmente representada nos modelos de vegetação terrestre e (ii) como o funcionamento ecológico da Floresta Amazônica será afetado pelo aumento de CO 2 em uma versão do modelo que considera a competição pela luz, usando o modelo CAETÊ-DGVM (CArbon and Ecosystem functional Trait Evaluation model). Serão selecionados dois atributos funcionais, que estão intimamente relacionados à competição por luz para serem tomados como os novos atributos variantes do modelo: densidade da madeira e área foliar específica. A avaliação dos resultados demonstrou que a versão do CAETÊ com a competição por luz aumentou consideravelmente os níveis de NPP e biomassa na Amazônia, além de ter impactado o estabelecimento de diferentes estratégias de vida de planta em todo o bioma em relação à versão anterior. O aumento de CO 2 contribuiu para o aumento da produtividade mas assegurou os mesmos padrões de biomassa de um clima regular, levantando hipóteses acerca da influência do mesmo sob diferentes atributos funcionais além dos simulados. Os resultados deste estudo demonstram os efeitos do aumento do CO 2 e de outros fatores que agem como importantes filtros ambientais para o funcionamento e estruturação da comunidade.
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    Modelagem da relação entre fenologia foliar e hidráulica das plantas na floresta Amazônica: uma abordagem trait-based dos efeitos da precipitação reduzida
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-04-23) Sophia, Gabriela Martins; Lapola, David Montenegro [UNESP]; Morellato, Leonor Patrícia Cerdeira [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Modelos dinâmicos de vegetação global (DGVMs) vêm sendo desenvolvidos para melhor entender as respostas da vegetação às mudanças climáticas. No entanto, os DGVMs geram respostas variáveis uma vez que a vegetação é representada por poucos tipos funcionais de plantas. Modelos baseados na variabilidade dos atributos funcionais surgem como alternativa para representar melhor as estratégias de vida adotadas pelas plantas. Incluir a fenologia foliar nesses modelos é de suma importância pois a mesma é capaz de controlar a sazonalidade dos fluxos de carbono, água e energia. Em florestas tropicais como a Amazônia, a fenologia é impulsionada principalmente pela disponibilidade de água no solo. Portanto, simular os impactos de um clima mais seco requer a conexão entre fenologia e estratégias hidráulicas das plantas. Este trabalho contribuiu para o desenvolvimento do modelo CAETÊ com a implementação de um módulo de fenologia foliar vinculado ao sistema hidráulico das plantas. O desenvolvimento foi aplicado para todo o bioma Amazônico e teve como objetivo principal melhorar a representação da sazonalidade do índice de área foliar (LAI) com consequente melhoria no ciclo do carbono e água, a fim de avaliar os impactos da mudança do clima sobre ambos. Para tal, dois atributos funcionais foram utilizados como variantes: WD (densidade da madeira - determinando a hidráulica) e τfolhas (tempo de residência do carbono nas folhas - determinando a idade foliar). Equações já existentes em outros modelos de vegetação foram usadas e adaptadas ao modelo CAETÊ. O modelo foi aplicado com uma redução de 30% da precipitação. Como resultados, a inclusão do módulo de fenologia melhorou o desempenho do modelo em relação à sazonalidade do LAI nas regiões em que a água no solo é um fator limitante; bem como melhorou a representação da produtividade primária bruta do ecossistema (GPP) e proporcionou uma variabilidade espacial mais demarcada da região Amazônica. A nível de ciclagem biogeoquímica, uma redução na precipitação em 30% levou à uma redução na provisão de água no solo, na GPP, LAI e evapotranspiração (ET) para regiões menos úmidas da Amazônia; enquanto que para áreas mais úmidas não houve impactos evidentes, coerente às observações de que nessas regiões uma redução no regime de chuva não é suficiente para determinar os processos biogeoquímicos e LAI. Por fim, conclui-se de modo geral que a inclusão da fenologia foliar melhora o desempenho do modelo, mas que é necessário ajustes no novo módulo para que represente a sazonalidade também em regiões que não são determinadas pela água no solo.
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    Large mammalian herbivores modulate plant life-form diversity in tropical forests
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-03-12) Souza, Yuri Silva de [UNESP]; Rodrigues, Mauro Galetti [UNESP]; Barros, Tadeu de Siqueira [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Os biomas terrestres do mundo são amplamente classificados de acordo com as formas de vida de plantas dominantes que definem a estrutura e os processos do ecossistema. Embora a abundância e distribuição dessas formas de vida possam ser fortemente determinadas por fatores como clima e composição do solo, grandes mamíferos herbívoros têm um forte impacto nas comunidades dessas plantas, portanto, a defaunação (a extinção local ou funcional de grandes animais) tem o potencial de alterar a estrutura de composição das formas de vida das plantas em ecossistemas naturais. As florestas tropicais sustentam uma grande diversidade de formas de vida, incluindo árvores, palmeiras, lianas, arbustos, ervas e bambus, todos os quais desempenham funções importantes do ecossistema. Aqui, avaliamos experimentalmente como grandes mamíferos herbívoros afetam a dominância, diversidade e coexistência de formas de vida de plantas em florestas tropicais usando um experimento de exclusão replicado de longo prazo na Mata Atlântica do Brasil. Ao longo de 10 anos, a exclusão de grandes herbívoros diminuiu a diversidade de formas de vida, aumentou a abundância absoluta de palmeiras e árvores (22% e 38%, respectivamente) e aumentou a diversidade de espécies dentro desses dois grupos, em detrimento de outras formas de vida. Além disso, todas as correlações entre formas de vida foram positivas em parcelas onde os herbívoros tinham acesso, enquanto várias relações negativas surgiram em parcelas onde os herbívoros foram excluídos. Isso ocorreu devido a diversos mecanismos temporais que afetou as comunidades de plantas em ambos os tratamentos experimentais. Nosso trabalho indica que a defaunação altera a dominância das formas de vida e diminui a diversidade e coexistência dessas plantas e, portanto, pode levar a impactos profundos em funções importantes do ecossistema e uma simplificação na estrutural vertical das florestas tropicais.
