Publicação:
Destreza manual e postura de trabalho em estudantes de odontologia

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Data

2021-03-04

Orientador

Garcia, Patricia Petromilli Nordi Sasso

Coorientador

Pós-graduação

Ciências Odontológicas - FOAR

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Este trabalho teve como objetivo observar a relação entre o desenvolvimento da destreza manual e a postura de trabalho em estudantes de Odontologia. Para isso, propôs-se a realização de cinco estudos. No estudo 1 realizou-se uma revisão da Literatura para determinar quais métodos de avaliação da destreza manual são utilizados no ensino da Odontologia. A revisão foi realizada utilizando os termos “manual dexterity”, “dentistry”, “dexterity tests” e “dental students”. Foram coletados 38 artigos, incluindo apenas aqueles disponíveis em inglês, abordando métodos de avaliação de destreza manual (N=22). Observou-se que um total de 17 artigos abordaram testes de destreza manual para utilização em Odontologia. No geral, os estudos utilizaram testes de destreza manual como parte do processo de admissão em escolas de Odontologia, para prever o desempenho do estudante em disciplinas práticas e/ou auxiliar no processo de aprendizado prático, porém em sua maioria os testes aplicados não haviam sido criados especificamente para serem utilizados em Odontologia. No estudo 2 realizou-se um estudo de correlação entre o nível de dificuldade para a realização de procedimentos restauradores e a aplicação dos requisitos de posturas ergonômicas em estudantes de Odontologia durante o treinamento pré-clínico. A amostra foi composta pelos estudantes do 2º ano do curso de graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP (N=56). A coleta dos dados foi feita por meio de uma ficha na qual os estudantes registraram, semanalmente, após o treinamento no laboratório de Dentística I, seu nível de dificuldade para a realização do procedimento pré-clínico proposto e para a adoção dos requisitos de postura ergonômica. Para isso eles tomaram como base uma escala de 0 a 10 pontos, sendo 0 correspondendo a nenhuma dificuldade e 10 a dificuldade máxima. Foi realizada estatística descritiva e após a confirmação do pressuposto de normalidade, passou-se para o estudo da correlação, estimada pelo Coeficiente de Correlação de Pearson (r), entre o nível de dificuldade na realização dos procedimentos restauradores e na adoção de postura ergonômica, sendo sua significância testada pelo teste t Student. Para avaliar o efeito do tempo no nível de dificuldade dos estudantes em relação à postura ergonômica a média dos registros das duas primeiras semanas de treinamento foi definida como tempo inicial e das duas últimas semanas letivas como tempo final. Realizou-se a estatística descritiva. Após a verificação do atendimento dos pressupostos de normalidade realizou-se o teste de t Student para amostras pareadas. O nível de significância adotado foi de 5%. Verificou-se que a correlação entre a dificuldade de realização do procedimento pré-clínico de Dentística e os requisitos de postura ergonômica avaliados foi significativa, porém variando de baixa a moderada. Foi possível verificar que a percepção do nível de dificuldade de todos os itens de postura avaliados diminuiu significativamente ao longo do tempo (p<0,001). Conclui-se que a correlação entre a dificuldade para a realização de procedimentos restauradores pré-clinicos e a aplicação dos requisitos de postura ergonômicas foi significativa, porém de baixa e moderada e que a percepção de dificuldade dos estudantes com relação à postura ergonômica diminuiu ao longo de um ano de acompanhamento no treinamento pré-clínico. O estudo 3 teve o objetivo de adaptar um teste de destreza manual a um ambiente de treinamento pré-clínico e determinar sua confiabilidade. Foram avaliados estudantes do 5º ano do curso de graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP (N=92). Após o desenvolvimento do método Dental Manual Dexterity Assessment (DMDA), sua confiabilidade foi avaliada por meio do estudo de reprodutibilidade intra-examinador e inter-examinadores. Dois examinadores avaliaram em duplicata, a olho nu e com a Placa Teste posicionada sobre um negatoscópio, o resultado do DMDA de 20 estudantes, com intervalo de uma semana entre as avaliações, sendo as mesmas nomeadas como 1ª e 2ª avaliações. O estudo de reprodutibilidade intra e interexaminadores foi realizado por meio do Coeficiente de Correlação Intraclasse (ρ). Foi realizada a análise estatística descritiva, e a prevalência do nível de destreza manual e o tempo necessário para concluir o teste foram estimados por ponto e intervalo de confiança de 95%. Tanto a reprodutibilidade intraexaminador (ρ1=0,892; ρ2=0,938) quanto a reprodutibilidade interexaminadores (ρ1ª avaliação=0,914; ρ2ª avaliação=0,813) foram classificadas como “boas” ou superiores. Observou-se maior prevalência de nível de destreza manual classificado como “alto” entre os estudantes avaliados. A adaptação resultou em um instrumento válido e confiável para medir a destreza manual entre estudantes de Odontologia. O método é simples