Aplicação da ultrassonografia com doppler na avaliação de atividade de doença nos pacientes com Doença inflamatória intestinal
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Data
Autores
Orientador
Sassaki, Lígia Yukie 

Coorientador
Barbosa, Walnei Fernandes
Silva, Giovanni Faria
Pós-graduação
Fisiopatologia em Clínica Médica - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Introdução: Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), como Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU), causam inflamação crônica idiopática imunomediada nas células intestinais. A monitorização da atividade da doença após tratamento é importante na vigilância e seguimento, para diagnosticar complicações, avaliar resposta ou propor mudança de terapêutica. Opções para monitorização: colonoscopia, enteroressonância (E-RNM), enterotomografia e a ultrassonografia (US) intestinal (exame acessível, não invasivo e seguro). Algumas características ultrassonográficas podem ser utilizadas para detectar atividade inflamatória: espessamento da parede intestinal (EPI), alteração do padrão, perda da estratificação e aumento da vascularização da parede intestinal, redução da peristalse, proliferação fibro-gordurosa, aumento dos linfonodos e/ou presença de líquido intra-abdominal. Com o Doppler, é possível avaliar alterações de fluxo da circulação abdominal associadas à atividade de doença, como: fluxo e índice de resistência da artéria mesentérica superior e das veias porta (VP) e mesentérica. Porém, poucos estudos avaliaram os benefícios da US com doppler na caracterização da atividade inflamatória em DII. Objetivos: Avaliar características ultrassonográficas e dopplerfluxométricas intestinais, dos vasos mesentéricos e do sistema porta dos pacientes com DII e comparar com grupo controle e pacientes DII em atividade e remissão. Metodologia: estudo transversal, descritivo, com abordagem quantitativa, com pacientes DII ambulatoriais. Avaliados dados sociodemográficos, clínicos, atividade da DII, uso de medicações, dados bioquímicos e da US intestinal com doppler. Análise estatística: análise descritiva, testes de associação, testes de correlação e regressão logística uni e multivariada. Nível de significância estatístico padrão de p < 0,05. Resultados: incluídos 150 indivíduos: 76 portadores de DII e 74 do grupo controle. Média de idade de 46.49±16.38 anos no grupo DII e de 38.99±13.61 anos no controle. Dos pacientes DII, 44 (57,9%) são portadores de RCU e 32 (42,1%) de DC. No grupo DII, mais da metade encontrava-se em remissão: 24 (77.42%) no grupo DC, e 26 (59.09%) no grupo RCU. A espessura do íleo (mm) foi de 1.96±0.46 nos controles e de 2.34±0.820 no grupo DII (p=<0.0001). A espessura do sigmóide (mm) foi de 2.35±0.47 nos controles e 2.84±0.85 no DII (p=<0.0001). Quanto à vascularização da parede intestinal utilizando a escala de Limberg, a do íleo foi normal (Limberg 0) em 68 (91.89%) dos controles e em 50 (65.79%) do DII. Já no sigmóide, foi normal em 63 (85.14%) dos controles e em 46 (60.53%) do DII. Observou-se Limberg normal do íleo em 53.57% dos pacientes em atividade e em 72.92% dos em remissão (p=0.0033). Limberg do sigmóide foi normal em 62.50% dos em remissão e em 57.14% dos em atividade (p=0.0002). Não observadas diferenças significativas entre os valores encontrados para os grupos DII e controle quanto as medidas do doppler da VP e vasos mesentéricos. Conclusão: US intestinal é ferramenta útil na avaliação da atividade da doença em DII, principalmente quanto vascularização da parede intestinal, utilizando a Escala de Limberg, e à espessura do íleo e do sigmóide. Quanto à utilização do Doppler da VP e vasos mesentéricos, ainda faltam dados que corroborem seu uso na avaliação da atividade da doença em pacientes com DII.