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    Efeito do regime de predação sobre o tamanho e a forma do gonopódio de Poecilia vivipara (Cyprinodontiformes, Poeciliidae)
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2021-02-25) Pinheiro, Rafael Bim Ongaro [UNESP]; Araújo, Márcio Silva [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A predação é um fator que só recentemente foi considerado relevante para a diversificação morfológica da genitália masculina. As hipóteses deste trabalho baseiam-se no fato de que o risco de predação atuaria como um fator significativo para a diferenciação morfológica da genitália, pois o risco de predação poderia interferir no comportamento sexual dos indivíduos na presença de predadores, selecionando genitálias com morfologia que desempenhe a cópula mais eficientemente. Utilizando populações de Poecilia vivipara coletadas no sistema de lagoas do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, estado do Rio de Janeiro, que habitam lagoas cuja presença e abundância de peixes piscívoros variam, testamos se (i) machos de populações que habitam lagoas com baixo risco de predação apresentam genitálias com comprimentos menores; (ii) as genitálias dos machos não apresentam diferenças em suas áreas, independente do risco de predação; e (iii) machos de populações sujeitas a um alto risco de predação, apresentam a ponta da genitália com forma mais fina e alongada em relação aos machos de lagoas que apresentam um baixo risco de predação. Observamos que machos de ambientes com baixo risco de predação apresentaram genitálias com área maior em relação a machos de ambientes com alto risco de predação. O comprimento da genitália e a forma da ponta distal da genitália não variaram significativamente entre as lagoas independente do risco de predação, ainda que tenha sido possível observar uma tendência de pontas da genitália mais finas e alongadas em machos de ambientes com alto risco de predação. As populações, apesar de independentes entre si, podem não estar isoladas tempo o suficiente para a diversificação das genitálias masculinas. Mesmo em se tratando de um sistema de acasalamento furtivo, é possível que as fêmeas exerçam preferência por determinados machos, influenciando a morfologia de sua genitália.
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    Effect of fruit handling by frugivores on seed dispersal effectiveness
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2020-11-04) Sepulvida, Raíssa [UNESP]; Culot, Laurence Marianne Vincianne [UNESP]; Peres, Carlos Augusto; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A dispersão de sementes por animais contribui para manutenção da biodiversidade em florestas tropicais. A zoocoria é um processo importante para muitas espécies de plantas porque diminui a lacuna entre a produção de frutos e o recrutamento de plântulas. A manipulação das sementes por frugívoros (através da limpeza das sementes e remoção destas para longe do coespecífico) contribui para reduzir a mortalidade de sementes e aumentar o sucesso de germinação e recrutamento. No entanto, ainda pouco se sabe o quanto esses efeitos variam de acordo com as características dos frutos/sementes. Estudos sugerem que a limpeza da semente afeta positivamente espécies com frutos de polpa carnosa, pois a remoção da polpa reduz a atração de patógenos. A remoção da semente para longe das árvores coespecíficas auxilia as sementes a escaparem da mortalidade dependente da densidade. Esse efeito, portanto, deve ser maior em espécies submetidas a um forte feedback negativo da relação planta-solo. Nesse estudo, nós investigamos como a limpeza da semente e a remoção para longe do coespecífico afetam a germinação, emergência de plântulas e sobrevivência das sementes de três espécies que possuem características distintas: Castilla ulei (Moraceae; polpa carnosa com alta aderência e sementes com tegumento fino), Hymenaea parvifolia (Fabaceae; vagem lenhosa resistente, polpa farinácea e tegumento espesso) e Byrsonima arthropoda (Malpighiaceae; polpa carnosa revestindo um pirênio lenhoso e resistente que reveste 2-3 sementes). Nós também estimamos a variação percentual do efeito do manuseio pelo frugívoro na eficácia da dispersão de sementes (EDS – estimado como a proporção de sementes/plântulas que sobrevivem até o final do estudo) das plantas quando comparado ao sucesso reprodutivo esperado na ausência dos dispersores. Para isso, nós realizamos um experimento de campo no sudeste da Floresta Amazônica (terra firme), Mato Grosso, aplicando uma combinação de tratamentos às sementes das espécies: sementes limpas, sementes com polpa, debaixo ou longe de uma árvore coespecífica. A limpeza da semente aumentou significativamente a germinação, a emergência de plântulas e a sobrevivência da C. ulei enquanto a remoção das sementes para longe do coespecífico teve um efeito negativo, porém fraco, na emergência de plântulas. Nenhuma semente com polpa dessa espécie sobreviveu, assim, a limpeza das sementes por frugívoros aumentou de forma assintótica o EDS de C. ulei. A deposição de sementes embaixo do heterospecífico aumentou significativamente o sucesso de germinação de H. parvifolia, porém, de forma fraca. A limpeza da semente e a remoção não afetaram a emergência de plântulas nem a sobrevivência. Apesar do efeito positivo (porém, fraco) da remoção da semente para longe do coespecífico na germinação da H. parvifolia, tal efeito não foi suficiente para aumentar a sobrevivência de sementes/plântulas, a qual, na verdade, decresceu por até 25%. B. arthropoda não germinou durante o período de estudo e nós encontramos que a limpeza da semente diminuiu a sobrevivência da espécie, consequentemente reduzindo o EDS por até 75%. Nossos resultados sugerem que a limpeza da semente e remoção para longe do coespecífico afetam as plantas de forma diferente de acordo com o estágio de vida e com as espécies. Essa diferença na resposta pode ser explicada pelas características dos frutos e sementes. Pesquisas adicionais investigando as respostas das plantas ao manuseio pelo frugívoro de acordo com característica funcionais irá auxiliar a prever o efeito da ausência de dispersores de sementes na regeneração das florestas.
