Mestra Makuxi Vovó Bernaldina: uma leitura dos eremukon de Meriná como expressão decolonial
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Data
Orientador
Rocha, Elizabete Sanches 

Coorientador
Pós-graduação
Estudos Literários - FCLAR
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A presente tese reflete sobre a obra e vida da mestra Makuxi Vovó Bernaldina José Pedro, artista de múltiplos talentos, mulher pajé de sua comunidade, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, na etno-região circum-Roraima. Intérprete dos eremukon, cantos indígenas milenares, ela é autora da obra bilíngue Cantos e Encantos Meriná Eremukon (2019), juntamente com Devair Fiorotti, trabalho ilustrado por Jaider Esbell e que faz parte do projeto Panton Pia’, uma das primeiras pesquisas a registrar em áudio, vídeo e livros os imemoriais cantos indígenas entoados em cerimonias diversas nas comunidades até os dias atuais, resistindo ao tempo e aos etnocídios praticados na região. Tal expressão artística e cultural fundamenta a literatura brasileira e como tal, deveria estar inserida nos cânones ainda hoje utilizados para definir o que será ensinado em escolas e universidades como marco temporal da literatura no país. Na pesquisa buscou-se identificar de que maneira a figura da mestra indígena Vovó Bernaldina tornou-se símbolo de resistência e valorização da cultura Makuxi, com o objetivo de compreender o fazer literário dos povos originários como uma expressão de resistência cultural, política e de valorização das narrativas indígenas. Vovó Bernaldina tinha um modo sui generis de fazer literatura com a voz, o corpo, os adornos, as pinturas iconográficas na pele, numa tessitura metafísica que encantou a sociedade envolvente não indígena e abriu espaço para uma escuta cada vez mais ampla da cultura Makuxi. A partir dos saberes e práticas decoloniais, do pensamento crítico indígena, a presente tese foi construída dentro da ótica qualitativa, trançando fontes diversas de informações e vivências. Trata-se ainda de uma pesquisa bibliográfica e um estudo de caso. O trabalho busca desenvolver o conceito de “leitura em dois mundos”, que seria a habilidade de leitura e compreensão desse fazer literário que extrapola a plataforma livro e que tem na autora/intérprete indígena sua plataforma de expressão. O trabalho vem demostrar que a literatura feita a partir da oralidade persiste no tempo e se configura para além do som, da música e da voz. Dança, ritmo, traços, adornos também contam histórias em tempo real. Ler em dois mundos seria compreender a realidade indígena em contraste com o mundo não indígena, um mergulho na alteridade, um adentrar nos mundos indígenas, se permitindo ler com todos os sentidos. A tese indica também um tipo único de autoria indígena brasileira que vem a enriquecer ainda mais o campo da literatura indígena contemporânea. Esse fazer literário, essa performance cultural, ilustrada pelo legado de Vovó Bernaldina, filha de Makunaimî, oferece aos seus descendentes indígenas e aos não indígenas de modo geral, ferramentas epistemológicas para um pensamento decolonial autônomo, naturalizando a existência harmônica entre humanos de todos os tipos e a terra mãe, a receita basilar do presente/futuro a partir de soluções ancestrais.
Resumo (espanhol)
Esta tesis tiene como objetivo presentar la obra y la vida de la maestra Makuxi Abuela Bernaldina José Pedro, una artista de múltiples talentos, una mujer chamán de su comunidad, intérprete de canciones indígenas de la etno-región circum-Roraima. Es autora de la obra bilingüe Cantos e Encantos Meriná Eremukon (2019), junto a Devair Fiorotti, obra ilustrada por Jaider Esbell y que forma parte del proyecto Panton' Pia, la primera investigación que se registra en audio, video y libros los cantos indígenas inmemoriales cantados en diversas ceremonias en las comunidades existentes en la contemporaneidad. Esa expresión artística y cultural, que llamamos oralitura, es la base de la literatura brasileña y, como tal, debe ser incluida en los cánones que aún hoy se utilizan para definir lo que se enseñará en las escuelas y universidades como hito inicial de la literatura brasileña. Nuestro objetivo es identificar a partir de qué manera, la figura ancestral de Vó Bernaldina se convirtió en una herramienta de resistencia decolonial y de valorización de la cultura Makuxi, a partir de los conceptos de oralitura, de Leda Martins, y escritavência, de Conceição Evaristo, mapeando la performance cultural de Vó Bernaldina y su forma sui generis de hacer literatura con la voz, el cuerpo, los adornos, las pinturas iconográficas sobre la piel, en un tejido metafísico que encantó a la sociedad no indígena circundante y abrió espacio para una escucha cada vez más amplia de la cultura Makuxi. La tesis se construyó desde una perspectiva cualitativa, desde una perspectiva decolonial en combinación con los estudios culturales, adentrándose en el campo de la identidad. También es una investigación bibliográfica y un estudio de caso. A partir de la vida/obra de Vó Bernaldina, identificamos a otras mujeres indígenas que Trabajan en el mismo conjunto de prácticas ancestrales y siguen tejiendo y fortaleciendo esta obra literaria. La investigación busca desarrollar el concepto de "lectura en dos mundos", que sería la capacidad de leer y comprender esta obra literaria que va más allá de la plataforma del libro y que tiene en el autor/intérprete indígena su plataforma de expresión. El trabajo muestra que la literatura hecha desde la oralidad persiste en el tiempo y se configura más allá del sonido, la música, la voz. La danza, el ritmo, los trazos, los adornos también cuentan historias en tiempo real. Leer en dos mundos sería comprender la realidad indígena en contraste con el mundo no indígena, una inmersión en la alteridad, una entrada en el perspectivismo amerindio, permitiéndose leer con todos los sentidos. La tesis también indica un tipo único de autoría indígena brasileña, que ha venido a enriquecer más aún en el campo de la literatura indígena contemporánea. Esta obra literaria, esta performance cultural, ilustrada por el legado de Vó Bernaldina, hija de Makunaimî, ofrece a sus descendientes indígenas y no indígenas en general, herramientas epistemológicas para un pensamiento decolonial autónomo, naturalizando la existencia armónica entre los seres humanos de todo tipo y la madre tierra, la receta básica del presente/futuro con soluciones ancestrales.
Descrição
Palavras-chave
Literaturas indígenas, Povo Makuxi, Vovó Bernaldina, Decolonialidade, Abuela Bernaldina, Pueblo Macuxi, Decolonialidad
Idioma
Português
Citação
COSTA, Vanessa Augusta do Nascimento Brandão e. Mestra Makuxi Vovó Bernaldina: uma leitura dos eremukon de Meriná como expressão decolonial. 2025. 184 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2025.


