Publicação: Impactos da abelha exótica Apis mellifera africanizada sobre as comunidades de abelhas neotropicais: avanços da última década
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Data
2021
Autores
Orientador
Montagnana, Paula Carolina 

Coorientador
Ribeiro, Milton Cezar 

Pós-graduação
Curso de graduação
Rio Claro - IB - Ecologia
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Trabalho de conclusão de curso
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Invasões biológicas constituem uma das principais perdas de biodiversidade no mundo. Espécies invasoras podem se dispersar de forma natural, porém as atividades antrópicas como o transporte, domesticação e a migração, podem proporcionar condições de dispersão além das capacidades naturais das espécies. Uma vez introduzidas e adaptadas a um novo hábitat, as espécies exóticas invasoras se proliferam rapidamente, devido principalmente a ausência de predadores naturais, ameaçando espécies nativas e o equilíbrio dos ecossistemas. A abelha Apis mellifera é uma espécie nativa da Europa, África e Oriente Médio e devido à baixa performance das abelhas europeias (A. mellifera ligustica) na produção de mel na América do Sul, as abelhas africanas (A. mellifera scutellata) foram introduzidas no Brasil em 1956. O híbrido do cruzamento dessas duas espécies, a A. mellifera africanizada, rapidamente se espalhou pelas Américas e, desde então, a espécie se tornou alvo de estudos envolvendo invasões biológicas, apresentando um risco às comunidades de abelhas e plantas nativas. Sabendo que a A. mellifera africanizada é uma espécie de alta capacidade invasora, muito abundante e competitiva, o presente trabalho buscou responder se a espécie impacta negativamente as comunidades de abelhas Neotropicais. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica que permitiu desenhar um cenário de como está o conhecimento atual, além dos avanços que ocorreram nos últimos dez anos sobre esse tema. A hipótese de um efeito negativo não foi corroborada, porém o parâmetro utilizado para medir seus efeitos sobre abelhas nativas foi a dominância e competição por recursos alimentares. Nesta revisão, a A. mellifera africanizada se destaca como polinizador de grande importância econômica e na polinização complementar junto a espécies nativas em cultivos. Porém, em relação aos impactos negativos, foram observados estudos em que a abelha africanizada age como transmissor de parasitas e patógenos e na competição com espécies nativas, mudando hábitos de forrageamento que indiretamente afetam a dinâmica polinizadorplanta, podendo comprometer o sucesso reprodutivo de espécies de plantas que dependem exclusivamente da polinização de uma abelha nativa, como o maracujá. Ressalta-se a importância de estudos futuros com abordagem empírica, que observe impactos em comunidades de abelhas nativas a longo prazo na região Neotropical, além do desenvolvimento de redes de interações de polinizadores com foco em abelhas, considerando a abundância da A. mellifera como componente principal e estrutural da rede.
Resumo (inglês)
Biological invasions constitute one of the main losses of biodiversity in the world. Invasive species can disperse naturally, but anthropogenic activities such as transport, domestication and migration can provide conditions for dispersion beyond the species' natural capabilities. Once introduced and adapted to a new habitat, invasive alien species proliferate rapidly, mainly due to the absence of natural predators, threatening native species and the balance of ecosystems. A. mellifera is a species native to Europe, Africa and the Middle East and due to the low performance of European bees (A. mellifera ligustica) in honey production in South America, African bees (A. mellifera scutellata) were introduced in Brazil in 1956. The hybrid of the crossing of these two species, the Africanized A. mellifera, quickly spread throughout the Americas and, since then, the species has become the target of studies involving biological invasions, presenting a risk to bee and native plant communities. Knowing that the Africanized A. mellifera is a species of high invasive capacity, very abundant and competitive, the present research sought to answer if the species negatively impacts Neotropical bee communities. For this, a bibliographic review was carried out that allowed to describe a scenario of how current knowledge is and the advances that have occurred in the last ten years on this topic. The hypothesis of a negative effect was not corroborated, but a parameter used to measure its effects on native bees was dominance and competition for food resources. In this review, Africanized A. mellifera stands out as a pollinator of great economic importance and in complementary pollination with native species in crops. However, in relation to the negative impacts, studies were observed in which the Africanized bee acts as a transmitter of parasites and pathogens and in competition with native species, changing foraging habits that indirectly affect the pollinatorplant dynamics, which may compromise the reproductive success of a plant species that depends exclusively on the pollination of a native bee, such as passion fruit. We emphasize the importance of future studies with an empirical approach, which looks at long-term impacts on native bee communities in the Neotropical region, in addition to the development of pollinator interaction networks focusing on bees, considering the abundance of A. mellifera as the main component and structural of the network.
Descrição
Idioma
Português