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    Limitação da dispersão de sementes e suas consequências genéticas em remanescentes da Mata Atlântica
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2020-10-14) Lucas, Marília Souza; Côrtes, Marina Côrrea [UNESP]; Carvalho, Carolina da Silva [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A dispersão de sementes é o primeiro passo no recrutamento de populações naturais de plantas, é um processo importante para a manutenção do fluxo gênico e diversidade genética das populações naturais. A dispersão de sementes mediada por animais é influenciada pelo número e o comportamento de dispersores. Os frugívoros de grande porte são importantes na dispersão de sementes a longas distâncias, podendo conectar populações promovendo fluxo gênico e maior sobreposição das chuvas de sementes, fazendo com que indivíduos próximos sejam menos aparentados geneticamente. Portanto, a redução ou perda desses animais (defaunação) pode acarretar na redução da distância da dispersão. O presente trabalho investigou a limitação devido ao encurtamento da distância e a limitação devido à dispersão contagiosa de sementes geneticamente relacionadas de uma palmeira (Euterpe edulis) da Mata Atlântica no estado de São Paulo. Coletamos sementes dispersas em sítios de deposição estabelecidos por coletores de sementes e amostras do estipe de palmeiras reprodutivas na vizinhança desses sítios em dez remanescentes florestais com diferentes graus de defaunação. Utilizando sete marcadores moleculares de microssatélites e testes de maternidade, quantificamos a distância de dispersão de sementes que ocorre em escala local e avaliamos a relação genética (coancestria) entre sementes dispersas. Sementes sem atribuição a palmeiras-mães foram consideradas imigrantes locais e sementes atribuídas foram usadas para calcular a distância de dispersão exata. Além disso, quantificamos a coancestria entre sementes dispersas e entre os adultos dentro dos sítios de deposição. A imigração local variou de 55 a 100% entre as áreas, indicando uma baixa limitação da dispersão pela distância em todas as áreas. A variação encontrada entre os sítios de deposição não foi explicada pela perda dos frugívoros, mas foi explicada pelo número de palmitos frutificando, com imigração maior em sítios com menor abundância de adultos. Áreas com alta densidade de palmeiras frutificando atraem os animais e faz com que eles permaneçam comendo e soltando sementes na mesma área, mostrando a importância da agregação de recursos e densidade para dispersão. Além dos altos valores de imigração, encontramos uma alta porcentagem (0 a 70%) de sementes meio-irmãs e coancestria entre sementes maior do que a encontrada em adultos e a esperada ao acaso. As populações de Euterpe edulis são espacialmente agregadas, o que aumenta a probabilidade das sementes de meio-irmãs dispersas, e consequentemente maior será o parentesco da população. Esses resultados indicam que assembleias empobrecidas de 5 avifauna frugívora, principalmente compostas por sabiás (Turdus spp.), são eficientes para dispersar sementes e genes em escala local.
