Do pedagógico ao lexical: os sentidos do termo “paradigma” ao longo da obra de Thomas Kuhn (1951-1999)
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Data
Autores
Orientador
Cecon, Kleber 

Coorientador
Pós-graduação
Filosofia - FFC
Curso de graduação
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta dissertação visa tratar sobre a polissemia do termo "paradigma" na filosofia da ciência de Thomas S. Kuhn a partir de uma investigação da gênese, desenvolvimento e reconsiderações do termo ao longa da produção bibliográfica do autor. No geral, estudos sobre a Filosofia da Ciência de Thomas S. Kuhn despendem pouca atenção sobre publicações anteriores a 1962, e, quando o fazem localizadamente, ocorre uma secundarização das situações filosóficas ali contidas sobre o pressuposto que elas têm objetivos apenas históricos; e, aqueles que se focam nas produções posteriores a 1962, fazem-no com antevisão, de maneira que se perde as alterações globais do pensamento kuhniano. Então, estudos exegéticos das produções bibliográficas de Thomas Kuhn tem uma centralização em textos publicados a partir de 1962, não anteriores. Por um lado, isso ocorre porque The Structure of Scientific Revolutions (SSR), que se difundiu como a principal obra de referência do autor, é publicada em 1962 e a sua edição-base data de 1970. Por outro, as controvérsias em torno dessa obra e as reconsiderações diversas procedidas por Thomas Kuhn após 1962 direcionaram as pesquisas a esses textos posteriores com vistas a verificar o desenvolvimento das compreensões e reconstruí-las com vistas a (tentar) eliminar certas tensões ou desencaixes com a SSR. Assim, a SSR adquiri uma centralidade fundante como fonte de visão geral da filosofia da ciência de Thomas Kuhn e, logo, dos problemas e críticas atribuídos a ela. Com efeito, ao se examinar o conceito de paradigma, enuncia-se a existência de uma polissemia relacionada ao termo internamente a SSR, que seria ou resolvida por alguma limitação ou estabelecimento de relações de fundamentalidade entre os usos, ou indicaria uma insuficiência explanatório da proposta kuhniana a ser superada a despeito de não se desfazer do arcabouço conceitual geral da SSR. Pretende-se mostrar que essa maneira de enunciar o problema da polissemia do termo "paradigma", que depende da escolha metodológica de tornar a SSR um elemento basilar, conduz a uma situação irresolvível no pensamento kuhniano na medida em que não se pode propor um sentido fundamental do termo internamente ao pensamento de Kuhn. Ao se examinar a construção da filosofia kuhniana de uma perspectiva genética-bibliográfica, notar-se-á que o termo "paradigma" adquiri sentidos e funções heurísticas distintas ao longo da obra de Thomas Kuhn. Ao final deste trabalho, espera-se constituir um quadro no qual o conceito de paradigma surge com uma função explicativa no âmbito pedagógico da ciência, movimenta-se em direção a uma sobreposição da função pedagógica a uma função demarcativa e, por fim, adquire uma função linguística, relacionada a orientação e consolidação da linguagem científica das comunidades. Dado esse quadro, seria possível fazer uma nova enunciação do problema da polissemia do termo "paradigma" segundo a qual ele constitui problema apenas ao se erigir a SSR como obra primordial.
Resumo (inglês)
This dissertation aims to discuss the polysemy of term “paradigm” in Thomas S. Kuhn’s philosophy of science from an inspection of its geneses, development and second thoughts throughout the author’s bibliography production. In general, analyses about Thomas S. Kuhn’s philosophy of science have been paying little attention to publications before 1962, and even when attention is paid, it is done in such way that its philosophical states there inside are set aside as having merely historical purposes; and, those who focus in productions after 1962 produce their conclusions in hindsight, in such way that global modifications of Kuhnian thought are lost. Therefore, works previously to 1962 are not usually considered for exegetic studies of Thomas Kuhn’s bibliographic production. That occurs because, first, The Structure of Scientific Revolutions (SSR), which is spread out as the author’s main reference, was published in 1962 and the standard edition dates from 1970. The criticism toward the book, and
the second thoughts proceeded to be made by Thomas Kuhn after 1962, guided researches to these late texts, bearing in mind to assure that conclusions and interpretations of them were made in such a way to eliminate some tensions and misplaced pieces of the SSR. So, the SSR is the crucial element that acts like a basic ground from where the overview of Thomas S. Kuhn’s philosophy of science is built, then toward it problems and criticism are directed. In that way, several works stated a polysemy relative to term “paradigm” internally to SSR, would be either solved by set up relations of fundamental meanings or by the overcome of explanatory limitations of the Kuhnian approach besides the SSR’s main lines are not set aside. It is our objective here to demonstrate that the polysemy’s problem of the term “paradigm” is implicit on the methodological choice of make the SSR the main element of analysis. This choice leads to an unsolvable situation in the Kuhnian philosophy because then it couldn’t be proposed a fundamental meaning of term inside it. To investigate the construction of Kuhnian philosophy by a genetic-bibliography approach, it is explicated that term “paradigm” has different meanings and heurist functions along Thomas Kuhn’s text. In the end of this work, we hope to successfully demonstrate that the concept of paradigm comes from an explanatory function in the pedagogic field of science, swinging for an overlap with a demarcation function and, at last, acquiring a linguist function, by which it is accounted on the direction and crystallization of scientific language of the communities. Supposed this portrait, it would be possible to put in new terms the polysemy problem of the term “paradigm”, in which it should be considered a real “problem” only if the SSR is taken and assumed as the foremost and fundamental text of Thomas Kuhn’s philosophy.
Descrição
Palavras-chave
Filosofia e ciência, Ciência - Filosofia, Filosofia Historiografia, Teoria do conhecimento, Kuhn, Thomas S., 1922-1996, Paradigma, Polissemia, Science - Philosophy, Paradigm, Polysemy
Idioma
Português
Citação
MOREIRA, Matheus Jurandir. Do pedagógico ao lexical: os sentidos do termo "paradigma" ao longo da obra de Thomas Kuhn (1951-1999). 2025. 137 p. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.

