Linguagem melódica do choro: práticas interpretativas em instrumentos solistas incomuns
Carregando...
Data
Autores
Orientador
Stasi, Carlos 

Coorientador
Pós-graduação
Artes - IA
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O objetivo principal deste trabalho é examinar, experimentar e discutir as possibilidades de se interpretar o gênero choro em instrumentos solistas pouco comuns nessa prática, tomando como referência os elementos interpretativos característicos de sua linguagem. Em vez de formular uma hipótese nos moldes das ciências positivas, adota-se aqui uma pressuposição de trabalho: a de que a identificação estilística do choro pode ser preservada e reconstruída em instrumentos não tradicionais, explorando-se práticas interpretativas próprias do gênero. A pesquisa adota uma abordagem ensaística, reunindo procedimentos dialéticos, comparativos, observação participante e autoetnografia. Foram analisadas 500 partituras e 650 gravações de choro, além de um levantamento bibliográfico acadêmico pertinente ao tema. Esses materiais permitiram identificar e sistematizar um conjunto de recursos interpretativos recorrentes na linguagem melódica do choro — acentos, apojaturas, arpejos, dinâmicas, floreios, frullatos, glissandos, grupetos, improvisação, legatos, marcatos, mordentes, pizzicatos, portamentos, sforzatos, staccatos, tenutos, trêmolos, trinados, uso de duas ou mais vozes, variações rítmicas e variações melódicas. O levantamento fonográfico revelou tanto os instrumentos solistas mais frequentes — como bandolim, flauta, cavaquinho e clarinete — quanto instrumentos solistas pouco usuais, entre eles, cítara alpina, fagote, flauta de lata, oboé, pife, steelpan, trompa, viola de 10 cordas e vibrafone. Dentre esses, a viola de 10 cordas foi escolhida para uma aplicação detalhada dos elementos levantados, devido à escassez de registros fonográficos no repertório do choro. Além da análise documental e fonográfica, foi realizado um recital de doutorado, concebido como laboratório prático de experimentação e reflexão, no qual foram interpretados choros em instrumentos incomuns ao gênero — marimba, vibrafone, xilofone, viola de 10 cordas e steelpan. O recital permitiu observar, na prática, a incorporação dos elementos identificados e avaliar como cada instrumento responde às demandas expressivas da linguagem melódica do choro. Também foi realizada uma gravação do choro “Desprezado” (Pixinguinha) com a viola de 10 cordas como solista, acompanhada por um regional, além de uma partitura anotada com os recursos utilizados. Os resultados obtidos sugerem que é possível desenvolver interpretações estilisticamente reconhecíveis do choro em instrumentos solistas incomuns, desde que se incorporem os elementos interpretativos característicos do gênero.
Resumo (espanhol)
El objetivo principal de este trabajo es examinar, experimentar y discutir las posibilidades de interpretar el género choro en instrumentos solistas poco comunes en esta práctica, tomando como referencia los elementos interpretativos característicos de su lenguaje. En lugar de formular una hipótesis en los moldes de las ciencias positivas, se adopta aquí una presuposición de trabajo: la de que la identificación estilística del choro puede ser preservada y reconstruida en instrumentos no tradicionales mediante la exploración de prácticas interpretativas propias del género. La investigación adopta un enfoque ensayístico, reuniendo procedimientos dialécticos, comparativos, observación participante y autoetnografía. Se analizaron 500 partituras y 650 grabaciones de choro, además de un relevamiento bibliográfico académico pertinente al tema. Estos materiales permitieron identificar y sistematizar un conjunto de recursos interpretativos recurrentes en el lenguaje melódico del choro: acentos, apoyaturas, arpegios, dinámicas, ornamentaciones, frullatos, glissandos, grupetos, improvisación, legatos, marcatos, mordentes, pizzicatos, portamentos, sforzatos, staccatos, tenutos, trémolos, trinos, uso de dos o más voces, variaciones rítmicas y variaciones melódicas. El relevamiento fonográfico reveló tanto los instrumentos solistas más frecuentes —como bandolín, flauta, cavaquinho y clarinete— como instrumentos solistas poco habituales, entre ellos cítara alpina, fagot, flauta de lata, oboe, pífano, steelpan, trompa, viola de 10 cuerdas y vibráfono. Entre estos, se eligió la viola de 10 cuerdas para una aplicación detallada de los elementos identificados, debido a la escasez de registros fonográficos en el repertorio del choro. Además del análisis documental y fonográfico, se realizó un recital de doctorado, concebido como un laboratorio práctico de experimentación y reflexión, en el cual se interpretaron choros en instrumentos poco comunes al género: marimba, vibráfono, xilófono, viola de 10 cuerdas y steelpan. El recital permitió observar, en la práctica, la incorporación de los elementos identificados y evaluar cómo responde cada instrumento a las demandas expresivas del lenguaje melódico del choro. También se realizó una grabación del choro “Desprezado” (Pixinguinha) con la viola de 10 cuerdas como instrumento solista, acompañada por un conjunto regional, además de una partitura anotada con los recursos empleados.