Resumo (inglês)
Introduction: Inflammatory Bowel Diseases (IBD), such as Crohn’s Disease (CD) and Ulcerative Colitis (UC), cause chronic idiopathic immune-mediated inflammation of intestinal cells. Monitoring disease activity after treatment is important for surveillance and follow-up, in order to diagnose complications, assess therapeutic response, or propose changes in therapy. Monitoring options include colonoscopy, magnetic resonance enterography (MRE), enterotomography, and intestinal ultrasound (IUS), which is an accessible, non-invasive, and safe examination. Certain ultrasonographic features can be used to detect inflammatory activity, such as bowel wall thickening (BWT), altered wall pattern, loss of stratification, increased bowel wall vascularization, reduced peristalsis, fibrofatty proliferation, lymph node enlargement, and/or the presence of intra-abdominal fluid. Doppler ultrasound allows evaluation of abdominal circulatory flow changes associated with disease activity, such as flow and resistance index of the superior mesenteric artery and of the portal and mesenteric veins. However, few studies have assessed the benefits of Doppler ultrasound in characterizing inflammatory activity in IBD. Objectives: To evaluate intestinal ultrasonographic and Doppler flow characteristics, as well as those of mesenteric vessels and the portal system, in patients with IBD, and to compare them with a control group and between IBD patients in active disease and in remission. Methods: A cross-sectional, descriptive study with a quantitative approach including outpatient IBD patients. Sociodemographic and clinical data, IBD activity, medication use, biochemical data, and intestinal Doppler ultrasound findings were assessed. Statistical analysis included descriptive analysis, association tests, correlation tests, and univariate and multivariate logistic regression. A standard statistical significance level of p < 0.05 was adopted. Results: A total of 150 individuals were included: 76 with IBD and 74 in the control group. The mean age was 46.49 ± 16.38 years in the IBD group and 38.99 ± 13.61 years in the control group. Among IBD patients, 44 (57.9%) had UC and 32 (42.1%) had CD. More than half of the IBD patients were in remission: 24 (77.42%) in the CD group and 26 (59.09%) in the UC group. Ileal thickness (mm) was 1.96 ± 0.46 in controls and 2.34 ± 0.82 in the IBD group (p < 0.0001). Sigmoid thickness (mm) was 2.35 ± 0.47 in controls and 2.84 ± 0.85 in the IBD group (p < 0.0001). Regarding bowel wall vascularization assessed using the Limberg scale, ileal vascularization was normal (Limberg 0) in 68 (91.89%) controls and 50 (65.79%) IBD patients. In the sigmoid, it was normal in 63 (85.14%) controls and 46 (60.53%) IBD patients. Normal ileal Limberg was observed in 53.57% of patients with active disease and in 72.92% of those in remission (p = 0.0033). Normal sigmoid Limberg was observed in 62.50% of patients in remission and in 57.14% of those with active disease (p = 0.0002). No significant differences were observed between IBD and control groups regarding Doppler measurements of the portal vein and mesenteric vessels. Conclusion: Intestinal ultrasound is a useful tool for assessing disease activity in IBD, particularly regarding bowel wall vascularization using the Limberg scale and ileal and sigmoid wall thickness. Regarding the use of Doppler assessment of the portal vein and mesenteric vessels, further data are still needed to support its role in evaluating disease activity in IBD patients.
Descrição
Palavras-chave
Doença inflamatória intestinal, Crohn, Doença de, Retocolite Ulcerativa, Proctocolite, Ultrassonografia Intestinal com doppler, Doppler, Ultrassonografia, Inflammatory bowel disease, Crohn’s disease, Colitis, Ulcerative, Intestinal ultrasonography, Doppler intestinal ultrasonography
Idioma
Português
Citação
DUTRA, Renata de Medeiros. Aplicação da ultrassonografia com doppler na avaliação de atividade de doença nos pacientes com Doença Inflamatória Intestinal. 2025. Tese (Doutorado em Fisiopatologia em Clínica Médica) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2025.