e pode ser implementado nas fases iniciais nos cursos de graduação em Odontologia. O estudo 4 teve o objetivo de observar a adesão aos requisitos de postura ergonômica e da habilidade motora fina de estudantes de Odontologia ao longo do treinamento pré-clínico. Foi também realizado um estudo de correlação entre a adesão aos requisitos de postura ergonômica e a habilidade motora fina. A amostra foi composta por estudantes do 2° ano de graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP (N=62). Para a avaliação da adoção dos requisitos de postura ergonômica de trabalho foi utilizado o CADEP (Compliance Assessment of Dental Ergonomic Posture Requirements) e foram realizadas tomadas fotográficas dos alunos executando procedimentos pré-clínicos, ao longo de um ano letivo. As fotografias obtidas de cada procedimento foram avaliadas e foi emitida uma nota de 0 a 10, a qual correspondeu ao nível de adesão aos requisitos de postura ergonômica. Para avaliar a evolução desta adesão ao longo do tempo a média das notas obtidas do CADEP nos dois primeiros meses correspondeu à Adesão Inicial (Ai) e a dos 2 meses finais à Adesão Final (Af). Para avaliar a habilidade motora fina foi utilizado o Dental Manual Dexterity Assessment – DMDA modificado, o qual consiste em um teste onde o estudante deve inserir uma fresa #3195FF acoplada a um “simulador de peça de mão reta”, em uma série de 82 pequenos alvos impressos em uma Placa Teste. A precisão de peneração de cada alvo foi avaliada e pontuada de 0 a 3 pontos, podendo ao final somar no máximo 246 pontos. O tempo para a realização do teste foi cronometrado em segundos. Utilizou-se a pontuação final da placa, dividida pelo tempo, para dar a nota final do teste. Para avaliar a evolução da habilidade motora fina final ao longo de um ano letivo, o DMDA foi aplicado no início do treinamento pré-clínico antes da realização dos preparos cavitários e restaurações (Di) e no final do ano letivo (Df). Tanto as posturas quanto a habilidade motora fina foram avaliadas por pesquisador devidamente calibrado em estudo piloto. Foi realizada análise estatística descritiva. Após a verificação dos pressupostos de normalidade foi realizado o teste t Student para amostras pareadas. A correlação entre a adesão aos requisitos de postura ergonômica e a habilidade motora fina foi estimada pelo Coeficiente de Correlação de Pearson (r) e sua significância foi testada pelo teste t Student. O nível de significância adotado foi de 5%. Verificou-se que houve diferença estatisticamente significativa entre a avaliação inicial e final, para a adesão aos requisitos de postura ergonômica (p<0,001; t=-5,300) e para a habilidade motora fina (p<0,001; t=-10,975), sendo maiores os valores na avaliação final. Observou-se que houve correlação não significativa entre a adesão aos requisitos de postura ergonôma e a habilidade motora fina no início do treinamento pré-clínico (r=-0,197; p=0,126) e no final (r=0,226; p=0,078). Conclui-se que a destreza manual dos estudantes e a adesão aos requisitos de postura ergonômica aumentaram ao longo do ano de treinamento pré-clínico e que a correlação entre elas não foi significativa. O estudo 5 teve como objetivo desenvolver e avaliar o efeito de um Programa de Treinamento Pré-Clinico sobre a destreza manual, percepção visual de profundidade e distância, percepção de autoconfiança, qualidade de preparos cavitários e postura ergonômica de trabalho de estudantes de Odontologia previamente ao treinamento pré-clínico. O estudo envolveu alunos do 1º ano do curso de graduação em Odontologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP (N=63). O programa consistiu em oito fases nos quais os alunos realizaram diferentes tipos de atividades. As variáveis dependentes foram: destreza manual avaliada pelo Dental Manual Dexterity Assessment – DMDA modificado, percepção de profundidade e extensão cavitária medida pelo Depth and Extention Perception in Dentistry test – DEPD, autoconfiança para execução de procedimento pré-clínico por meio da escala VAS; qualidade de preparo cavitário Classe I; desvio angular da posição neutra do pescoço, tronco, braço, antebraço, punho e distância entre os olhos do estudante e o dente do manequim. Estas variáveis foram avaliadas em dois momentos distintos: antes e após a aplicação do programa. A variável independente foi o programa de treinamento de destreza manual pré-clínico. Foi realizada a análise estatística descritiva e após o atendimento do pressuposto de normalidade realizou-se o teste t Student pareado com o nível de significância de 5%. Os resultados mostram que houve diferença estatisticamente significativa em relação ao DMDA modificado (p<0,001), autoconfiança (p<0.001), qualidade dos preparos cavitários (p<0,001), distância dos olhos do estudante/manequim (p<0,001), desvio angular da posição neutra do tronco (p=0.007) e dos punhos (p<0,001), com melhores resultados no pós-treinamento. Conclui-se que o programa proposto promoveu melhoria autoconfiança dos estudantes, na qualidade dos preparos cavitários, na distância olhos do estudante/manequim e no desvio angular da posição neutra do punho.

