Da crise da autoridade à pedagogia relacional: contribuições da teoria crítica para a emancipação na cultura digital
| dc.contributor.advisor | Oliveira, Paula Ramos de | |
| dc.contributor.author | Machado, Vanessa Cristina | |
| dc.contributor.committeeMember | Oliveira, Paula Ramos de | |
| dc.contributor.committeeMember | Maia, Ari Fernando | |
| dc.contributor.committeeMember | Zuin, Antônio Álvaro Soares | |
| dc.contributor.committeeMember | Costa, Belarmino Cesar Guimarães | |
| dc.contributor.committeeMember | Cardoso, Danielle Regina do Amaral | |
| dc.contributor.institution | Universidade Estadual Paulista (UNESP) | pt |
| dc.date.accessioned | 2026-08-25T11:25:20Z | |
| dc.date.issued | 2026-08-10 | |
| dc.description.abstract | Essa tese tem como objetivo principal investigar as relações entre cultura digital, autoridade pedagógica, infância e emancipação, buscando compreender de que modo as novas configurações do poder interferem nessas instâncias. Parte-se da hipótese de que a cultura digital, articulada à racionalidade instrumental e às dinâmicas do capitalismo contemporâneo, opera mecanismos cada vez mais sofisticados de captura da subjetividade, favorecendo processos de semiformação (Halbbildung), fragmentação da experiência, dispersão da atenção e enfraquecimento da autorreflexão crítica, o que repercute diretamente sobre a infância, a legitimidade da autoridade pedagógica e sobre a constituição da autonomia. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de natureza filosófica. Para tal o percurso investigativo se debruça sobre a relação entre tecnologia e poder e articula uma análise crítica da cultura digital à luz da Teoria Crítica da Sociedade às transformações da autoridade, da infância e das concepções pedagógicas, procurando identificar os elementos que favorecem a resistência em meio aos elementos que contribuem para a reincidência da barbárie, do autoritarismo e, sobretudo, de uma semiformação, para pensar em possibilidades que contribuam para uma formação que seja crítica, reflexiva e emancipatória. Esse trabalho identificou que a cultura digital, com aparência democrática, se mostra dona de uma frieza, principal elemento da barbárie, conforme assevera Adorno (2022), e impõe autoritariamente mudanças significativas na dimensão objetiva e subjetiva das crianças que têm acesso cada vez mais cedo às tecnologias digitais, impactando consideravelmente a experiência, fundamental para a emancipação, delineando uma onipresente semiformação. Também evidenciou que a crise contemporânea da autoridade pedagógica não decorre simplesmente do enfraquecimento da figura do professor ou das transformações ocorridas na escola, mas integra um processo histórico mais amplo de deslocamento das formas de autoridade para dispositivos técnicos, algoritmos, meios de comunicação e sistemas digitais que administram a experiência, a atenção, os desejos e os modos de subjetivação. Como contribuição teórica, a tese ensaia os fundamentos de uma pedagogia relacional, concebida não como um modelo pedagógico prescritivo, mas como uma perspectiva filosófica de formação orientada pela articulação dialética entre objetividade e subjetividade. Nessa concepção, a autoridade pedagógica é ressignificada como uma mediação crítica entre o sujeito e a cultura, legitimada pela responsabilidade diante da formação humana e comprometida com a emancipação. Contrapondo às características da cultura digital a pesquisa propõe a valorização da leitura, do filosofar, da experiência, da concentração, da autorreflexão crítica e do diálogo como práticas formativas capazes de fortalecer a autonomia e ampliar as possibilidades de resistência às novas formas de barbárie. Conclui-se que a educação permanece como um espaço privilegiado de resistência às novas formas de dominação, desde que assuma criticamente sua responsabilidade na mediação entre as novas gerações e o patrimônio cultural da humanidade. Nessa direção, a pedagogia relacional constitui uma possibilidade teórico-filosófica de ressignificar a autoridade pedagógica, compreendendo-a como condição para a formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente a realidade, reconhecer as determinações objetivas e subjetivas que os constituem e atuar, de forma consciente, na construção de uma sociedade orientada pelos ideais de emancipação e desbarbarização. | pt |
| dc.description.abstract | This dissertation aims to investigate the relationships among digital culture, pedagogical authority, childhood, and emancipation, seeking to understand how the new configurations of power interfere with these dimensions. It is grounded on the hypothesis that digital culture, articulated with instrumental rationality and the dynamics of contemporary capitalism, operates increasingly sophisticated mechanisms for capturing subjectivity, fostering processes of Halbbildung (semi-formation), fragmentation of experience, dispersion of attention, and the weakening of critical self-reflection. These processes directly affect childhood, the legitimacy of pedagogical authority, and the constitution of autonomy. This study is based on bibliographical and philosophical research. Accordingly, the investigation examines the relationship between technology and power and develops a critical analysis of digital culture in light of Critical Theory, relating it to the historical transformations of authority, childhood, and pedagogical conceptions. It seeks to identify both the elements that foster resistance and those that contribute to the recurrence of barbarism, authoritarianism, and, above all, semi-formation, in order to explore possibilities for a form of education that is critical, reflective, and