O legado colonial português e seus impactos linguísticos em Moçambique e Brasil
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Resumo
Resumo (português)
Este artigo analisa o impacto histórico do legado colonial nas políticas linguísticas e nas práticas de linguagem em Moçambique e Brasil, com ênfase nas dinâmicas de apagamento e resistência epistêmica nos contextos pós-coloniais. A partir de uma perspectiva decolonial, criticamos essas estruturas de poder, que instituem regimes linguísticos, e que marginalizam as línguas africanas e indígenas em ambos os países. Em Moçambique, o uso do português como língua oficial, consolidou-se como símbolo de unidade nacional, quando na verdade funciona como ferramenta de exclusão das línguas bantu. No Brasil, a opressão histórica das línguas indígenas e africanas, que remonta à escravização e ao processo de aculturação, é um reflexo contínuo de epistemicídio, onde saberes e culturas foram sistematicamente subalternizados e desvalorizados. Concluímos que é urgente repensar as políticas linguísticas nos dois países, considerando a diversidade linguística como um elemento central na construção dessas sociedades, nas quais vozes historicamente marginalizadas seguem resistindo.
Resumo (inglês)
This article analyzes the historical impact of the colonial legacy on language policies and linguistic practices in Mozambique and Brazil, with emphasis on the dynamics of erasure and epistemic resistance in postcolonial contexts. From a decolonial perspective, we critique these power structures that establish linguistic regimes and marginalize African and Indigenous languages in both countries. In Mozambique, the use of Portuguese as the official language has been consolidated as a symbol of national unity, when in fact it operates as a tool of exclusion for Bantu languages. In Brazil, the historical oppression of Indigenous and African languages, dating back to enslavement and the process of acculturation, reflects a persistent epistemicide, in which knowledge systems and cultures have been systematically subordinated and devalued. We conclude that it is urgent to rethink language policies in both countries, recognizing linguistic diversity as a central element in the construction of societies where historically marginalized voices continue to resist.
Resumo (espanhol)
Este artículo analiza el impacto histórico del legado colonial en las políticas lingüísticas y en las prácticas del lenguaje en Mozambique y Brasil, con énfasis en las dinámicas de borramiento y resistencia epistémica en contextos poscoloniales. Desde una perspectiva decolonial, se critican estas estructuras de poder que instituyen regímenes lingüísticos y que marginan las lenguas africanas e indígenas en ambos países. En Mozambique, el uso del portugués como lengua oficial se ha consolidado como símbolo de unidad nacional, cuando en realidad funciona como herramienta de exclusión de las lenguas bantu. En Brasil, la opresión histórica de las lenguas indígenas y africanas, que se remonta a la esclavización y al proceso de aculturación, refleja un epistemicidio persistente, donde los saberes y las culturas han sido sistemáticamente subalternizados y desvalorizados. Se concluye que es urgente replantear las políticas lingüísticas en ambos países, reconociendo la diversidad lingüística como un elemento central en la construcción de sociedades en las que las voces históricamente marginadas siguen resistiendo.
Descrição
Palavras-chave
Políticas linguísticas, Moçambique, Brasil, Epistemicídio, Línguas indígenas e africanas, Decolonialidade
Idioma
Português
Citação
ALVES, C. C. O.; ABDULA, R. A. M. O legado colonial português e seus impactos linguísticos em Moçambique e Brasil. Cadernos de
Linguagem e Sociedade, Brasília, v. 26, n. 1, p. 42-58, jan./jun. 2025. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/58165.