Resumo (inglês)

This study aimed to observe the relationship between dental students’ development of manual dexterity and their work posture. Five studies were completed. In study #1, a literature review was done to determine which assessment methods of manual dexterity are used for the teaching of Dentistry. The key words used were “manual dexterity”, “dentistry”, “dexterity tests” and “dental students”. Thirty-eight articles were selected, including only those available in English and that addressed assessment methods of manual dexterity (N=22). A total of 17 articles addressed manual dexterity tests for use in Dentistry. In general, manual dexterity tests were used for admission process in dental schools, evaluation of student’s performance in practical courses and/or assistance in the practical learning process. However, most of the manual dexterity tests were not developed specifically for Dentistry. In study #2, a correlation study between the level of difficulty in performing restorative procedures and the application of ergonomic posture requirements was established for dental students during their pre-clinical training. The sample consisted of second year dental students from School of Dentistry of São Paulo State University (UNESP), Araraquara (N=56). Students documented their level of difficulty in performing restorative procedures and adopting ergonomic posture requirements after their preclinical operative class every week. A scale of 0 to 10 points was used, in which 0 corresponded to no difficulty and 10 the maximum difficulty. Descriptive statistics was performed and, after confirming the assumption of normality, the correlation between the level of difficulty in performing restorative procedures and adopting ergonomic postures was, estimated by Pearson's Correlation Coefficient (r), and its significance evaluated by the Student t test. To assess the effect of time on students' level of difficulty in relation to ergonomic posture, the average of the records of the first two weeks of training was defined as the initial time and the last two weeks as the final time. Descriptive statistics was performed. After verifying the normality assumptions, the Student t test was performed for paired samples. The level of significance adopted was 5%. There was significant statistical difference between the difficulty of performing preclinical dental procedures and adoption of ergonomic postures evaluated was significant, but it was low to moderate. The perception of the level of difficulty regarding the ergonomic posture decreased significantly over time (p<0.001). It was concluded that the correlation between the difficulty to perform preclinical restorative procedures and the application of the ergonomic posture requirements was significant, however from low to moderate, and that the students' perception of difficulty regarding the ergonomic posture decreased along one-year follow-up of pre-clinical training. The study #3 aimed to adapt a manual dexterity test to a preclinical training environment and to determine its reliability. 5th year dental students from School of Dentistry of São Paulo State University (UNESP), Araraquara, participated in this study (N=92). After the development of the Dental Manual Dexterity Assessment (DMDA), its reliability was assessed by an intra-examiner and inter-examiner reproducibility study. Two examiners evaluated in duplicate, with the naked eye and with the Test Plate positioned on a negatoscope, the DMDA result of 20 students, with an interval of one week between the 1st and 2nd evaluations. Th intra- and inter-examiner reproducibility data was performed using the Intraclass Correlation Coefficient (ρ). A descriptive statistical analysis was performed, and the prevalence of the level of manual dexterity and the time required to complete the test were estimated by point and 95% confidence interval. Both intra-examiner reproducibility (ρ1=0.892; ρ2=0.938) and inter-examiner reproducibility (ρ1st=0.914; ρ2nd=0.813) were classified as “good” or higher. There was a higher prevalence of manual dexterity level classified as “high” among the students evaluated. The adaptation resulted in a valid and reliable instrument for measuring manual dexterity among dental students. The method is simple and can be implemented in the initial stages of the dental curriculum. The study #4 aimed to observe dental students’ fine motor skills and their adoption of ergonomic posture requirements during their the preclinical training. A correlation study was done between adoption of ergonomic posture requirements and fine motor skills. The sample consisted of 2nd year students from School