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    Efeito da quantidade de floresta na predação de sementes e frugivoria em diferentes tipos de ambientes
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2020-02-18) Alves, Rafael Souza Cruz; Ribeiro, Milton Cezar [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Alterações antrópicas no nível de paisagens afetam de maneiras distintas os diversos grupos de animais e plantas. Tais alterações afetam a composição de espécies e estrutura de comunidades de mamíferos e aves, resultando na perda de funções ecológicas essenciais para a manutenção das florestas. Dentre os processos que podem ser mais afetados inclui-se a frugivoria e a predação de sementes. Desta forma, avançar os conhecimentos de como a paisagem e os tipos de ambientes influenciam tais processos é essencial para a proposição de estratégias que beneficiem a conservação da biodiversidade e manutenção de processos ecológicos. Este estudo tem por objetivo responder qual a contribuição relativa da proporção de vegetação florestal, do tipo de ambiente e sua interação sobre a predação de sementes e frugivoria. Estudamos quatro tipos de ambientes: interior de floresta continua, fragmento florestal, borda de floresta e corredor florestal. O estudo foi realizado em uma região de ecótono entre os biomas Amazônia e Cerrado no estado de Mato Grosso, Brasil. Nessa região foram selecionadas 17 paisagens, representando um gradiente de quantidade de floresta de 10% a 86% em um raio de 3 km. Nessas paisagens avaliamos a frugivoria utilizando frutos artificiais e a predação de sementes utilizando sementes de amendoim e girassóis. Nossos resultados sugerem que a frugivoria por aves foi positivamente relacionada a proporção florestal para aves de médio e grande porte, bem como para a frugivoria total por aves, entretanto a magnitude do efeito variou de acordo com o grupo de aves. Já a frugivoria por pequenos mamíferos apresentou relação negativa com a proporção florestal, sem muito efeito acima de 0,3 de quantidade de floresta. A predação foi influenciada apenas marginalmente pela proporção florestal. Em termos gerais observamos que o tipo de ambiente não influenciou a frugivoria e nem a predação de sementes. Com isso, nossos resultados demonstram que a cobertura florestal tem um duplo efeito negativo na dispersão de sementes, uma vez que reduz a frugivoria e aumenta as taxas de predação. Dessa forma, para a manutenção de funções e serviços ecossistêmicos em que a predação e frugivoria são processos importantes, devemos levar em consideração a quantidade de floresta remanescente na região de interesse.
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    Inflamabilidade de espécies do estrato herbáceo do Cerrado
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-11-29) Zanzarini, Vagner Augusto [UNESP]; Fidelis, Alessandra Tomaselli [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Sistemas savânicos são compostos por espécies herbáceas, principalmente gramíneas C4, as quais se expandiram há milhões de anos atrás, alterando a ocorrência de fogo nas regiões sub e tropicas do globo terrestre. Assim sendo, em sistemas como o Cerrado, onde o fogo está presente há pelo menos 4 milhões de anos, as espécies selecionadas por este fator possuem atributos inflamáveis que contribuem para a propagação das chamas. A essa capacidade que diversas espécies possuem de entrarem em combustão e serem consumidas, chamamos de inflamabilidade, sendo um componente essencial dos sistemas inflamáveis, contribuindo para o regime de fogo do ambiente, a partir de fatores ambientais, como a sazonalidade, e composição de espécies. Sendo assim, este trabalho teve como objetivo compreender a inflamabilidade das espécies herbáceas de ambientes savânicos do Cerrado, bem como entender quais são os grupos e os atributos vegetais que mais influenciam a inflamabilidade do sistema de acordo com a sazonalidade do ambiente. Diferentes espécies de herbáceas, arbustos e gramíneas foram coletadas em áreas de campo sujo do Cerrado durante a estação chuvosa e ao longo da estação seca (começo, meio e fim). Medições dos atributos de inflamabilidade (temperatura máxima, taxa de queima e biomassa consumida) e morfofisiológicos (biomassa morta, teor de umidade e área específica foliar) dessas espécies foram realizadas durante tais épocas, afim de compreender se existia variações na inflamabilidade. Além disso, 21 espécies de gramíneas também foram coletadas no meio da estação seca em duas regiões de Cerrado campo sujo diferentes, onde os atributos citados acima também foram mensurados. Com isso, avaliamos a variabilidade na inflamabilidade entre as diversas espécies de gramíneas, além de compreender qual atributo vegetal estaria mais relacionado com o aumento da inflamabilidade. Assim sendo, concluímos que as gramíneas são as espécies que estão influenciando significativamente a inflamabilidade das vegetações savânicas, principalmente durante o meio da estação seca, pois é quando esse grupo encontrou-se mais inflamável. Por otro lado, os arbustos e as herbáceas se mostraram com baixa inflamabilidade, independente da época do ano. As gramíneas apresentaram tais variações entre as estações devido as mudanças na quantidade de biomassa morta e no teor de umidade, os quais foram considerados os principais influenciadores da inflamabilidade. Por fim, também foi possível observar que nem todas as espécies de gramíneas possuem a mesma inflamabilidade, havendo espécies menos e mais inflamáveis no sistema, contribuindo para a propagação heterogênea do fogo. Além disso, constatamos que a quantidade de biomassa morta foi o atributo vegetal que contribuiu para o aumento da inflamabilidade das espécies. Portanto, diante de tais resultados, concluímos que a presença das gramíneas compondo o estrato herbáceos dos sistemas savânicos, como o Cerrado, torna-se imprescindível para manter a inflamabilidade do sistema, bem como o regime de fogo, além de manter as características ambientais e estruturais das fisionomias abertas, fazendo com que espécies como arbustos e herbáceas sejam também consumidas pelo fogo e, consequentemente, persistam na comunidade.
