Percepções atitudinais de crianças com gagueira em contextos familiares e educacionais
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Data
Autores
Orientador
Coorientador
Pós-graduação
Ciências da Saúde e Comunicação Humana - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Objetivo: Investigar a percepção da criança que gagueja a respeito das atitudes familiares e educacionais frente à gagueira. Método: Trata-se de um estudo exploratório inicial, de abordagem quali-quantitativa. Participaram 53 crianças com gagueira do desenvolvimento, de ambos os sexos, com idades entre 5 e 9 anos e 11 meses. Os critérios de inclusão foram: queixa de gagueira por parte dos familiares; diagnóstico de gagueira do desenvolvimento confirmado por fonoaudióloga especialista; persistência das manifestações por no mínimo 12 meses e presença de, no mínimo, 3% de disfluências típicas da gagueira na fala espontânea. A coleta de dados foi realizada por meio de um protocolo de autopercepção elaborado para este estudo, intitulado PPAC-G – Protocolo de Percepções Atitudinais da Criança com Gagueira, composto por perguntas estruturadas e semiabertas, formuladas de maneira lúdica, com linguagem acessível e apoio de recursos visuais. As respostas fechadas foram analisadas por meio de estatística descritiva e testes inferenciais (Qui-quadrado e teste t de Student). As respostas abertas foram submetidas à análise de conteúdo por categorização temática. Resultados: Os resultados indicaram que a maioria das crianças percebe atitudes familiares predominantemente acolhedoras e de incentivo frente à gagueira, com maior frequência de relatos de apoio, paciência e compreensão. Entretanto, uma parcela das crianças relatou a presença de comportamentos diretivos, como correções e pedidos para modificar a fala, percebidos como geradores de pressão comunicativa. A análise qualitativa revelou que, mesmo em contextos de apoio, algumas crianças associam determinadas atitudes familiares a sentimento de insegurança, frustração e ansiedade. No contexto educacional, destacaram-se relatos de maior nervosismo diante de situações comunicativas, sugerindo que as demandas interacionais e a maior exposição verbal no ambiente escolar podem intensificar a autopercepção da fala e a experiência da gagueira. Conclusão: As crianças que gaguejam demonstram capacidade de perceber e interpretar atitudes familiares frente à sua fala, identificando tanto comportamentos facilitadores quanto geradores de tensão comunicativa. Embora a família tenha sido majoritariamente percebida como acolhedora, o ambiente escolar emergiu como contexto de maior vulnerabilidade comunicativa, com relatos de maior nervosismo ao falar. Os achados reforçam a importância de intervenções fonoaudiológicas que valorizem a perspectiva infantil e orientem famílias e escolas para práticas comunicativas mais sensíveis.
Resumo (inglês)
Objective: To investigate the perception of children who stutter regarding family and educational attitudes about stuttering.Method: This is an initial exploratory study with a mixed-methods approach. Fifty-three children with developmental stuttering of both sexes, aged 4 to 9 years and 11 months, participated in the study. Inclusion criteria were: family-reported complaint of stuttering; diagnosis of developmental stuttering confirmed by a speech-language pathologist specializing in fluency disorders; persistence of symptoms for at least 12 months; and the presence of at least 3% stuttering-like disfluencies in spontaneous speech. Data were collected using a self-perception protocol developed for this study, entitled PPAC-S – Child Attitudinal Perception Protocol for Stuttering, composed of structured and semi-open questions designed in a playful format, with accessible language and visual support. Closed-ended responses were analyzed using descriptive statistics and inferential tests (Chi-square and Student’s t-test). Open-ended responses were examined through content analysis with thematic categorization.Results: The findings indicated that most children perceived family attitudes as predominantly supportive and encouraging toward stuttering, with frequent reports of support, patience, and understanding. However, some children reported directive behaviors, such as corrections and requests to modify their speech, which were perceived as generating communicative pressure. Qualitative analysis revealed that even within supportive contexts, some children associated certain family attitudes with feelings of insecurity, frustration, and anxiety. In the educational context, reports of greater nervousness during communicative situations were highlighted, suggesting that interactive demands and increased verbal exposure at school may intensify speech self-perception and the experience of stuttering.Conclusion: Children who stutter demonstrate the ability to perceive and interpret family attitudes toward their speech, identifying both facilitating behaviors and those perceived as generating communicative tension. Although the family was predominantly perceived as supportive, the school environment emerged as a context of greater communicative vulnerability, with reports of increased nervousness when speaking. These findings reinforce the importance of speech-language interventions that value the child’s perspective and guide families and schools toward more sensitive communicative practices.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
STOPA, Sarah Pereira Alonso. Percepções atitudinais de crianças com gagueira em contextos familiares e educacionais. 2026. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde e Comunicação Humana) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2026.