emancipatory. The study demonstrates that digital culture, despite its democratic appearance, is permeated by the coldness identified by Adorno (2022) as the principal element of barbarism. It authoritatively imposes significant changes upon the objective and subjective dimensions of children who gain increasingly early access to digital technologies, substantially affecting experience - a fundamental condition for emancipation - and giving rise to an all-pervasive process of semi-formation. The research also shows that the contemporary crisis of pedagogical authority does not simply result from the weakening of the teacher's role or from transformations within the school itself. Rather, it is part of a broader historical process in which authority has been displaced toward technical devices, algorithms, mass media, and digital systems that increasingly administer experience, attention, desires, and modes of subjectivation. As its theoretical contribution, this dissertation outlines the foundations of a relational pedagogy, conceived not as a prescriptive pedagogical model but as a philosophical perspective on education guided by the dialectical articulation between objectivity and subjectivity. Within this framework, pedagogical authority is re-signified as a critical mediation between the subject and culture, legitimized by responsibility for human formation and committed to emancipation. In contrast to the defining characteristics of digital culture, the study advocates the appreciation of reading, philosophical inquiry, experience, concentration, critical self-reflection, and dialogue as formative practices capable of strengthening autonomy and expanding the possibilities for resisting new forms of barbarism. The dissertation concludes that education remains a privileged space of resistance to contemporary forms of domination, provided that it critically assumes its responsibility for mediating between new generations and humanity's cultural heritage. In this sense, relational pedagogy constitutes a theoretical and philosophical possibility for re-signifying pedagogical authority, understanding it as a condition for the formation of subjects capable of critically interpreting reality, recognizing the objective and subjective determinations that shape them, and consciously contributing to the construction of a society guided by the ideals of emancipation and debarbarization. | en |
| dc.identifier.capes | 33004030079P2 | |
| dc.identifier.citation | MACHADO, Vanessa Cristina. Da crise da autoridade à pedagogia relacional: contribuições da teoria crítica para a emancipação na cultura digital. 2026. Tese (Doutorado em Educação Escolar) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026. | |
| dc.identifier.lattes | 6639042166690914 | |
| dc.identifier.orcid | 0009-0001-9587-803x | |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/11449/330133 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.publisher | Universidade Estadual Paulista (UNESP) | pt |
| dc.rights.accessRights | Acesso aberto | pt |
| dc.subject | Cultura digital | pt |
| dc.subject | Autoridade pedagógica | pt |
| dc.subject | Infância | pt |
| dc.subject | Emancipação | pt |
| dc.subject | Teoria Crítica | pt |
| dc.subject | Digital culture | en |
| dc.subject | Pedagogical authority | en |
| dc.subject | Infancy | en |
| dc.subject | Emancipation | en |
| dc.subject | Critical Theory | en |
| dc.title | Da crise da autoridade à pedagogia relacional: contribuições da teoria crítica para a emancipação na cultura digital | pt |
| dc.title.alternative | From the crisis of authority to relational pedagogy: contributions of critical theory to emancipation in digital culture | en |
| dc.type | Tese de doutorado | pt |
| dcterms.impact | Esta pesquisa apresenta potencial impacto social ao oferecer uma reflexão crítica acerca das transformações produzidas pela cultura digital sobre a infância, a autoridade pedagógica, os processos formativos e a constituição da autonomia, contribuindo para o enfrentamento de desafios educacionais contemporâneos. Ao analisar as relações entre tecnologia, poder e formação humana à luz da Teoria Crítica da Sociedade, a tese possibilita ampliar a compreensão dos mecanismos de captura da subjetividade que atravessam a educação, favorecendo o desenvolvimento de perspectivas teóricas capazes de subsidiar práticas educativas comprometidas com a emancipação e a formação crítica. Sua principal contribuição consiste na elaboração dos fundamentos de uma pedagogia relacional, uma perspectiva filosófica orientada pela articulação dialética entre objetividade e subjetividade. Embora não constitua um modelo pedagógico prescritivo, essa proposição oferece referenciais teóricos para a formação inicial e continuada de professores, para a reflexão sobre as relações educativas e para o fortalecimento da autoridade pedagógica como mediação crítica entre os sujeitos e o patrimônio cultural da humanidade. Nesse sentido, a pesquisa poderá contribuir para debates sobre currículo, formação docente e práticas pedagógicas em diferentes níveis e modalidades de ensino. Ao problematizar os impactos da cultura digital sobre a atenção, a concentração, a experiência, a autorreflexão e a infância, a tese também oferece subsídios para educadores, pesquisadores, gestores públicos e formuladores de políticas educacionais refletirem criticamente sobre o uso das tecnologias digitais nos espaços educativos, favorecendo decisões que considerem seus efeitos éticos, culturais, psicológicos e políticos na formação das novas gerações. Ao contribuir para a ampliação do debate público acerca da relação entre tecnologia, formação cultural e emancipação humana o