of Dentistry of São Paulo State University (UNESP), Araraquara (N=62). To assess the adoption of ergonomic postures, the Compliance Assessment of Dental Ergonomic Posture Requirements (CADEP) was used and photographs were taken of students performing pre-clinical procedures during the academic year. The photographs obtained from each procedure were evaluated and a scored from 0 to 10, which corresponded to the level of adoption to ergonomic posture requirements. To assess the evolution of this adoption over time, the average scores in the first two months corresponded to the Initial Adoption (Ai) and the final 2 months to the Final Adoption (Af). To assess fine motor skills, the modified Dental Manual Dexterity Assessment (DMDA) was used. Students had to insert a # 3195FF bur attached to a “straight handpiece simulator”, in 82 small targets printed on a Test Plate. The penetration accuracy of each target was assessed and scored from 0 to 3 points, with a maximum total of 240 points. The time to perform the test was measured in seconds. The final score was divided by time to determine give the final test score (modified Dental Manual Dexterity Assessment - DMDA). To assess the fine motor skills over the course of an academic year, a modified DMDA was applied at the beginning of preclinical training before students performing cavity preparations and restorations (Di) and at the end of the academic year (Df). Both postures and fine motor skills were assessed by a properly calibrated researcher in a pilot study. Descriptive statistical analysis was performed. After verifying the assumptions of normality, the t Student test was performed for paired samples. The correlation between adoption of the ergonomic posture requirements and fine motor skills was estimated by Pearson's Correlation Coefficient (r) and its significance was tested by the Student t test. The level of significance adopted was 5%. There was a significant statistical difference between the initial and final evaluation, for adoption of ergonomic postures (p<0.001; t=-5.300) and for fine motor skills (p<0.001; t=-10.975). Higher values were obtained in the final evaluation. There was an interesting, but not significant, correlation between adoption of ergonomic posture requirements and fine motor skills at the beginning (r=-0.197; p=0.126) and at the end (r=0.226; p=0.078) of preclinical training. It was concluded that students' manual dexterity and their adoption of ergonomic posture requirements increased throughout the year of preclinical training, but their correlation was not significant. The study #5 aimed to develop and evaluate the effect of a Manual Dexterity Training Program on dental students’ manual dexterity, their visual perception of depth and distance, perception of self-confidence, quality of cavity preparation and ergonomic work posture prior to their pre-clinical training. First year students from School of Dentistry of São Paulo State University (UNESP), Araraquara (N=63) participated in this study. The Manual Dexterity Training Program consisted of eight phases in which students performed different types of activities. The dependent variables were: (i) manual dexterity assessed by the modified Dental Manual Dexterity Assessment – DMDA, (ii) perception of depth and cavity extension measured by the Depth and Extention Perception in Dentistry test – DEPD, (iii) self-confidence to perform a preclinical procedure using the VAS scale, (iv) quality of Class I cavity preparation, (v) angular deviation from the neutral position of the neck, trunk, arm, forearm, wrist, and (vi) distance between the student's eyes and the mannequin's tooth. These variables were evaluated at two different times: before and after the application of the program. The independent variable was the pre-clinical manual dexterity training program. The descriptive statistical analysis and the paired Student t test were performed, with a 5% significance level, after meeting the assumption of normality. The results showed that there was a significant statistical difference in relation to the modified DMDA (p<0.001), self-confidence (p<0.001), quality of the cavity preparations (p<0.001), distance from the eyes of the student/mannequin (p<0.001), deviation angle of the neutral position of the trunk (p=0.007) and wrists (p<0.001). The best results were obtained at the post-training. It was concluded that the proposed program improved students' self-confidence, their quality of cavity preparations, the distance between their eyes and the mannequin, and the angular deviation from the neutral position of their wrist.

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