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    Especialização individual no uso de recursos alimentares de Characidium schubarti (Crenuchidae)
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-08-27) Pompeu, Caio Carneiro Leão; Araújo, Márcio Silva [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A variação individual no uso de recursos alimentares pode depender de fatores ecológicos como a competição intra e interespecífica, predação, além da diversidade e abundância de recursos. O objetivo deste trabalho foi identificar as causas da variação individual no uso de recursos alimentares em populações do peixe Characidium schubarti, conh’ecido como “charutinho” e descrito como insetívoro bentônico. O estudo foi realizado em riachos de Mata Atlântica no Parque Estadual Carlos Botelho, núcleo São Miguel Arcanjo, região sudeste do Estado de São Paulo. Os charutinhos foram coletados ao longo de transectos em 11 riachos diferentes. Foram coletadas amostras da comunidade de invertebrados bentônicos em cada riacho para a obtenção de estimativas da diversidade e abundância de recursos alimentares. Identificamos e quantificamos todas as possíveis espécies de peixes competidoras (insetívoros bentônicos). Nossos resultados sugerem significativa variação na dieta dos indivíduos de todas as populações, porém com baixo grau de especialização individual. Nós não encontramos efeito significativo da oportunidade ecológica (diversidade de recursos), produtividade secundária (biomassa de recursos) e competição (densidade de charutinhos e competidores) sobre o grau de variação na dieta nas populações estudadas.
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    Effects of domestic megafauna and landscape on diversity of mammals in Atlantic Forest remnants
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-10-30) Rodrigues, Laís Lautenschlager [UNESP]; Rodrigues, Mauro Galetti [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A conversão de paisagens florestais para usos antrópicos é a principal causa do desmatamento das florestas tropicais em todo o mundo. Essas florestas são conhecidas por conter parte significativa da biodiversidade terrestre global, porém pouco se sabe sobre como as modificações na paisagem, como a perda de habitat para produção agropecuária e o principalmente o impacto do gado afetam a diversidade e ocupação de mamíferos resilientes nesses fragmentos. Sendo assim, nós examinamos como a riqueza de espécies e a composição de mamíferos são explicadas pela configuração da paisagem e como a presença do gado afeta a detecção de mamíferos de médio e grande porte. Foram amostradas 20 paisagens dominadas por pastagens ao longo de um gradiente de cobertura florestal (8% a 98%), no sudeste do Brasil. Nós registramos 75% das espécies de mamíferos esperadas para esta região em uma cobertura florestal de média a alta. A cobertura florestal, distância euclidiana do vizinho mais próximo e área estrutural foram as variáveis que melhor explicaram a ocorrência de algumas espécies de mamíferos dependentes de floresta. As comunidades de mamíferos exibiram um alto grau de alternação de espécies entre as paisagens, representando 95% da diversidade beta total. Os impactos da pecuária foram mostrados devido ao seu efeito negativo na detecção de espécies florestais e positivo na detecção de grupos de espécies não florestais. Discutimos a importância de manter fragmentos com alta cobertura vegetal para melhorar a conectividade entre paisagens perturbadas, favorecendo o fluxo de espécies de mamíferos, além da urgente necessidade de uma melhor compreensão dos impactos gerais do gado sobre a fauna e flora em remanescentes florestais, em uma escala mais fina que considere o interior dos fragmentos, avaliando quais os efeitos da presença do gado na alteração da qualidade desses ambientes e assim aprimorando a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.
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    Filogeografia do complexo pitcairnia flammea (Bromeliaceae)
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-08-21) Mota, Mateus Ribeiro; Silva, Clarisse Palma da [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A filogeografia surgiu como uma ponte entre várias disciplinas evolutivas, como a genética populacional, filogenia e biogeografia, estabelecendo ligações entre os estudos micro e macro evolutivos. A filogeografia tem sido cada vez mais utilizada para estudar a evolução de regiões com altos índices de diversidade, como a região Neotrópical. Os Neotrópicos apresentam uma grande variedade de biomas, incluindo a Floresta Atlântica, a segunda maior floresta tropical da América do Sul, contendo mais de 60% de todas as espécies terrestres do planeta. Um número crescente de estudos filogeográficos com espécies da Floresta Atlântica nos ajudado a entender os processos evolutivos que gradualmente formaram essa grande biodiversidade. Realizamos análises filogeográficas, avaliando padrões de estrutura e diversidade genética, tempo de divergência das linhagens e a demografia histórica do complexo de espécies Pitcairnia flammea (Bromeliaceae), grupo adaptado a inselbergs neotropicais naturalmente fragmentados, baseados em conjuntos de dados de microssatélites nucleares e sequências plastidiais. Nossos resultados mostraram baixa a moderada diversidade genética nuclear dentro de populações de P. flammea, e alta estrutura genética populacional, com poucos haplótipos de DNA plastidial compartilhados entre populações, indicando fluxo gênico limitado e baixa conectividade entre afloramentos rochosos. Não encontramos nenhuma estrutura filogeográfica clara, além de duas linhagens evolutivas que divergiram aproximadamente 2 Mya., sugerindo um papel importante das mudanças climáticas no início do Pleistoceno na diversificação do complexo de espécies de P. flammea. Além disso, não encontramos congruência direta entre divergência genética populacional e delimitação taxonômica. Este estudo vem apoiar o fato de que afloramentos rochosos são centros de diversidade de espécies e endemismo, por serem naturalmente isolados, contribuindo para a grande diversidade genética e morfológica observada atualmente nestas regiões. Em conjunto com estudos de genética de populações e filogeografia de outros organismos, as informações aqui geradas ajudam a esclarecer os processos complexos responsáveis pela origem e manutenção da biodiversidade dos Neotrópicos, especificamente da Floresta Atlântica.
