Publicação: Relações entre cognição, paixões e ação em Aristóteles
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Data
2021-02-25
Orientador
Alves, Marcos Antonio 

Coorientador
Pós-graduação
Filosofia - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O propósito deste trabalho é investigar algumas relações entre as emoções, a cognição e a ação, segundo a perspectiva aristotélica. No primeiro capítulo, projeta-se como a postura epistemológica de Aristóteles envereda para o conhecimento das emoções. Em seguida, argumenta-se a favor de que as emoções sejam, conforme Aristóteles, um distintivo humano, relacionando-as ao logos. Subsequentemente, considerando que pathos designa tanto “emoção” como “afecção”, busca-se distinguir semanticamente essas noções homônimas. Por fim, visa-se a restringir a noção de emoção, figurando para ela uma definição provisória: ao fazer isso e derivar uma fórmula geral, capturam-se os principais componentes metafísicos subsumidos à definição de emoção, a saber, afecção e demais qualidades, desejo e imaginação e ação. No segundo capítulo, almeja-se analisar mais profundamente a estrutura interna das emoções. Especificamente, trata-se da substância que é o ser humano e do motivo de nossas qualidades imanentes serem pré-requisitos do fenômeno de se emocionar, abordando-se especialmente o elemento da afecção e suas relações para com as demais qualidades da alma humana, quais sejam, as disposições e as capacidades. Após isso, caracteriza-se a capacidade desiderativa e imaginativa do ser humano, reforçando seus potenciais deliberativos e morais. Ao final do capítulo, correlaciona-se o desejo irracional e o deliberativo com o direcionamento das ações, postulando seus valores mais ou menos deterministas. Por fim, no terceiro, extraem-se de Retórica descrições de quinze emoções, tomando-as como comprovações das hipóteses formuladas nos capítulos anteriores e, assim, ratificando mais ao final o grau de subjetividade inerente à significação de cada emoção em Aristóteles. Por conseguinte, postula-se como o filósofo antigo compreende, no âmbito da mente humana, a interação entre paixões e a cognição e como tal direciona ações morais. Em conclusão, produz-se, além da condensação do desenvolvimento do texto, uma reflexão a respeito de como as noções de emoções e virtude moral de Aristóteles podem nos amparar no sentido da saúde mental e uma hipótese dialética sobre a concepção de emoção, segundo perspectiva aristotélica. Em suma, enquanto, para as emoções, a cognição pode ser causa eficiente, em relação aos desejos e às sensações, a cognição é preterível. Emoção pode guardar uma relação de propriedade ou acidental com afecção (pathos), mas esta não deve instituir sua essência. Para Aristóteles, antes de as emoções serem estados internos a um agente, elas são fenômenos intersubjetivos que indiciam o equilíbrio entre a identidade e diferença aos seres (sujeitos) operados por linguagem. Assim, as emoções não instituem um aspecto ontológico da alma humana. Elas designam sempre ações manifestas. Sendo tipicamente humanas, todas as nossas ações são moralizáveis, e assim o é em relação às emoções. Se as emoções são moralizáveis, logos se faz necessariamente presente. Nesse sentido, a cognição dá entrada para que a razão atue sobre os atos, considerando que estes são compostos por uma intricada engenharia de faculdades, disposições e estados afetivos em ato.
Resumo (inglês)
The purpose of this work is to investigate a few relationships between emotions, cognition and action from an Aristotelian perspective. In the first chapter, we project how Aristotle's epistemological stance moves towards knowledge of emotions. Next, we argue that emotions are, according to Aristotle, a human distinctive, relating them to logos. Subsequently, considering that pathos designates both 'emotion' and 'affection', we seek to semantically distinguish these homonymous notions. Finally, we aim to restrict the notion of emotion, figuring for it a provisional definition: doing this and deriving a general formula, we capture the main metaphysical components subsumed to the definition of emotion, namely, affection and other qualities, desire and imagination and action. In the second chapter, we aim to further analyze the internal structure of emotions. Specifically, we deal with the substance that is the human being and the reason why our immanent qualities are prerequisites of the phenomenon of being moved, by dealing especially with the element of the affection and its relationship to the other qualities of the human soul, namely, the dispositions and capacities. After that, we characterize the human being's desiderative and imaginative capacity, reinforcing their deliberative and moral potentials. At the end of the chapter, we correlate irrational and deliberative desire with the direction of actions, postulating their more or less deterministic values. Finally, in the third, we extracted from Rhetoric descriptions of fifteen emotions, taking them as evidence of the hypotheses formulated in the previous chapters, and thus ratifying more at the end the degree of subjectivity inherent in the meaning of each emotion in Aristotle. Therefore, we postulate how the ancient philosopher understands, in the realm of the human mind, the interaction between passions and cognition and as such directs moral actions. In conclusion, we produced a reflection on how Aristotle's notions of emotions and moral virtue can support us in the sense of psychotherapeutic practice and possible influences of Aristotelian thought in psychology and in its study of emotions. Briefly, while, for emotions, cognition can be an efficient cause, in relation to desires and sensations, cognition is deprecable. Emotion can have a property accidental relationship with affection (pathos), but this should not establish its essence. For Aristotle, before emotions be internal states to an agent, they are intersubjective phenomena that indicate the balance between identity and difference to individuals (subjects) operated by language. Thus, emotions do not institute an ontological aspect of the human soul. They always designate manifest actions. As being typically human, all of our actions are moralizable, and so it is in relation to emotions. If emotions are moralizable, logos is necessarily present. In this sense, cognition allows a reason to act on acts, considering that they are composed by an intricate engineering of faculties, dispositions and affective states in action.
Descrição
Idioma
Português