Participação da neurotransmissão do fator liberador de corticotrofina no córtex insular no controle das respostas cardiovasculares e ansiogênica ao estresse de restrição em ratos
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Orientador
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Pós-graduação
Ciências Farmacêuticas - FCF
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
O estresse é um fator de risco para doenças cardiovasculares e transtornos psiquiátricos, embora seus mecanismos neurobiológicos ainda não sejam completamente compreendidos. O córtex insular (CI) atua na integração autonômica e emocional, apresentando dissociação funcional ao longo do seu eixo rostrocaudal. O sistema do fator liberador de corticotrofina (CRF), um importante modulador das respostas ao estresse, foi identificado no CI. Entretanto, o papel da neurotransmissão CRFérgica no CI na regulação das respostas autonômicas e comportamentais frente ao estresse ainda não havia sido elucidado. Desse modo, este estudo investigou o papel da neurotransmissão CRFérgica, mediado pela ativação do receptor CRF1, nas sub- regiões anterior (CIa), posterior-rostral (CIpr) e posterior-caudal (CIpc) do CI no controle das respostas cardiovasculares e comportamentais ao estresse de restrição em ratos. Para isso, ratos Wistar foram submetidos à cirurgia estereotáxica para a implantação bilateral de cânulas-guia em uma das sub- regiões do CI. Grupos independentes de animais receberam microinjeções locais de veículo (100 nL), CP376395 (antagonista seletivo do receptor CRF1, 5 nmol/100 nL) ou CRF (0,07 nmol/100 nL) e foram expostos a uma sessão de estresse de restrição agudo ou à 10ª sessão de estresse de restrição repetido (ERR). As respostas cardiovasculares [pressão arterial média (PAM), frequência cardíaca (FC) e temperatura cutânea da cauda (TCC)] foram avaliadas durante o estresse agudo e a 10ª sessão de estresse, enquanto o efeito do tipo ansiogênico e a ativação neuronal (imunorreatividade à proteína Fos) foram avaliados após o estresse agudo. Também foram avaliados os níveis do receptor CRF1 nas sub-regiões do CI após exposição repetida ao estresse. Observamos que o antagonismo do CRF1 no CIa atenuou a taquicardia e aumentou a queda da TCC durante o estresse de restrição agudo. No CIpr, a mesma abordagem farmacológica reduziu a resposta pressora e aumentou a queda da TCC. No CIpc observou-se diminuição das respostas pressora e taquicárdica após o antagonismo do receptor CRF1. O ERR alterou o controle da neurotransmissão CRFérgica sobre as respostas cardiovasculares no CIpr e no CIpc, mas não no CIa. Essas alterações foram caracterizadas por uma atenuação dos efeitos observados com o antagonismo do receptor CRF1 durante a 10ª sessão em relação aos efeitos observados nos animais estressados agudamente, enquanto a administração local de CRF provocou efeitos nos animais estressados cronicamente que não foram observados em animais submetidos a uma única sessão de estresse. O bloqueio do receptor CRF1 no CIa e CIpc inibiu o comportamento tipo-ansiogênico induzido pelo estresse agudo, efeito que foi replicado no CIpr pela administração de CRF. O estresse de restrição agudo aumentou a ativação neuronal no CIa e CIpr e reduziu no CIpc. A microinjeção de CP376395 no CIa aumentou a ativação neuronal local, enquanto a administração de CRF no CIpc reverteu a alteração induzida pela restrição. O ERR não alterou a expressão do receptor CRF1 em nenhuma das sub-regiões do CI. Em síntese, nossos resultados indicam que a neurotransmissão CRFérgica no CI exerce controle sítio-específico sobre as respostas cardiovasculares e comportamentais ao estresse, mediada por uma modulação complexa da ativação neuronal local. Adicionalmente, evidenciamos que esse controle cardiovascular é modulado pela exposição prévia ao estresse.
Resumo (inglês)
Stress is a risk factor for cardiovascular diseases and psychiatric disorders,
although its neurobiological mechanisms are not yet fully understood. The insular
cortex (IC) plays a key role in autonomic and emotional integration and exhibits
functional dissociation along its rostrocaudal axis. The corticotropin-releasing
factor (CRF) system, an important modulator of stress responses, has been
identified in the IC. However, the role of CRFergic neurotransmission in the IC in
regulating autonomic and behavioral responses to stress had not yet been
elucidated. Thus, this study investigated the role of CRFergic neurotransmission
mediated by activation of the CRF1 receptor in the anterior (aIC), rostral-posterior
(rpIC), and caudal-posterior (cpIC) subregions of the IC in the control of
cardiovascular and behavioral responses to restraint stress in rats. For this
purpose, Wistar rats were submitted to stereotaxic surgery for bilateral
implantation of guide cannulae into one of the IC subregions. Independent groups
of animals received local microinjections of vehicle (100 nL), CP376395
(selective CRF1 receptor antagonist, 5 nmol/100 nL), or CRF (0.07 nmol/100 nL)
and were exposed either to an acute restraint stress session or to the 10th
session of repeated restraint stress (RRS). Cardiovascular responses [mean
arterial pressure (MAP), heart rate (HR), and tail skin temperature (TST)] were
evaluated during acute stress and during the 10th stress session, whereas
anxiety-like behavior and neuronal activation (Fos protein immunoreactivity) were
assessed after acute stress exposure. CRF1 receptor levels in IC subregions
were also evaluated after repeated stress exposure. We observed that CRF1
receptor antagonism in the aIC attenuated tachycardia and increased the
reduction in TST during acute restraint stress. In the rpIC, the same
pharmacological approach reduced the pressor response and increased the
reduction in TST. In the cpIC, CRF1 receptor antagonism decreased both pressor
and tachycardic responses. Repeated restraint stress altered the control exerted
by CRFergic neurotransmission over cardiovascular responses in the rpIC and
cpIC, but not in the aIC. These changes were characterized by attenuation of the
effects observed with CRF1 receptor antagonism during the 10th session
compared with those observed in acutely stressed animals, whereas local
administration of CRF produced effects in chronically stressed animals that were
not observed in animals exposed to a single stress session. Blockade of CRF1
receptors in the aIC and cpIC inhibited acute stress-induced anxiety-like
behavior, an effect that was replicated in the rpIC following CRF administration.
Acute restraint stress increased neuronal activation in the aIC and rpIC and
reduced it in the cpIC. Microinjection of CP376395 into the aIC increased local
neuronal activation, whereas CRF administration in the cpIC reversed the
alteration induced by restraint stress. Repeated restraint stress did not alter CRF1
receptor expression in any IC subregion. In summary, our results indicate that
CRFergic neurotransmission in the IC exerts site-specific control over cardiovascular and behavioral responses to stress through a complex modulation
of local neuronal activation. Additionally, we demonstrate that this cardiovascular
control is modulated by prior exposure to stress
Descrição
Idioma
Português
Citação
SILVA, Lilian Liz Reis. Participação da neurotransmissão do fator liberador de corticotrofina no córtex insular no controle das respostas cardiovasculares e ansiogênica ao estresse de restrição em ratos. 2026. 112 f. Tese (Doutorado em Ciências Farmacêuticas) – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Araraquara, 2026.



