Impacto do transporte rodoviário por 48 horas e da suplementação com minerais orgânicos e levedura viva sobre o metabolismo e o desempenho de bovinos Nelore alimentados com forragem de baixa qualidade durante o período seco
| dc.contributor.advisor | Siqueira, Gustavo Rezende [UNESP] | |
| dc.contributor.author | Cesar Neto, José Maria [UNESP] | |
| dc.contributor.institution | Universidade Estadual Paulista (Unesp) | pt |
| dc.date.accessioned | 2025-09-30T17:12:26Z | |
| dc.date.issued | 2025-08-01 | |
| dc.description.abstract | Dois estudos foram conduzidos para investigar como o transporte rodoviário por 48 horas e duas fontes minerais em suplemento adensado afetam o metabolismo, a fermentação ruminal e o desempenho de bovinos Nelore recriados a pasto. No primeiro experimento, 20 novilhos Nelore, canulados no rúmen (peso corporal médio: 530 ± 30 kg; 30 meses) foram blocados por peso corporal e digestibilidade inicial e distribuídos aleatoriamente em baias individuais, em um arranjo fatorial 2 × 2. O primeiro fator foi a condição de transporte: (1) animais não submetidos ao transporte rodoviário (NOTRANS) ou (2) animais submetidos ao transporte rodoviário por 48 horas com privação de água e alimento (CTRANS). O segundo fator foi a fonte mineral do suplemento adensado: (1) INOR – suplemento contendo apenas minerais inorgânicos (macro e microminerais inorgânicos, com selenito de sódio como fonte de Se e sem suplementação de Cr); ou (2) INOR+ORG – suplemento contendo macro e microminerais inorgânicos acrescidos de fontes orgânicas (cromo levedura, levedura enriquecida com selênio, Saccharomyces cerevisiae e proteinato de zinco). O período experimental teve duração de 56 dias, dividido em duas fases: (1) adaptação (d-21 a d-1) e (2) avaliação (d0 a d35). O consumo e a digestibilidade foram avaliados em diferentes períodos de coleta (d3–d5, d11–d13 e d32–d34). O transporte não afetou (P = 0,790) o consumo de matéria seca e de nutrientes. Entretanto, houve interação Transporte × Período para a digestibilidade da matéria seca (P = 0,012), matéria orgânica (P = 0,012), proteína bruta (P = 0,005) e fibra em detergente neutro (P = 0,003), além da excreção fecal (P < 0,001). Animais transportados (CTRANS) apresentaram maior digestibilidade nos dias 3 a 5, porém a digestibilidade foi reduzida e se igualou aos NOTRANS nos períodos de 11 a 13 e 32 a 34. O consumo de suplemento apresentou interação transporte × período em INOR+ORG (P < 0,001). A excreção fecal apresentou interação transporte × período (P = 0,001), sendo menor nos animais CTRANS nos dias 3 a 5, semelhante entre grupos de 11 a 13 dias e superior em CTRANS ao final do período experimental (32 a 34 dias). O metabolismo do nitrogênio também apresentou interação transporte × período para a relação PB:MOD (P = 0,045), consumo de MOD (P = 0,046) e excreção urinária de N (P = 0,047). Animais transportados (CTRANS) exibiram menor relação PB:MOD nos dias 3 a 5, acompanhada por maior excreção de N urinário nesse período, enquanto a excreção fecal de N mostrou padrão dinâmico, com queda inicial (3 a 5 dias) aumento posterior (32 a 34). Houve interação transporte × horário (P ≤ 0,006) para os parâmetros de fermentação ruminal (AGV totais, proporções individuais, pH e N-NH₃). Em CTRANS, observou-se redução dos AGV totais (79,6 para 48,9 mMol/dL) acompanhada de aumento do pH (6,90 para 7,35). O propionato e o butirato apresentaram queda acentuada, enquanto os ácidos graxos ramificados (isobutirato, isovalerato e valerato) aumentaram durante o transporte. O N-NH₃ foi mais elevado em CTRANS nas primeiras 48 h (10,66 vs. 1,61 mg/dL; P < 0,001). No segundo experimento, 80 animais Nelore não castrados (PC 301 ± 20,4 kg) foram distribuídos em delineamento de blocos casualizados (arranjo fatorial 2 × 2), considerando o piquete como unidade experimental, com os mesmos tratamentos aplicados no Experimento 1. Os animais foram mantidos em piquetes de Urochloa brizantha cv. Marandu sob lotação contínua por 126 dias (21 dias de período de adaptação, e 105 dias de período de coletas). Os animais foram blocados de acordo com o peso corporal inicial e, dentro de cada bloco, distribuídos aleatoriamente entre os tratamentos. Observou-se interação transporte × dia para proteína total (P = 0,027), ureia (P < 0,01), albumina (P = 0,03) e IGF-1 (P < 0,01). Animais CTRANS apresentaram maiores concentrações de proteína total nos dias 2 e 5 (7,19 e 6,92 vs. 6,22 e 6,62 g/dL em NOTRANS; P < 0,01) e maior concentração de albumina no dia 2 (3,52 vs. 3,06 g/dL; P < 0,01). A ureia sérica foi mais elevada em CTRANS no dia 2 (32,8 vs. 12,0 mg/dL; P < 0,01), mas posteriormente não diferiu entre grupos. Além disso, verificou-se