Publicação:
Modernidade e os projetos de secularização de comunidades religiosas, seus acertos e problemas: uma análise comparativa entre os modelos nacionais sionista e o panarabista

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Data

2024-11

Supervisor

Fuccille, Luis Alexandre

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

Título da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Relatório de pós-doc

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

A formação de Israel como um Estado Nacional laico fundamenta-se no sionismo, movimento político com várias vertentes, que defendia o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado nacional judaico independente. Como movimento nacionalista, opunha-se à assimilação cultural da comunidade judaica por outros sociedades, tendo como bandeira o fim da Diáspora, com o retorno integral à Palestina (Sião ou Sion, colinas que cercam a Terra Santa). Influenciado pelo movimento nacionalista europeu, Theodor Herzl fundou o movimento sionista, defendendo a necessidade da construção da soberania nacional dos judeus em um Estado próprio. A estratégia era imigração e a compra de terras. Mesmo estabelecendo parâmetro propriamente modernos contraliberais, a adesão vinha pelo apelo religioso. Porém, em contraponto ao sionismo religioso e ao sionismo tradicional, desenvolveu-se o sionismo socialista, assumindo protagonismo na primeira metade do século XX, tornando-se o principal núcleo político dos fundadores do Estado de Israel, a exemplo de lideranças como David Ben-Gurion, Golda Meir, Yitzhak Rabin e Shimon Peres, que tinha sólidas bases marxistas, defendendo um estado laico do povo judeu, o que pode ser visto como uma contradição. De outra forma, o panarabismo busca a modernização sem perder a coesão, pela construção da nacionalidade pela língua (o árabe). Em resposta ao fim do modelo religioso do califado, que justificou a existência do Império (Sultanato) otomano. Atribuindo, o fim do Império e a presença neocolonial ocidental na Asia Central e Oriente Médio ao Islã, o panarabismo oferecia a modernidade (de inspiração contraliberal – de inspiração positivista ou marxista) a Ummah, não mais ligada a fé, mas a nacionalidade. Gamal Abdel Nasser, principal ideólogo do panarabismo defendia a união de todos os países de maioria árabe-muçulmana como forma de se contrapor ao domínio neocolonial ocidental. Mesmo sendo um movimento nacionalista, de índole secular, com características eu transitam entre o socialismo e o positivismo, também recorreu a ao apelo religioso por diversos momentos políticos. O recurso de secularização, tanto para o sionismo, quanto para o panarabismo, foi a secularização das comunidades religiosas pelo recurso da nacionalidade. A transição da estrutura comunitária tradicional para modelo societário, moderno, se faz pela substituição da linguagem tradicional pela língua nacional-oficial (culta, elitizada, adotada no ensino formal, meio de difusão da identidade nacional), da constituição de sacralidades institucionais vinculadas a imaginários (que se legitimam, na história e ancestralidade forjadas, na assimilação de regionalidades e folclore e a critérios pseudocientíficos como etnia/raça), sob autoridade estatal e territorialidade. Ainda hoje o sionismo conserva o seu carácter etnorreligioso. O Estado de Israel se apresenta como o Estado do povo judeu e que é um Estado democrático e judeu, o que expõe, uma contradição. Um Estado democrático, dentro de pilares seculares e plurais, pertence a todos os seus cidadãos. O panarabismo é um movimento que tem como premissa de que os povos do mundo árabe são uma única nação. Todos ligados ao património linguístico, cultural e histórico comum, recorrendo a preceitos nacionalistas, seculares e estatizantes. Trata-se de um movimento de natureza emancipatório, pois se opõe ao colonialismo tardio ocidental e à política ocidental, e secularista pois é contrário à tradição otomana, ao califismo e Islã político, considerados as causas de decadência e atraso do Oriente Médio. E sobre este prisma que emerge a pergunta, os modelos de secularização de identidades coletivas religiosas estariam fadados ao fracasso? Seria possível a transformação de uma matriz comunitária religiosa em societária étnico-secular? Logo, busca-se analisar os movimentos sionista e panarábico, suas causas e fundamentos, os recursos de secularização de tradições religiosas e a transição de comunidades encantadas para sociedades nacionais (étnico-seculares). Observar as similitudes, seja nos meios, êxitos e contradições das propostas com o projeto filosófico de modernidade. Para se alcançar os escopos delineados, foi adotado o método exploratório, pela pura pesquisa bibliográfica, com a utilização de metodologia lógica e dedutiva. Recorrendo aos referenciais teóricos liberais e pós-colonialista de relação internacional, a pesquisa evoluirá no sentido de: compreender as causas de formação dos movimentos sionista e panarabista, seus fundamentos comuns, os problemas e contradições e o risco de um refluxo religioso ortodoxo. Para tanto, recorrer-se-á a métodos comparativos, inclusive à linguagem de tradução para se identificar e definir os modelos. Recorrer-se-á a hermenêutica diatópica. O reconhecimento e busca de entendimento e diálogo, pressupõe autoconfirmação sobre a “incompletude” das culturas pelos seus titulares (“hermenêutica diatópica”), o que viabiliza a abertura para a reciprocidade de traduções, para comutatividade cognitiva.

