Modulação autonômica cardíaca, função pulmonar e desempenho muscular em tabagistas
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Data
Autores
Orientador
Quitério, Robison José 

Coorientador
Proença, Mahara-Daian Garcia Lemes 

Pós-graduação
Desenvolvimento Humano e Tecnologias - IB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
Introdução: O tabagismo é um dos principais fatores de risco evitáveis para morbidade e mortalidade global, estando associado a doenças cardiovasculares e respiratórias. Evidências indicam que o tabagismo pode comprometer o controle autonômico cardíaco e induzir alterações funcionais no músculo esquelético, mesmo antes do aparecimento de alterações pulmonares clinicamente detectáveis. Objetivo: Investigar a modulação autonômica cardíaca em repouso, o desempenho muscular e os ajustes da frequência cardíaca durante e após contrações voluntárias máximas isocinéticas em indivíduos tabagistas com diferentes padrões ventilatórios. Métodos: Foram avaliados 70 indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 30 e 59 anos, distribuídos em grupos de tabagistas com padrão ventilatório normal, tabagistas com padrão ventilatório restritivo e não tabagistas. Os participantes realizaram anamnese, avaliação antropométrica e espirometria. A modulação autonômica cardíaca foi avaliada por meio da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) em repouso, incluindo índices lineares e não lineares. O desempenho muscular foi analisado por dinamometria isocinética dos músculos do joelho nas velocidades de 60°/s e 300°/s, com monitoramento contínuo da frequência cardíaca. As análises foram ajustadas por covariáveis relevantes, adotando-se nível de significância de p < 0,05. Resultados: Os tabagistas com padrão ventilatório restritivo apresentaram maior idade, maior tempo de tabagismo e menores valores de função pulmonar (p < 0,05). Na análise não ajustada da VFC, observou-se padrão sugestivo de maior modulação parassimpática nesse grupo, caracterizado por menores valores de LF e maiores de HF, com redução da razão LF/HF; entretanto, essas diferenças não se mantiveram após ajuste por idade. As análises não lineares evidenciaram interação entre grupo e sexo para os índices SE e %2LV, indicando padrões distintos na dinâmica autonômica. Não foram observadas diferenças no desempenho muscular máximo entre os grupos. Contudo, os tabagistas apresentaram resposta cronotrópica atenuada ao exercício isocinético, com menores valores de frequência cardíaca de pico e menor percentual da frequência cardíaca máxima prevista, além de redução do trabalho total, especialmente quando normalizado pelo peso corporal. As análises correlacionais não demonstraram associações consistentes após correção para múltiplas comparações, sendo observada apenas uma associação exploratória entre tempo de tabagismo e capacidade vital forçada. Conclusão: O tabagismo está associado a alterações sutis na regulação autonômica cardíaca e a uma resposta cronotrópica atenuada ao exercício, mesmo na ausência de prejuízo da força muscular máxima e de alterações ventilatórias evidentes. Adicionalmente, a redução do trabalho total, especialmente quando normalizado pelo peso corporal, sugere comprometimento do desempenho muscular sustentado. Em conjunto, os achados indicam que alterações autonômicas e funcionais podem ocorrer de forma precoce em tabagistas, sendo influenciadas por fatores como idade, sexo e padrão ventilatório.
Resumo (inglês)
Introduction: Smoking is one of the leading preventable risk factors for global morbidity and mortality and is associated with cardiovascular and respiratory diseases. Evidence suggests that smoking may impair cardiac autonomic control and induce functional alterations in skeletal muscle even before clinically detectable pulmonary changes become evident. Objective: To investigate resting cardiac autonomic modulation, muscle performance, and heart rate adjustments during and after maximal voluntary isokinetic contractions in smokers with different ventilatory patterns. Methods: Seventy individuals of both sexes, aged 30 to 59 years, were evaluated and allocated into groups of smokers with normal ventilatory pattern, smokers with restrictive ventilatory pattern, and non-smokers. Participants underwent anamnesis, anthropometric assessment, and spirometry. Cardiac autonomic modulation was assessed through resting heart rate variability (HRV), including linear and nonlinear indices. Muscle performance was analyzed using isokinetic dynamometry of the knee muscles at angular velocities of 60°/s and 300°/s, with continuous heart rate monitoring. Analyses were adjusted for relevant covariates, adopting a significance level of p < 0.05. Results: Smokers with a restrictive ventilatory pattern were older, had a longer smoking history, and presented lower pulmonary function values (p < 0.05). In the unadjusted HRV analysis, this group showed a pattern suggestive of greater parasympathetic modulation, characterized by lower LF values, higher HF values, and a reduced LF/HF ratio; however, these differences were no longer significant after adjustment for age. Nonlinear analyses demonstrated an interaction between group and sex for the SE and %2LV indices, indicating distinct patterns in autonomic dynamics. No differences were observed in maximal muscle performance between groups. However, smokers exhibited an attenuated chronotropic response to isokinetic exercise, with lower peak heart rate values and lower percentages of predicted maximal heart rate, as well as reduced total work, especially when normalized by body weight. Correlation analyses did not demonstrate consistent associations after correction for multiple comparisons, with only an exploratory association observed between smoking duration and forced vital capacity. Conclusion: Smoking is associated with subtle alterations in cardiac autonomic regulation and an attenuated chronotropic response to exercise, even in the absence of impairment in maximal muscle strength or evident ventilatory abnormalities. Additionally, the reduction in total work, particularly when normalized by body weight, suggests impairment in sustained muscle performance. Taken together, these findings indicate that autonomic and functional alterations may occur early in smokers and are influenced by factors such as age, sex, and ventilatory pattern.
Descrição
Palavras-chave
Tabagismo, Sistema nervoso autônomo, Exercício físico, Variabilidade da frequência cardíaca, Smoking, Autonomic nervous system, Exercise, Heart rate variability
Idioma
Português


