Mineração de dados e Hermenêutica na era do Big Data: limites interpretativos da análise computacional da política
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Autores
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Mídia e Tecnologia - FAAC
Curso de graduação
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta tese demonstra como os sistemas midiáticos contemporâneos funcionam como poderosos dispositivos de governança simbólica, metabolizando crises em narrativas de estabilidade. Através de uma metodologia mista e comparativa, investigou-se dois grandes eixos: a infodemia da COVID-19, analisada por meio de padrões de busca no Google Trends, e a
cobertura jornalística digital de três eventos políticos críticos eleições municipais de São Paulo (2024), o conflito público entre Elon Musk e o Supremo Tribunal Federal, e o atentado contra Donald Trump (2024) —, utilizando mineração de notícias (web scraping) e análise de sentimentos com o léxico NRC. Os resultados dos quatro estudos empíricos convergem para uma conclusão central: existe uma lógica operativa transversal na mediação de crises. Seja numa emergência sanitária global, numa disputa eleitoral localizada, num embate sobre
soberania digital ou num episódio de violência política, a cobertura midiática segue um roteiro previsível de estabilização. Esse roteiro é sustentado por três pilares: 1) a gestão emocional, com a predominância estatística do sentimento de "confiança" que acalma a ansiedade pública; 2) o enquadramento institucional, que converte conflitos complexos em questões jurídicas, processuais ou morais administráveis pelas instituições vigentes; e 3) o controle temporal, que organiza a narrativa em fases (emergência, clímax, resolução),
absorvendo o evento disruptivo como um episódio delimitado e superável. Enquanto esse mecanismo é funcional para a manutenção da ordem e da legitimidade institucional no curto
prazo, a tese evidencia seu custo democrático profundo. A eficiência em produzir estabilidade simbólica é alcançada através do sistemático deslocamento e silenciamento das dimensões estruturais dos conflitos—desigualdades, disputas de poder material, assimetrias geopolíticas e a natureza política das infraestruturas digitais. Assim, a mídia não apenas relata crises, mas as governa simbolicamente, oferecendo resolução narrativa em detrimento da confrontação política. A contribuição final é um alerta: ao priorizar a governabilidade afetiva, o sistema comunicacional vigente pode estar, paradoxalmente, minando as condições para um debate público robusto e transformador, essencial para uma democracia substantiva
Resumo (inglês)
This thesis demonstrates how contemporary media systems function as powerful devices ofcsymbolic governance, metabolizing crises into narratives of stability. Through a mixed andccomparative methodology, it investigated two major axes: the COVID-19 infodemic, analyzedcvia search patterns on Google Trends, and the digital news coverage of three critical political events—the São Paulo municipal elections (2024), the public conflict between Elon Musk and the Brazilian Supreme Court (STF), and the assassination attempt on Donald Trump
(2024)—using news mining (web scraping) and sentiment analysis with the NRC lexicon. The results of the four empirical studies converge on a central conclusion: there is a cross-cutting operational logic in crisis mediation. Whether in a global health emergency, a localized electoral dispute, a clash over digital sovereignty, or an episode of political violence, media coverage follows a predictable stabilization script. This script is supported by three pillars: 1) emotional management, with the statistical predominance of the sentiment of "trust" that calms public anxiety; 2) institutional framing, which converts complex conflicts into legal, procedural, or moral issues manageable by existing institutions; and 3) temporal control, which organizes the narrative into phases (emergence, climax, resolution), absorbing the disruptive event as a delimited and surmountable episode. While this mechanism is functional for maintaining order and institutional legitimacy in the short term, the thesis
highlights its profound democratic cost. The efficiency in producing symbolic stability is achieved through the systematic displacement and silencing of the structural dimensions of
conflicts—inequalities, material power disputes, geopolitical asymmetries, and the political nature of digital infrastructures. Thus, the media does not merely report crises but symbolically governs them, offering narrative resolution at the expense of political confrontation. The final contribution is a warning: by prioritizing affective governability, the prevailing communication system may paradoxically be undermining the conditions for a
robust and transformative public debate, essential for a substantive democracy
Descrição
Idioma
Português
Citação
ANDRADE, Tiago Negrão. Mineração de dados e Hermenêutica na era do Big Data: limites interpretativos da análise computacional da política. 2026. Tese (Doutorado em Mídia e Tecnologia) - Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2026.