interação mineral × dia experimental (P = 0,02), com menores concentrações de ureia em INOR+ORG nos primeiros dias pós-transporte (2 e 5), sugerindo efeito benéfico da suplementação sobre o metabolismo nitrogenado, ainda que de forma transitória. O IGF-1 foi reduzido em CTRANS nos dias 2 e 5 (140,8 e 175,8 vs. 256,9 e 244,9 ng/mL em NOTRANS; P < 0,01), com recuperação parcial a partir do dia 10. Para o desempenho, foi detectada interação Transporte × Período (P < 0,001) para peso corporal e GMD. Animais CTRANS apresentaram perda média após as 48 horas de transporte 47,2 kg (14,8% do PV inicial), seguida de recuperação parcial, mas sem alcançar os NOTRANS até o dia 105. Houve efeito da fonte mineral sobre o GMD geral (0 a 105 dias) (P = 0,004), com valores superiores para INOR+ORG em comparação a INOR, independentemente da condição de transporte. O transporte rodoviário de 48 horas impactou a digestibilidade, promoveu instabilidade fermentativa, alterações metabólicas e perda persistente de peso corporal, confirmando seu efeito fisiológico e produtivo de longa duração. A suplementação com minerais inorgânicos acrescidos de fontes orgânicas (INOR+ORG) não evitou as alterações agudas no rúmen e no sangue, mas sustentou maior ganho médio diário em relação à suplementação exclusivamente inorgânica. Além disso, a suplementação com INOR+ORG aumentou o GMD acumulado (0,284 vs. 0,212 kg/dia) e melhorou parâmetros metabólicos, confirmando o benefício previsto para essa estratégia nutricional na atenuação dos efeitos negativos do transporte. Assim, conclui-se que o transporte prolongado gera efeitos persistentes sobre o metabolismo e o desempenho, e que a suplementação INOR+ORG os atenua, mas não os elimina. | pt |
| dc.description.abstract | Two studies were carried out to investigate how 48-hour road transport and two mineral sources supplementation impact the metabolism, ruminal fermentation and performance of Nellore cattle raised on pasture. In the first experiment, 20 rumen-cannulated Nellore steers (average body weight: 530 ± 30 kg; 30 months) were blocked by body weight and initial digestibility and randomly assigned to individual pens in a 2 × 2 factorial arrangement. The first factor was the transport: (1) animals not subjected to road transport (NOTRANS) or (2) animals subjected to 48-h road transport with food and water deprivation (CTRANS). The second factor was the mineral source supplementation: (1) INOR – supplement with inorganic minerals (inorganic macro- and microminerals, with sodium selenite as Se source and without Cr supplementation); or (2) INOR+ORG – supplement with inorganic macro and microminerals added from organic sources (yeast chromium, selenium-enriched yeast, Saccharomyces cerevisiae and zinc proteinate). The experimental period lasted 56 days and was divided into two phases: (1) adaptation (d-21 to d-1) and (2) evaluation (d0 to d35). Intake and digestibility were evaluated at different periods (d3–d5, d11–d13 and d32–d34). Transportation did not affect (P = 0.790) dry matter and nutrient intake. However, there was a Transportation × Period interaction for the digestibility of dry matter (P = 0.012), organic matter (P = 0.012), crude protein (P = 0.005) and neutral detergent fiber (P = 0.003), in addition to fecal excretion (P < 0.001). CTRANS animals showed higher digestibility from day 3 to 5, but the digestibility was reduced and was similar to NOTRANS animals from days 11 to 13 and 32 to 34. Supplement intake showed a transportation × period interaction for INOR+ORG (P < 0.001). Fecal excretion showed transport × period interaction (P = 0.001), being lower for CTRANS animals from day 3 to 5, and similar among treatments from day 11 to 13, and higher for CTRANS at the end of the experimental period (from day 32 to 34). Nitrogen metabolism also showed transport × period interaction for CP:MOD ratio (P = 0.045), MOD intake (P = 0.046) and urinary N excretion (P = 0.047). CTRANS animals showed a lower CP:MOD ratio from day 3 to 5, accompanied by a higher urinary N excretion during this period, while fecal N excretion showed a dynamic pattern, with an initial decrease (from day 3 to 5) and a subsequent increase (from day 32 to 34). There was a transport × time interaction (P ≤ 0.006) for ruminal fermentation parameters (total VFA, individual proportions, pH, and N-NH A reduction in total VFA (79.6 to 48.9 mMol/dL) was observed for CTRANS animals, accompanied by an increase in pH (6.90 to 7.35). Propionate and butyrate showed a sharp decrease, while branched fatty acids (isobutyrate, isovalerate, and valerate) increased during transport. N-NH₃ was higher in CTRANS animals in the first 48 h (10.66 vs. 1.61 mg/dL; P < 0.001). In