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    Modelagem da alocação, tempo de residência do carbono e diversidade funcional em florestas tropicais: uma abordagem "trait-based" e os efeitos do CO2 elevado
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2017-07-28) Rius, Bianca Fazio; Lapola, David Montenegro [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    O impacto do aumento da concentração atmosférica de CO 2 sobre as florestas tropicais é incerto. Uma das fontes de incerteza está na má representação da diversidade funcional encontradas nestes ecossistemas pelos modelos de vegetação atuais. Este trabalho teve como objetivo investigar como a inclusão da representação da variabilidade dos atributos funcionais pode afetar o desempenho dos modelos vegetação e os impactos que o aumento da concentração atmosférica de CO 2 pode ter sobre as florestas tropicais, com foco nos processos de alocação, tempo de residência do carbono e armazenamento de carbono, bem como na diversidade funcional das mesmas. Para tal foi desenvolvido o modelo CAETÊ (Carbon and Ecosystem Functional-Trait Evaluation model) com foco no módulo que representa a alocação e o tempo de residência do carbono. Foram utilizadas duas versões do modelo: (i) versão beta: vegetação representada através de tipos funcionais de plantas (PFTs), a exemplo dos modelos de vegetação atuais, em que os atributos funcionais são invariantes no espaço e no tempo; (ii) versão final: os indivíduos são resultado da combinação aleatória de valores de atributos funcionais de modo a gerar uma ampla gama de estratégias de vida de planta (PLSs) que substituem os PFTs comumente utilizados. A versão final foi aplicada a um cenário de aumento de concentração de CO 2. A inclusão da variabilidade dos atributos funcionais (versão final) melhorou a capacidade do modelo em representar os fluxos biogeoquímicos e os estoques, principalmente no que concerne aos padrões espaciais quando comparada a versão de baixa diversidade funcional (versão beta). O incremento do CO 2 gerou estímulo na NPP, na GPP e na biomassa, embora o estímulo desta última tenha sido em menor magnitude. A diversidade funcional diminuiu com o incremento atmosférico de CO 2. E houve modificação nos padrões dos atributos funcionais com tendência para maior porção da NPP alocada para raízes finas e diminuição no tempo de residência do carbono. Esta modificação afetou os resultados finais associados aos fluxos biogeoquímicos e estoques. Os resultados deste estudo reforçam a importância da representação da diversidade funcional nos ecossistemas tropicais pelos modelos de vegetação e estabelece bases para futuras aplicações que podem explorar explicitamente os efeitos das mudanças ambientais em ecossistemas com altos níveis de diversidade, permitindo uma representação temporal e espacial mais flexível da estrutura e funcionamento dos ecossistemas terrestres .
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    Seleção de dormitórios pelos micos-leões-pretos: uma comparação entre floresta contínua e fragmento
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-06-04) Silva, Leonardo Henrique da; Culot, Laurence Marianne Vincianne [UNESP]; Boyce, Mark S.; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    A seleção de dormitórios pelos primatas pode ser influenciada por diversos fatores, como a predação, termorregulação e defesa de território. Nosso objetivo foi investigar quais desses fatores influenciam a seleção de dormitórios pelos micos-leões-pretos e se há divergência nas características dos dormitórios entre uma floresta contínua e um fragmento. Estudamos dois grupos de mico-leões-pretos, um numa floresta contínua e um num fragmento na região do Pontal do Paranapanema, São Paulo, Brasil. Nós coletamos os dados sobre as características físicas dos dormitórios e das árvores disponíveis no habitat. Usamos testes de Mann-Whitney para comparar as características físicas dos dormitórios com as árvores disponíveis e Funções de Seleção de Recursos (RSF) para entender quais dessas características são mais importantes na escolha dos dormitórios. Os micos-leões-pretos usaram árvores mais altas, com menor número de conexões de copas e com um alto grau de cobertura de copa para dormir, quando comparado às árvores disponíveis. Os dormitórios usados pelo grupo da floresta contínua eram maiores, com as primeiras ramificações inferiores mais altas e com menor número de conexão de copas do que os dormitórios usados pelo grupo do fragmento. Nossos resultados evidenciam a presença de estratégias anti-predação pelos grupos de micos-leões-pretos, com o grupo da floresta contínua apresentando um processo de seleção de dormitórios mais refinado, no qual a seleção apenas de árvores que possuam um conjunto maior de características seja resultado da maior disponibilidade de recursos de qualidade dentro do habitat mais preservado.