potencial impacto desta investigação extrapola o campo educacional. Ao evidenciar que os processos de dominação contemporâneos se manifestam de forma cada vez mais sutil por meio da racionalidade tecnológica e dos dispositivos digitais, a pesquisa fortalece a necessidade de políticas e práticas voltadas ao desenvolvimento da autonomia intelectual e da capacidade crítica, colaborando para a construção de uma sociedade mais democrática, plural e comprometida com os direitos humanos. Em consonância com a Agenda 2030 das Nações Unidas, esta pesquisa dialoga diretamente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (Educação de Qualidade), ao propor fundamentos para uma educação crítica e emancipatória; com o ODS 3 (Saúde e Bem-estar), ao problematizar os efeitos da cultura digital sobre a saúde psíquica; o ODS 10 (Redução das Desigualdades), ao defender uma educação voltada à formação de sujeitos capazes de participar criticamente da vida social; e com o ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), ao contribuir para o fortalecimento de uma cultura de resistência às novas formas de autoritarismo e da formação de cidadãos comprometidos com a liberdade e a convivência ética. Assim, espera-se que esta pesquisa contribua para fortalecer o papel social da educação como espaço privilegiado de resistência às novas formas de barbárie e de promoção da emancipação humana, oferecendo fundamentos filosóficos para que professores, pesquisadores e instituições educacionais possam repensar criticamente suas práticas diante dos desafios colocados pela cultura digital. | pt |
| dcterms.impact | This research has the potential to generate significant social impact by providing a critical reflection on the transformations brought about by digital culture in relation to childhood, pedagogical authority, educational processes, and the constitution of autonomy, thereby contributing to addressing contemporary educational challenges. By examining the relationships between technology, power, and human formation through the lens of Critical Theory, this thesis broadens the understanding of the mechanisms through which subjectivity is shaped and constrained within education, fostering the development of theoretical perspectives capable of supporting educational practices committed to emancipation and critical formation. Its principal contribution lies in the development of the foundations of a relational pedagogy, understood as a philosophical perspective grounded in the dialectical articulation between objectivity and subjectivity. Although it does not constitute a prescriptive pedagogical model, this proposal offers theoretical foundations for both pre-service and in-service teacher education, for critical reflection on educational relationships, and for strengthening pedagogical authority as a critical mediation between individuals and humanity's cultural heritage. In this regard, the research may contribute to debates on curriculum, teacher education, and pedagogical practices across different educational levels and contexts. By problematizing the impacts of digital culture on attention, concentration, experience, self-reflection, and childhood, the thesis also provides theoretical support for educators, researchers, policymakers, and public administrators to critically reflect on the use of digital technologies in educational settings, encouraging decisions that take into account their ethical, cultural, psychological, and political implications for the formation of new generations. By broadening the public debate on the relationship between technology, cultural formation, and human emancipation, the potential impact of this investigation extends beyond the educational field. By demonstrating that contemporary processes of domination increasingly operate through technological rationality and digital devices in subtle ways, the research highlights the need for policies and educational practices aimed at fostering intellectual autonomy and critical thinking, thereby contributing to the construction of a more democratic, pluralistic, and human rights-oriented society. In line with the United Nation 2030 Agenda, this research directly contributes to Sustainable Development Goal (SDG) 4 – Quality Education by proposing philosophical foundations for critical and emancipatory education; SDG 3 – Good Health and Well-being, by examining the effects of digital culture on psychological well-being; SDG 10 – Reduced Inequalities, by advocating an education committed to the formation of individuals capable of participating critically in social life; and SDG 16 – Peace, Justice and Strong Institutions, by contributing to the strengthening of a culture of resistance to new forms of authoritarianism and to the education of citizens committed to freedom and ethical coexistence. Ultimately, this research is expected to strengthen the social role of education as a privileged space for resisting new forms of barbarism and promoting human emancipation. It offers philosophical foundations that may enable teachers, researchers, and educational institutions to critically rethink their educational practices in light of the challenges posed by digital culture. | en |
| dspace.entity.type | Publication | |
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| unesp.campus | Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Araraquara | pt |
| unesp.examinationboard.type | Banca pública | pt |
| unesp.graduateProgram | Educação Escolar - FCLAR | pt |
| unesp.knowledgeArea | Educação escolar | pt |
| unesp.researchArea | Estudos históricos, filosóficos e antropológicos sobre escola e cultura. | pt |
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