Colonialidade, segurança e pacificação: uma leitura decolonial das UPPs no Rio de Janeiro
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Data
Autores
Orientador
Pereira, Paulo José dos Reis
Coorientador
Pós-graduação
Relações Internacionais - IPPRI
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Este estudo investiga a atualização dos mecanismos de violência colonial na contemporaneidade, com foco nas favelas cariocas, a partir da transnacionalização de técnicas e discursos. O problema central consiste em analisar como essas técnicas, articuladas a discursos globais de segurança, são incorporadas às políticas de segurança pública no Brasil, em particular na implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro entre as décadas de 1990 e 2010. Parte-se da hipótese de que há uma continuidade histórica dos dispositivos estatais de controle social direcionados à população marginalizada brasileira, os quais operam por meio de recortes racializados e classistas, sustentando hierarquias sociais forjadas no legado colonial. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica crítica e análise de documentos oficiais e literatura especializada, mobilizando uma epistemologia decolonial como ferramenta analítica. Analisar-se-á a circulação e adaptação de experiências de pacificação, com destaque para o caso colombiano na Operação Órion e para a atuação das Forças Armadas brasileiras na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), examinando de que modo a Colonialidade do Poder estrutura as estratégias de segurança promovidas sob o discurso da pacificação e se articula ao regime internacional de proibição das drogas na construção de um inimigo interno racializado. Conclui-se que as UPPs não configuram uma política isolada, porque expressam a materialização local de um dispositivo global de segurança que legitima práticas repressivas e militarizadas, naturaliza a violência estatal e reinscreve a colonialidade como princípio organizador das políticas de segurança e drogas no Brasil.
Resumo (inglês)
This study investigates the updating of colonial violence mechanisms in contemporary times, focusing on the favelas of Rio de Janeiro, through the transnationalization of techniques and discourses. The central problem consists of analyzing how these techniques, articulated with global security discourses, are incorporated into public security policies in Brazil, particularly in the implementation of the Pacifying Police Units (UPPs) in Rio de Janeiro between the 1990s and 2010s. It starts from the hypothesis that there is a historical continuity of state devices of social control directed at the marginalized Brazilian population, which operate through racialized and classist divisions, sustaining social hierarchies forged in the colonial legacy. Methodologically, the research adopts a qualitative approach, based on a critical bibliographic review and analysis of official documents and specialized literature, mobilizing a decolonial epistemology as an analytical tool. This study will analyze the circulation and adaptation of pacification experiences, highlighting the Colombian case in Operation Orion and the actions of the Brazilian Armed Forces in the United Nations Stabilization Mission in Haiti (Minustah). It will examine how the Coloniality of Power structures security strategies promoted under the discourse of pacification and articulates with the international drug prohibition regime in the construction of a racialized internal enemy. The conclusion is that the UPPs (Pacifying Police Units) do not constitute an isolated policy, but rather express the local materialization of a global security apparatus that legitimizes repressive and militarized practices, naturalizes state violence, and reinscribes coloniality as an organizing principle of security and drug policies in Brazil.
Resumo (espanhol)
Este estudio investiga la actualización de los mecanismos de violencia colonial en la actualidad, centrándose en las favelas de Río de Janeiro, a través de la transnacionalización de técnicas y discursos. El problema central consiste en analizar cómo estas técnicas, articuladas con discursos de seguridad global, se incorporan a las políticas de seguridad pública en Brasil, particularmente en la implementación de las Unidades Policiales Pacificadoras (UPP) en Río de Janeiro entre las décadas de 1990 y 2010. Parte de la hipótesis de que existe una continuidad histórica de los dispositivos estatales de control social dirigidos a la población brasileña marginada, que operan a través de divisiones racializadas y clasistas, perpetuando jerarquías sociales forjadas en el legado colonial. Metodológicamente, la investigación adopta un enfoque cualitativo, basado en una revisión bibliográfica crítica y un análisis de documentos oficiales y literatura especializada, movilizando una epistemología decolonial como herramienta analítica. Este estudio analizará la circulación y adaptación de las experiencias de pacificación, destacando el caso colombiano en la Operación Orión y las acciones de las Fuerzas Armadas Brasileñas en la Misión de Estabilización de las Naciones Unidas en Haití (Minustah). Este estudio examinará cómo la colonialidad del poder estructura las estrategias de seguridad promovidas bajo el discurso de la pacificación y se articula con el régimen internacional de prohibición de drogas en la construcción de un enemigo interno racializado. La conclusión es que las UPP (Unidades Policiales Pacificadoras) no constituyen una política aislada, sino que expresan la materialización local de un aparato de seguridad global que legitima prácticas represivas y militarizadas, naturaliza la violencia estatal y reafirma la colonialidad como principio organizador de las políticas de seguridad y de drogas en Brasil.
Descrição
Palavras-chave
Rio de Janeiro, Unidades de Polícia Pacificadora, Unidades policiales pacificadas, Pacifying Police Units, Transnacionalismo, Transnationalism, Decolonialidade, Decoloniality, Descolonialidad, Tráfico de drogas, Drug trafficking
Idioma
Português
Citação
DONEGÁ, Paula de Faria. Colonialidade, segurança e pacificação: uma leitura decolonial das UPPs no Rio de Janeiro. Orientador: Paulo José dos Reis Pereira. 2026. 115 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) – UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, São Paulo, 2026.



