Publicação: "E eu, sou negra?" : as vicissitudes da construção da identidade negra de adolescentes de escolas públicas do interior paulista
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Data
2025-01-20
Orientador
Teixeira Filho, Fernando Silva 

Coorientador
Pós-graduação
Psicologia - FCLAS
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta pesquisa teve como objetivo identificar e analisar o processo de construção identitária de adolescentes pretas e pardas, cisgêneras, em contexto escolar público em uma cidade de médio porte do interior do Estado de São Paulo. O foco de investigação da pesquisa foram os sofrimentos e potencialidades raciais aparelhadas à classe e gênero, opressões que se articulam entre relações de poder e marcadores sociais de diferença dentro e fora do contexto escolar. Desta maneira, a pesquisa fundamentou-se em conceitos teóricos que trabalham com as perspectivas pós-estruturalistas, decoloniais e contra-decoloniais, iniciando com reflexões acerca da origem da interseccionalidade como campo conceitual e empírico. Coletamos dados e discursos por meio do grupo focal, com adolescentes pretas e pardas entre 14-17 anos, buscando investigar como se deu a percepção de sua identidade racial e, antes disso, como habitaram na dúvida sobre seu lugar racial. Tais discursos foram transcritos e analisados a partir da metodologia de análise do conteúdo. Assim, realizamos análise de conteúdo dos discursos coletados, à luz das reflexões interseccionais, entre análises esquizoanalítica e psicanalítica. Identificamos opressões e/ou subversões que produzem políticas de identidade, relações raciais emancipadoras e vitais para a saúde de adolescentes pretas e pardas. Os dados reiteram como o espaço escolar ainda está muito aquém de seu dever de enfrentamento ao racismo, sobretudo porque, apesar de obrigatório, não trabalha nem direta nem transversalmente os temas sobre história e emancipação da população afropindorâmica brasileira. A problemática da política do conhecimento é também étnico-racial emaranhado ao tabu e ressentimento, sendo estas, outras heranças-produtos do processo de miscigenação – e não unicamente a cor do corpo pardo. Portanto, urge um fortalecimento da educação intercultural com pedagogias contradecoloniais por meio da lei 10.639/2003. Para além da vida escolar, a dúvida "E eu, sou negra?" é um dos pontos de partida crucial para pensar o limbo racial no qual pessoas pardas se encontram, é necessário construir uma cosmo-visão que sustente as dinâmicas existenciais das mulheres negras, sobretudo, pardas-mestiças, na ética do cuidado no trânsito das diferenças e seus respectivos eixos de subordinação sexual, de classe, território e traços fenotípicos.
Resumo (inglês)
The aim of this research was to identify and analyze the identity construction process of black, cisgender adolescents in a public school context in a medium-sized city in the interior of the state of São Paulo. The focus of the research was racial suffering and potential, along with class and gender, oppressions that are articulated between power relations and social markers of difference inside and outside the school context. In this way, the research was based on theoretical concepts that work with post-structuralist and decolonial perspectives, beginning with reflections on the origin of intersectionality as a conceptual and empirical field. We collected data and speeches through focus groups with black (black and brown) adolescents aged 14-17, seeking to investigate how their racial identity was perceived and, before that, how they lived in doubt about their racial place. These speeches were transcribed and analyzed using the content analysis methodology. Thus, we carried out a content analysis of the discourses collected, in the light of intersectional reflections between schizoanalytic, and psychoanalytic analyses. The data reiterates how the school space still falls far short of its duty to combat racism, especially because, despite being mandatory, it does not deal directly or transversally with themes about the history and emancipation of the Brazilian Afro-Pindoramic population. The problem of the politics of knowledge is also
ethnic-racial entangled with taboo and resentment, these being other legaciesproducts of the miscegenation process – and not just the color of the brown body –, therefore, there is an urgent need to strengthen intercultural education with counterdecolonial pedagogies through law 10.639/2003. Beyond school life, the question “What about me, am I black?” is one of the crucial starting points for thinking about the racial limbo in which brown people find themselves, it is necessary to build a worldview that supports the existential dynamics of black women, especially mixed-race women,
in the ethics of care in the transit of differences and their respective axes of sexual subordination, class, territory and phenotypic traits.
Descrição
Idioma
Português
Como citar
Santos, Erislaynne Maria da Silva. "E EU, SOU NEGRA?": as vicissitudes da construção da identidade negra de adolescentes de escolas públicas do interior paulista. 2025. 90 p. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2024.