Resumo (inglês)

The formation of Israel as a secular nation state is based on Zionism, a political movement with various strands, which defended the Jewish people's right to self-determination and the existence of an independent Jewish nation state. As a nationalist movement, it opposed the cultural assimilation of the Jewish community by other societies, and its banner was the end of the Diaspora, with a full return to Palestine (Zion, the hills surrounding the Holy Land). Influenced by the European nationalist movement, Theodor Herzl founded the Zionist movement, defending the need to build Jewish national sovereignty in a state of their own. The strategy was immigration and the purchase of land. Even though it established modern counter-liberal parameters, adherence came through religious appeal. However, as a counterpoint to religious Zionism and traditional Zionism, socialist Zionism developed and took centre stage in the first half of the 20th century, becoming the main political nucleus of the founders of the State of Israel, like leaders such as David Ben-Gurion, Golda Meir, Yitzhak Rabin and Shimon Peres, who had solid Marxist foundations, defending a secular state for the Jewish people, which can be seen as a contradiction. Pan-Arabism, on the other hand, seeks modernisation without losing cohesion, by building nationality through language (Arabic). In response to the end of the religious model of the Caliphate, which justified the existence of the Ottoman Empire (Sultanate). By attributing the end of the empire and the Western neo-colonial presence in Central Asia and the Middle East to Islam, pan-Arabism offered modernity (of a counter-liberal - positivist or Marxist inspiration) to the Ummah, no longer linked to faith, but to nationality. Gamal Abdel Nasser, the main ideologue of Pan Arabism, advocated the union of all Arab-Muslim majority countries as a way of opposing Western neo-colonial domination. Although it was a nationalist movement, secular in nature, with characteristics that moved between socialism and positivism, it also resorted to religious appeals at various political moments. The secularisation resource for both Zionism and Pan-Arabism was the secularisation of religious communities through the resource of nationality. The transition from the traditional community structure to the modern societal model is made by replacing the traditional language with the official national language (cultured, elitist, adopted in formal education, a means of spreading national identity), the constitution of institutional sacralities linked to imaginaries (which are legitimised by forged history and ancestry, the assimilation of regionalities and folklore and pseudo-scientific criteria such as ethnicity/race), under state authority and territoriality. Even today, Zionism retains its ethno-religious character.The State of Israel presents itself as the state of the Jewish people and that it is a democratic and Jewish state, which exposes a contradiction. A democratic state, within secular and plural pillars, belongs to all its citizens. Pan-Arabism is a movement whose premise is that the peoples of the Arab world are a single nation. All linked to a common linguistic, cultural and historical heritage, using nationalist, secular and statist precepts. It is an emancipatory movement, as it opposes late Western colonialism and Western politics, and secularist, as it opposes the Ottoman tradition, Caliphism and political Islam, which are considered the causes of decadence and backwardness in the Middle East. From this perspective, the question arises: are the models of secularisation of collective religious identities doomed to failure? Is it possible to transform a religious community matrix into an ethnic-secular society? The aim is to analyse the Zionist and Pan-Arabist movements, their causes and foundations, the resources for secularising religious traditions and the transition from enchanted communities to national (ethnic-secular) societies. To observe the similarities, whether in the means, successes or contradictions of the proposals with the philosophical project of modernity. In order to achieve the objectives outlined, the exploratory method was adopted, through pure bibliographical research, using logical and deductive methodology. Using liberal and post-colonialist theoretical references on international relations, the research will evolve in order to: understand the causes of the formation of the Zionist and Pan-Arabist movements, their common foundations, the problems and contradictions and the risk of an orthodox religious reflux. To this end, comparative methods will be used, including the language of translation to identify and define the models. Diatopic hermeneutics will be used. The recognition and search for understanding and dialogue presupposes self-confirmation of the ‘incompleteness’ of cultures by their holders (‘diatopic hermeneutics’), which makes it possible to open up to the reciprocity of translations, to cognitive commutativity.

Descrição

Idioma

Português

Como citar

VIEIRA, Danilo Porfírio de Castro. Modernidade e os projetos de secularização de comunidades religiosas, seus acertos e problemas: uma análise comparativa entre os modelos nacionais sionista e o panarabista. Supervisor: Luis Alexandre Fuccille. 2024. 88 f. Relatório (Pós-doutorado em Relações Internacionais) – UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, 2024.

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