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    Respostas ecofisiológicas de plantas arbóreas do cerrado à geada
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-03-25) Antonio, Ariadne Cristina De; Rossatto, Davi Rodrigo [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    O Cerrado pode estar exposto a diversos distúrbios naturais moduladores, entre eles a geada. Este é um fenômeno capaz de afetar a distribuição e seleção de características de tolerância e sobrevivência das espécies nestas vegetações. Deste modo, o presente estudo pretendeu compreender os efeitos causados pela geada em espécies afetadas e não afetadas por este fenômeno, assim como quantificar características morfo-fisiológicas que possam explicar as respostas de rebrota a baixas temperaturas. As pesquisas foram realizadas em três locais distintos: em Águas de Santa Bárbara - SP na Estação Ecológica de Águas de Santa Bárbara – EecSB (acometida em 2016 por seis episódios de geada entre os meses de junho e agosto) (Capítulo I); Assis - SP na Estação Ecológica de Assis –EEA que foi acometida por eventos de geada no mesmo ano (Capítulo I e II) e na Reserva Ecológica do IBGE em Brasília – DF (Capítulo III). No segundo capítulo as coletas e experimentos foram realizados na EEA e no câmpus da Unesp. No capítulo I e II foram avaliados indivíduos de espécies previamente selecionadas após a ocorrência da geada, com o intuito de analisar os efeitos da mesma na mortalidade de indivíduos e ramos de espécies arbóreas consideradas como afetadas pelo fenômeno; também foi verificado se o espécime teve rebrote a partir do solo ou do caule/ramos e o grau de proteção das gemas, além disso, realizamos análises de respostas morfo-fisiológicas por meio da avaliação de atributos foliares, como, espessura da folha; área foliar; dimensões foliares; área foliar específica e respostas fotossintéticas (razão Fv:Fm). No capítulo III analisamos se os atributos relacionados a proteção ao fogo são importantes para proteger ramos das espécies lenhosas do cerrado contra as baixas temperaturas: quantificamos a posição das gemas e analisamos se a espessura e a densidade da casca atuam como isolantes térmicos. No capítulo I encontramos que as posições das gemas diferiram entre as espécies afetadas e não afetadas, e as espécies afetadas apresentaram diferentes respostas de rebrota de seus ramos. No capítulo II os parâmetros morfológicos não demonstraram grande influência sobre as divisões das espécies entre afetadas e não afetadas, sendo as respostas fotossintéticas a baixas temperaturas o fator que separou os grupos que haviam sido previamente determinados. As espécies afetadas e não afetadas responderam ao tratamento a baixas temperaturas como o esperado, sendo que as espécies afetadas apresentaram grandes declínios nos valores de Fv:Fm a baixas temperaturas. No capítulo III não foram encontradas diferenças na espessura da camada de casca interna e espécies com casca mais densa apresentaram maior variação de temperatura, porém a variação de temperatura foi positivamente relacionada com a densidade da casca. Conclui-se então que existem diferenças morfológicas e fisiológicas entre espécies afetadas e não afetadas, mostrando que a geada pode afetar aspectos da vegetação de cerrado podendo atuar em conjunto com outros moduladores da fisionomia savânica.
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    Comunidade de pequenos mamíferos e fatores que afetam a abundância de espécies em um fragmento de Mata Atlântica
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2019-01-16) André, Clariana Lima; Côrtes, Marina Corrêa [UNESP]; Bovendorp, Ricardo Siqueira; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Vários são os fatores podem influenciar a abundância de espécies e a composição das comunidades animais. Os pequenos mamíferos (Rodentia e Dildelphimorphia) são um modelo de estudo bastante utilizado na ecologia de comunidades, visto que representam o grupo mais diversificado de mamíferos nas florestas Neotropicais. Os fatores microambientais podem exercer considerável influência sobre o uso do espaço pelos indivíduos e na diversidade da comunidade, por conta de fornecerem recursos essenciais para a sobrevivência, como alimento e abrigo (eg. troncos caídos, frutos e insetos). Já a presença dos médios e grandes mamíferos, devido ao controle que exercem por competição e por predação, chamado de controle , também auxiliam na manutenção da diversidade. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a diversidade de espécies e entender como os fatores microambientais e a presença dos médios e grandes mamíferos influenciam no padrão espacial de captura de indivíduos de pequenos mamíferos não voadores da Mata Atlântica. O presente estudo foi realizado em um gride de captura de 150 x 150 metros, na Estação Ecológica de Caetetus, localizada no interior do estado de São Paulo. A comunidade apresentou dominância de três taxa: , sp., sp. Tanto a presença de manchas de bambu quanto a ocorrência de animais competidores apresentaram influência negativa significativa no número de capturas de pequenos mamíferos de Caetetus. Os resultados sugerem que uma maior ocorrência de competidores em determinados sítios pode repelir a presença dos pequenos mamíferos. Seja por meio da competição interespecífica ou por meio do pisoteio e alteração do micro-habitat. No que tange a presença do bambu, quanto mais bambu, menor a captura dos pequenos mamíferos, afetando, portanto, a comunidade negativamente. Frente à expansão das manchas do bambu em interior de florestas, é necessário que se considere o manejo do bambu e o monitoramento dos médios e grandes mamíferos na Estação Ecológica de Caetetus.
