Publicação: História natural da cidade do Rio de Janeiro: a paisagem como categoria de análise na literatura de viagem
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Data
2023-12-12
Autores
Orientador
Godoy, Paulo Roberto Teixeira de 

Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
Rio Claro - IGCE - Geografia
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Trabalho de conclusão de curso
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Apesar da passagem de diversos naturalistas viajantes pelo Brasil durante quase todo século XIX, nenhum deles deixou discípulos. Em contrapartida, deixaram uma rica coleção de registros como cartas, diários, registros de bordo, relatos de naufrágio e textos que buscavam formas, motivos e temas de diversas naturezas. Esse vasto material, baseado em relatos descritivos, muitas vezes estranha às ciências naturais, é uma rica fonte de informações significativas que é negligenciada por trabalhos biogeográficos. Entende-se, portanto, que a elaboração de ferramentas metodológicas para sistematizar o imenso volume de conhecimento difundido entre esses inúmeros relatos se mostra fundamental. Nesse sentido, o objetivo central desse trabalho se constituiu na utilização da abordagem oferecida pela geografia histórica, empregada na análise sistematizada da literatura de viagem, visando contribuir para a avaliação da ação antrópica sobre a distribuição geográfica da biota pretérita no processo de urbanização da cidade do Rio de Janeiro no início do século XIX. Através do levantamento bibliográfico, identificamos na publicação trazida por Spix e Martius em “Viagem pelo Brasil” (1823), a fonte primária mais adequada a nossa proposta de abordagem. A análise documental sugere que os naturalistas permaneceram no Rio de Janeiro por cerca de cinco meses (julho-dezembro). Nesse período, relataram diversas incursões aos morros e serras que circundavam a cidade, incluindo uma subida até o pico do Corcovado. A partir da combinação entre as descrições paisagisticas trazidas pelos relatos, informações das estiquetas dos vouchers de espécimens botânicos depositados em herbários, documentos cartográficos antigos, mapas e imagens de satélite, buscamos reconstruir a paisagem da cidade e seus arredores daquele início de século. A reconstrução dos principais caminhos percorridos pelos naturalistas nos permitiu subdividir esse trajeto em cinco trechos com paisagens distintas: (1) Mangue, (2) rua Mata-Porcos, (3) Encosta que antecede o Corcovado, (4) Ao longo do aqueduto e (5) Subida ao Corcovado. No contexto, a cidade demonstrava um forte vetor de expansão na direção OSO. Se iniciavam as obras de aterramento do mangue de São Diogo que, naquele momento, se apresentava como uma planície pantanosa entremeada pelas águas e o lodo do mar. Apesar dos relatos citarem a presença de espécies típicas de mangue como a sereíba (Avicennia tomentosa) e o mague-vermelho (Rhizophora mangle), o que chamou mais a atenção dos viajantes é a presença de lixo e animais mortos. Desde a passagem dos naturalistas pela cidade, a mancha urbana expandiu, em média, mais de cem metros por década (um quilômetro/século) em direção as encostas da Serra da Carioca, chegando nos limites do Parque Nacional da Tijuca, junto à Cascata da Carioca. A análise da paisagem histórica da cidade do Rio de Janeiro do século XIX, através do olhar de Martius e Spix, não se encerra em si. Essa discreta produção abre possibilidades para que seus resultados sejam utilizados para melhorar a precisão das informações das etiquetas dos vouchers depositados em coleções, tendo sua aplicação em estudos de conservação e recuperação ambiental, criação de roteiros eco-turísticos, além de servir de subsídios para a educação ambiental e do resgate da paisagem enquanto patrimônio.
Resumo (inglês)
Despite the passage of several traveling naturalists through Brazil during most of the 19th century, none of them ended up leaving any disciples. On the other hand, they left behind a rich collection of records such as letters, diaries, logbooks, shipwreck reports and texts that sought out forms, motifs and themes of various kinds. This vast material, based on descriptive accounts, often foreign to the natural sciences, is a rich source of significant information that is neglected by biogeographical works. Therefore, the development of methodological tools to systematize the immense volume of knowledge disseminated among the countless travel reports by naturalists is fundamental for validating this information. To this end, the central objective of this work was to use the approach offered by historical geography, employed in the systematized analysis of travel literature, with the aim of contributing to the evaluation of anthropic action on the geographical distribution of prehistoric biota in the urbanization process of the city of Rio de Janeiro in the early 19th century. Through the bibliographic survey, we identified the publication brought by Spix and Martius in “Viagem pelo Brasil” (1823), the primary source most appropriate to our proposed approach. Documentary analysis suggests that Martius and Spix stayed in Rio de Janeiro for around five months (July-December). During this period, they reported several incursions into the hills and mountains surrounding the city, including a climb to the peak of Corcovado. By combining the landscape descriptions provided by the reports, information from the voucher labels of botanical specimens deposited in herbariums, old cartographic documents, maps and satellite images, we sought to reconstruct the landscape of the city and its surroundings at the beginning of the century. The reconstruction of the main paths taken by the naturalists allowed us to subdivide this route into five sections with distinct landscapes: (1) Mangue, (2) Mata-Porcos street, (3) Slope leading up to Corcovado, (4) Along the aqueduct and (5) Ascent to Corcovado. In this context, the city was showing a strong vector of expansion in a WSW direction. Work was beginning on filling in the São Diogo mangrove swamp, which at the time appeared to be a marshy plain interspersed with the waters and mud of the sea. Although the reports mention the presence of typical mangrove species such as the sereíba (Avicennia tomentosa) and mague-vermelho (Rhizophora mangle), what draws the attention of travelers is the presence of garbage and dead animals. Since the passage of the naturalists through the city, the urban sprawl has expanded, on average, by more than a hundred meters per decade (one kilometer/century) towards the slopes of the Serra da Carioca, reaching the limits of the Tijuca National Park, next to the Carioca Waterfall. The analysis of the historical landscape of the city of Rio de Janeiro in the 19th century, through the eyes of Martius and Spix, does not end in itself. This discreet production opens up possibilities for its results to be used to improve the accuracy of the location of voucher labels deposited in collections, with application in conservation and environmental recovery studies, the creation of eco-tourism routes, as well as serving as a subsidy for environmental education and the rescue of the landscape as heritage.
Descrição
Palavras-chave
Geografia cultural, História natural, Biodiversidade, Naturalistas, Ações antrópicas, Urbanização, Paisagem, Mata Atlântica, Impacto ambiental, Biogeografia, Natural history, Biodiversity, Landscape, Urbanization, Cultural geography, Atlantic forest, Biogeopraghy, Anthropogenic actions, Naturalists, Environmental impacts
Idioma
Português