the second experiment, 80 non-castrated Nellore animals (BW 301 ± 20.4 kg) were distributed in a randomized block design (2 × 2 factorial arrangement), considering the paddock as the experimental unit, with the same treatments applied in Experiment 1. The animals were kept in Urochloa brizantha cv. Marandu paddocks under continuous stocking rate for 126 days (21-day adaptation period and 105-day collection period). Within each block, the animals were randomly distributed among treatments. A transport × day interaction was observed for total protein (P = 0.027), urea (P < 0.01), albumin (P = 0.03), and IGF-1 (P < 0.01). CTRANS animals had higher total protein concentrations on days 2 and 5 (7.19 and 6.92 vs. 6.22 and 6.62 g/dL in NOTRANS; P < 0.01) and higher albumin concentration on day 2 (3.52 vs. 3.06 g/dL; P < 0.01). Serum urea was higher in CTRANS animals on day 2 (32.8 vs. 12.0 mg/dL; P < 0.01) but did not differ among treatments thereafter. Furthermore, a mineral × experimental day interaction was observed (P = 0.02), with lower urea concentrations in INOR+ORG on the first day after transport (2 and 5), suggesting a beneficial effect of supplementation on nitrogen metabolism. IGF-1 was reduced in CTRANS animals on days 2 and 5 (140.8 and 175.8 vs. 256.9 and 244.9 ng/mL in NOTRANS; P < 0.01), with partial recovery from day 10. It was observed a Transport × Period interaction (P < 0.001) for body weight (BW) and average daily gain (ADG). CTRANS animals showed an average loss of 47.2 kg (14.8% of initial BW) after 48 hours of transport, followed by partial recovery, but without reaching NOTRANS animals until day 105. There was an effect of the mineral source on the overall ADG (0 to 105 days; P = 0.004), with higher values for INOR+ORG compared with INOR, regardless of the transport condition. The 48-hour road transport impacted digestibility, promoted fermentative instability, metabolic alterations, and persistent body weight loss, confirming its long-term physiological and productive effect. Inorganic minerals added to organic sources supplementation (INOR+ORG) did not prevent acute changes in the rumen and blood, but sustained greater ADG compared with exclusively inorganic supplementation (INOR). Furthermore, INOR+ORG supplementation increased accumulated ADG (0.284 vs. 0.212 kg/day) and improved metabolic parameters, confirming the predicted benefit of this nutritional strategy in mitigating the negative effects of transportation. Thus, we conclude that prolonged transportation generates persistent effects on metabolism and performance, and that INOR+ORG supplementation mitigates, but does not eliminate, these effects. | en |
| dc.description.sponsorship | Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) | |
| dc.description.sponsorshipId | CNPq: 162943/2021-0 | |
| dc.identifier.capes | 33004102002P0 | |
| dc.identifier.citation | CESAR NETO, J.M. - Impacto do transporte rodoviário por 48 horas e da suplementação com minerais orgânicos e levedura viva sobre o metabolismo e o desempenho de bovinos Nelore alimentados com forragem de baixa qualidade durante o período seco - 2025, 128f - Tese (Doutorado em Ciência Animal) - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Jaboticabal, 2025. | pt |
| dc.identifier.lattes | 7758245446413239 | |
| dc.identifier.orcid | 0000-0003-3538-4246 | |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/11449/314007 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.publisher | Universidade Estadual Paulista (Unesp) | |
| dc.rights.accessRights | Acesso aberto | pt |
| dc.subject | Bovinos de corte | pt |
| dc.subject | Estresse fisiológico | pt |
| dc.subject | Cromo levedura | pt |
| dc.subject | Selênio | pt |
| dc.subject | Proteinato de zinco | pt |
| dc.title | Impacto do transporte rodoviário por 48 horas e da suplementação com minerais orgânicos e levedura viva sobre o metabolismo e o desempenho de bovinos Nelore alimentados com forragem de baixa qualidade durante o período seco | pt |
| dc.title.alternative | Impact of 48-hour road transport and supplementation with organic minerals and live yeast on the metabolism and performance of Nellore cattle fed low-quality forage during the dry season | en |
| dc.type | Tese de doutorado | pt |
| dspace.entity.type | Publication | |
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| unesp.campus | Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal | pt |
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| unesp.graduateProgram | Ciência Animal - FCAV | pt |
| unesp.knowledgeArea | Nutrição e produção animal | pt |
| unesp.researchArea | Bovinocultura de Corte. | pt |
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