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    Padrões de diversidade genética e filogeografia de Tillandsia aeranthos (Lois.) L.B. Smith (Bromeliaceae)
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2018-05-17) Gonçalves, Felipe Aoki; Silva, Clarisse Palma da [UNESP]; Neffa, Viviana G. Solís; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    O continente sul-americano é o mais biodiverso da Terra, sendo palco da interação de complexos processos climáticos e geológicos que moldaram sua biota de forma muito heterogênea. Um crescente numero de estudos estudos de filogeografia de especies Sul Americanos tem auxiliado no entendimento das respostas evolutivas envolvidas em tal diversificação. A família Bromeliaceae é caracterizada por extensa radiação adaptativa, apresenta heterogeneidade de estratégias reprodutivas e padrões distintos de fluxo gênico e estrutura genética. Tillandsia aeranthos (Lois.) L.B. Smith é uma bromeliácea epífita que habita matas ciliares por toda região dos Pampas. Sua ocorrência em densas populações ao longo de ambientes geograficamente distintos a torna um bom modelo para a estudos sobre a influência de fatores geoclimáticos e ecológicos no padrão de distribuição da variabilidade genética e decorrentes processos de especiação ou manutenção da integridade da espécie. Esta dissertação foi dividida em dois manuscritos a fim de fornecer dados e análises úteis para a compreensão da evolução desta espécie neotropical. No Capítulo 1 foi realizada a amplificação heteróloga em Tillandsia aeranthos e Tillandsia recurvata de marcadores microssatélites nucleares previamente desenvolvidos para outras espécies de Bromeliaceae. Conjuntos de sete e seis marcadores apresentaram índices satisfatórios de polimorfismos em T. aeranthos e T. recurvata, respectivamente. A análise dos dados em duas populações de 20 indivíduos de cada espécie apresentou resultados compatíveis com sistemas reprodutivos distintos de cada espécie: fecundação cruzada predominante em T. aeranthos e auto-fecundação predominante em T. recurvata. No Capítulo 2 investigamos os padrões de variabilidade e estrutura genética e sistema reprodutivo de Tillandsia aeranthos ao longo da distribuição geográfica da espécie. Um total de 203 indivíduos de 13 localidades foi analisado a partir de sete marcadores microssatélites nucleares; 12 indivíduos tiveram 13 regiões universais plastidiais sequenciadas; e 74 indivíduos com 543 flores foram submetidos a experimentos de polinização manual. Os dados de microssatélites nucleares apontam altos níveis de diversidade genética em T. aeranthos (HE=0,806; HO=0,745) apesar de todas as regiões plastidiais sequenciadas terem sido monomórficas, sem diferenciação haplotípica. Foi observada também baixa diferenciação populacional (FST=0,031) sem correlação significativa entre as distâncias genéticas e geográficas das populações (isolamento-por-distância). Sinais moderados de eventos recentes de gargalo genético foram detectados em somente quatro das 13 populações, indicando que a maior parte das populações apresentou estabilidade demográfica durante o último máximo glacial. Os experimentos de manipulação polínica evidenciaram auto-incompatibilidade total em T. aeranthos. Em conclusão, os resultados demonstram altos níveis de diversidade genética e estabilidade demográfica na espécie, com fluxo gênico ocorrendo sem barreiras geográficas evidentes dentro da área de ocorrência de Tillandsia aeranthos.
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    Influência da paisagem na estrutura e diversidade genética de uma espécie pioneira em fragmentos da Mata Atlântica
    (Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2017-12-05) Gonçalves, Renata Fabrega [UNESP]; Côrtes, Marina Corrêa [UNESP]; Ribeiro, Milton Cezar [UNESP]; Universidade Estadual Paulista (Unesp)
    Florestas secundárias são produtos da degradação de vegetação primária e subsequente regeneração natural e se destacam como um componente florestal dominante em paisagens tropicais, contribuindo para o restabelecimento das funções ecológicas e com o fornecimento de serviços ecossistêmicos. Porém, a capacidade de restauração depende primariamente da chegada e estabelecimento de plantas pioneiras, enquanto a manutenção das populações florestais depende de condições ambientais propícias, como a ocorrência de dispersão de sementes e fluxo gênico entre os fragmentos florestais e regenerantes. Com o intuito de avaliar como espécies vegetais pioneiras abundantes respondem à composição da paisagem o presente estudo analisou a variação espacial genética de Cecropia hololeuca Miq. (Urticaceae) ao longo de uma região heterogênea e com diferentes graus de fragmentação. O estudo foi realizado em 18 paisagens ao longo de um gradiente de cobertura florestal de 21% a 90% dentro da região do Corredor Cantareira-Mantiqueira. A partir de oito marcadores microssatélites, foi possível identificar três grandes agrupamentos genéticos, indicando fraca estruturação genética de C. hololeuca ao longo da região estudada. Os atributos da paisagem que mais contribuíram à diferenciação genética entre os grupos de indivíduos (populações espaciais) foram distância geográfica, proporção de área urbana e presença de rodovias e, também contribuindo de forma positiva, mas em menor intensidade, o eucalipto. Embora a cobertura florestal tenha diminuído a diferenciação genética entre as manchas, contribuindo na conectividade entre elas, esta contribuição foi a mais fraca dentre as variáveis testadas nos modelos. Desta forma, é importante considerar estruturas relacionadas à urbanização ao se tratar de conectividade funcional, já que o fluxo gênico parece estar respondendo de forma negativa aos impactos antrópicos recentes. Ainda assim, a utilização de C. hololeuca em programas de restauração ecológica para esta região apresenta grande potencial de sucesso, desde o seu estabelecimento em áreas abandonadas, devido às sementes que podem ser dispersas a longas distâncias, até contribuindo com condições favoráveis para o desenvolvimento da sucessão ecológica.