Logotipo do repositório

Da crise da autoridade à pedagogia relacional: contribuições da teoria crítica para a emancipação na cultura digital

Carregando...
Imagem de Miniatura

Coorientador

Pós-graduação

Educação Escolar - FCLAR

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Essa tese tem como objetivo principal investigar as relações entre cultura digital, autoridade pedagógica, infância e emancipação, buscando compreender de que modo as novas configurações do poder interferem nessas instâncias. Parte-se da hipótese de que a cultura digital, articulada à racionalidade instrumental e às dinâmicas do capitalismo contemporâneo, opera mecanismos cada vez mais sofisticados de captura da subjetividade, favorecendo processos de semiformação (Halbbildung), fragmentação da experiência, dispersão da atenção e enfraquecimento da autorreflexão crítica, o que repercute diretamente sobre a infância, a legitimidade da autoridade pedagógica e sobre a constituição da autonomia. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de natureza filosófica. Para tal o percurso investigativo se debruça sobre a relação entre tecnologia e poder e articula uma análise crítica da cultura digital à luz da Teoria Crítica da Sociedade às transformações da autoridade, da infância e das concepções pedagógicas, procurando identificar os elementos que favorecem a resistência em meio aos elementos que contribuem para a reincidência da barbárie, do autoritarismo e, sobretudo, de uma semiformação, para pensar em possibilidades que contribuam para uma formação que seja crítica, reflexiva e emancipatória. Esse trabalho identificou que a cultura digital, com aparência democrática, se mostra dona de uma frieza, principal elemento da barbárie, conforme assevera Adorno (2022), e impõe autoritariamente mudanças significativas na dimensão objetiva e subjetiva das crianças que têm acesso cada vez mais cedo às tecnologias digitais, impactando consideravelmente a experiência, fundamental para a emancipação, delineando uma onipresente semiformação. Também evidenciou que a crise contemporânea da autoridade pedagógica não decorre simplesmente do enfraquecimento da figura do professor ou das transformações ocorridas na escola, mas integra um processo histórico mais amplo de deslocamento das formas de autoridade para dispositivos técnicos, algoritmos, meios de comunicação e sistemas digitais que administram a experiência, a atenção, os desejos e os modos de subjetivação. Como contribuição teórica, a tese ensaia os fundamentos de uma pedagogia relacional, concebida não como um modelo pedagógico prescritivo, mas como uma perspectiva filosófica de formação orientada pela articulação dialética entre objetividade e subjetividade. Nessa concepção, a autoridade pedagógica é ressignificada como uma mediação crítica entre o sujeito e a cultura, legitimada pela responsabilidade diante da formação humana e comprometida com a emancipação. Contrapondo às características da cultura digital a pesquisa propõe a valorização da leitura, do filosofar, da experiência, da concentração, da autorreflexão crítica e do diálogo como práticas formativas capazes de fortalecer a autonomia e ampliar as possibilidades de resistência às novas formas de barbárie. Conclui-se que a educação permanece como um espaço privilegiado de resistência às novas formas de dominação, desde que assuma criticamente sua responsabilidade na mediação entre as novas gerações e o patrimônio cultural da humanidade. Nessa direção, a pedagogia relacional constitui uma possibilidade teórico-filosófica de ressignificar a autoridade pedagógica, compreendendo-a como condição para a formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente a realidade, reconhecer as determinações objetivas e subjetivas que os constituem e atuar, de forma consciente, na construção de uma sociedade orientada pelos ideais de emancipação e desbarbarização.

Resumo (inglês)

This dissertation aims to investigate the relationships among digital culture, pedagogical authority, childhood, and emancipation, seeking to understand how the new configurations of power interfere with these dimensions. It is grounded on the hypothesis that digital culture, articulated with instrumental rationality and the dynamics of contemporary capitalism, operates increasingly sophisticated mechanisms for capturing subjectivity, fostering processes of Halbbildung (semi-formation), fragmentation of experience, dispersion of attention, and the weakening of critical self-reflection. These processes directly affect childhood, the legitimacy of pedagogical authority, and the constitution of autonomy. This study is based on bibliographical and philosophical research. Accordingly, the investigation examines the relationship between technology and power and develops a critical analysis of digital culture in light of Critical Theory, relating it to the historical transformations of authority, childhood, and pedagogical conceptions. It seeks to identify both the elements that foster resistance and those that contribute to the recurrence of barbarism, authoritarianism, and, above all, semi-formation, in order to explore possibilities for a form of education that is critical, reflective, and emancipatory. The study demonstrates that digital culture, despite its democratic appearance, is permeated by the coldness identified by Adorno (2022) as the principal element of barbarism. It authoritatively imposes significant changes upon the objective and subjective dimensions of children who gain increasingly early access to digital technologies, substantially affecting experience - a fundamental condition for emancipation - and giving rise to an all-pervasive process of semi-formation. The research also shows that the contemporary crisis of pedagogical authority does not simply result from the weakening of the teacher's role or from transformations within the school itself. Rather, it is part of a broader historical process in which authority has been displaced toward technical devices, algorithms, mass media, and digital systems that increasingly administer experience, attention, desires, and modes of subjectivation. As its theoretical contribution, this dissertation outlines the foundations of a relational pedagogy, conceived not as a prescriptive pedagogical model but as a philosophical perspective on education guided by the dialectical articulation between objectivity and subjectivity. Within this framework, pedagogical authority is re-signified as a critical mediation between the subject and culture, legitimized by responsibility for human formation and committed to emancipation. In contrast to the defining characteristics of digital culture, the study advocates the appreciation of reading, philosophical inquiry, experience, concentration, critical self-reflection, and dialogue as formative practices capable of strengthening autonomy and expanding the possibilities for resisting new forms of barbarism. The dissertation concludes that education remains a privileged space of resistance to contemporary forms of domination, provided that it critically assumes its responsibility for mediating between new generations and humanity's cultural heritage. In this sense, relational pedagogy constitutes a theoretical and philosophical possibility for re-signifying pedagogical authority, understanding it as a condition for the formation of subjects capable of critically interpreting reality, recognizing the objective and subjective determinations that shape them, and consciously contributing to the construction of a society guided by the ideals of emancipation and debarbarization.

Descrição

Idioma

Português

Citação

MACHADO, Vanessa Cristina. Da crise da autoridade à pedagogia relacional: contribuições da teoria crítica para a emancipação na cultura digital. 2026. Tese (Doutorado em Educação Escolar) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.

Itens relacionados

Financiadores

Unidades

Tipo de item:Unidade,
Araraquara, Faculdade de Ciências e Letras - FCLAR
FCLAR
Campus: Araraquara

Departamentos

Cursos de graduação

Programas de pós-graduação

Tipo de item:Programa de pós-graduação,