“Democracia à nossa maneira”: ação política do jornal Letras em Marcha contra a redemocratização (1977-1985)
Carregando...
Data
Orientador
Barbosa, Jefferson Rodrigues 

Coorientador
Pós-graduação
Ciências Sociais - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O período de transição da Ditadura Militar brasileira, conhecido como Abertura Política, não constituiu um ato monolítico, sendo influenciado por disputas e conflitos tanto no interior da sociedade quanto no bloco no poder. De fato, os militares mantiveram o controle ao longo de todo o processo, garantindo a preservação de parcela significativa de seus interesses. Contudo, o resultado final não ocorreu conforme o planejado, pois a ideia inicial de distensão, baseada na reforma da institucionalidade vigente, acabou sendo deslocada para um processo de redemocratização que culminou no fim do regime. Em decorrência disso, parte dos militares demonstrou descontentamento com os rumos que o processo vinha assumindo. Para esses setores, era fundamental a manutenção dos valores e ideais do Golpe Civil-Militar de 1964. Uma dessas frações, ligada aos segmentos mais linha-dura da direita militar, organizou-se em torno do jornal do grupo Letras em Marcha e, por meio de suas páginas, passou a pressionar pela defesa e preservação do modelo político do regime. A presente tese parte da hipótese de que o periódico, ao perceber a possibilidade de esgotamento da institucionalidade oriunda do golpe, mobilizou, por meio dos aparelhos de hegemonia, ações políticas destinadas tanto a pressionar e influenciar o processo quanto a lançar seus próprios candidatos em disputas eleitorais, com o objetivo de legitimar e manter a Ditadura Militar. Ao final, contudo, o jornal não obteve êxito. Para este estudo, foram utilizados exemplares do Letras em Marcha publicados entre 1977 e 1985, com foco nos artigos que abordavam direta ou indiretamente o processo de Abertura Política. A análise buscou compreender de que forma se desenvolveu sua ação política em defesa da institucionalidade do regime. Nesse sentido, é possível observar uma crescente radicalização do discurso do grupo, marcada pelo fortalecimento do anticomunismo, pelo aumento dos ataques aos opositores, pela defesa da memória do golpe e do crescimento econômico, bem como, de forma curiosa, pelo uso recorrente do conceito de democracia na legitimação da Ditadura. Esses elementos indicam que o Letras em Marcha e seus colaboradores concebiam o regime militar — com sua institucionalidade autoritária e eleições indiretas — como uma forma de democracia, ou, mais precisamente, como uma democracia à sua maneira.
Resumo (inglês)
The transition period of the Brazilian Military Dictatorship, known as the Political Opening, was not a monolithic process, as it was influenced by disputes and conflicts within society and the ruling bloc. In fact, the Military maintained control throughout the entire process, securing a significant portion of its interests. However, the outcome did not unfold as planned: the initial project of détente, based on reforms to the existing institutional framework, gradually shifted toward a process of re-democratization, ultimately leading to the end of the regime. As a result, segments of the military became dissatisfied with the direction the process was taking. For these groups, preserving the values and ideals of the 1964 Civil-Military Coup was essential. One such faction, linked to the hardline sectors of the Military right, organized itself around the newspaper Letras em Marcha and, through its pages, exerted pressure in defense of and in support of the preservation of the regime’s political model. This thesis advances the hypothesis that the periodical, upon recognizing the potential collapse of the institutional framework established by the coup, mobilized—through the apparatuses of hegemony— political actions aimed both at exerting pressure and influence and at launching its own candidates in electoral contests, with the objective of legitimizing and sustaining the Military Dictatorship. Ultimately, however, the newspaper was unsuccessful. Thus, this study analyzes issues of Letras em Marcha published between 1977 and 1985, focusing on articles that addressed or were related to the process of the Political Opening. It examines how the newspaper’s political action in defense of the regime’s institutional framework was carried out. In this context, it is possible to observe the growing radicalization of the group’s discourse, marked by intensified anti-communism, increased attacks against political opponents, a defense of both the memory of the coup and economic growth, and, notably, the recurrent use of the concept of democracy in the justification of the Dictatorship. These elements indicate that Letras em Marcha and its collaborators understood the military regime—with its authoritarian institutions and indirect elections—as a form of democracy, or rather, a democracy of their own kind.
Descrição
Palavras-chave
Brasil - História - 1964-1985, Militares - Atividades políticas - Brasil, Imprensa e política, Grupos de pressão, Propaganda anticomunista - Brasil, Democratização - Brasil, Political Action, Pressure groups, Military, Military right, Political opening
Idioma
Português
Citação
RUIZ, Carlos Henrique dos Santos. “Democracia à Nossa Maneira”: ação política do jornal Letras em Marcha contra a redemocratização (1977-1985). 2026. 188 p. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.