Los resultados obtenidos sugieren que es posible desarrollar interpretaciones estilísticamente reconocibles del choro en instrumentos solistas inusuales, siempre que se incorporen los elementos interpretativos característicos del género.
Resumo (inglês)
The main objective of this study is to examine, experiment with, and discuss the possibilities of interpreting the choro genre on solo instruments that are not commonly associated with this practice, using the interpretive elements characteristic of its melodic language as a reference. Rather than formulating a hypothesis in the sense employed by the positive sciences, this research adopts a working assumption: that the stylistic identity of choro can be preserved and reconstructed on non-traditional instruments by exploring interpretive practices inherent to the genre. The study follows an essayistic approach, combining dialectical and comparative procedures with participant observation and autoethnography. A total of 500 scores and 650 choro recordings were analyzed, in addition to academic literature relevant to the topic. These materials made it possible to identify and systematize a set of interpretive resources recurrent in the melodic language of choro — accents, appoggiaturas, arpeggios, dynamics, ornamentats, frullatos, glissandi, gruppetti, improvisation, legatos, marcatos, mordents, pizzicati, portamenti, sforzati, staccati, tenuti, tremolos, trills, the use of two or more voices, rhythmic variations, and melodic variations. The phonographic survey revealed not only the most frequent solo instruments in the genre — such as mandolin, flute, cavaquinho, and clarinet — but also several less common ones, including alpine zither, bassoon, tin flute, oboe, pife, steelpan, horn, ten-string viola, and vibraphone. Among these, the ten-string viola was selected for a detailed application of the identified elements due to the scarcity of choro recordings featuring this instrument. In addition to documentary and phonographic analysis, a doctoral recital was carried out as a practical laboratory for experimentation and reflection, in which choros were performed on instruments uncommon to the genre — marimba, vibraphone, xylophone, ten-string viola, and steelpan. The recital provided a context for observing, in practice, how the identified elements could be incorporated and how each instrument responds to the expressive demands of choro’s melodic language. A recording of Pixinguinha’s “Desprezado” was also produced, featuring the ten-string viola as the solo instrument, accompanied by the regional (traditional choro ensemble), along with a score annotated with the interpretive resources employed. The results suggest that it is possible to develop stylistically recognizable choro interpretations on uncommon solo instruments, provided that the characteristic interpretive elements of the genre are consciously incorporated.
Descrição
Palavras-chave
Música popular - Brasil, Choro (Música), Música - Execução, Música - Interpretação (Fraseado, dinâmica, etc.), Instrumentos musicais
Idioma
Português
Citação
AMADOR, Alisson Antonio. Linguagem melódica do choro: práticas interpretativas em instrumentos solistas incomuns. 2025. 307 f. Tese (Doutorado em Música) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista (UNESP), São Paulo. 2025.

